Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Bolsa fecha no maior nível desde janeiro e dólar cai a R$ 5,07 com chance de estímulos nos EUA

Ibovespa terminou o dia aos 118,4 mil pontos, com a possibilidade do Congresso americano aprovar novos incentivos de até US$ 900 bilhões para os setores mais afetados pela covid

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 09h08
Atualizado 17 de dezembro de 2020 | 19h15

A possibilidade do Congresso americano aprovar novas medidas de estímulos fiscais nos próximos dias ajudou no bom humor da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que com o apoio do mercado acionário de Nova York, voltou a atingir o patamar de janeiro. Nesta quinta-feira, 17, o Ibovespa fechou com ganho de 0,46%, aos 118.400,57 pontos, enquanto o dólar terminou o dia com queda de 0,54%, a R$ 5,0788.

Segundo o site americano Politico, os senadores Mitch McConnell (republicano, líder da maioria na Casa) e Chuck Schumer (democrata, líder da minoria) declararam que o pacote fiscal está próximo de ser fechado e que o Congresso não entrará em recesso enquanto os novos estímulos não forem aprovados

Em resposta, Dow JonesS&P 500 e o Nasdaq fecharam com altas de 0,49%, 0,57% e 0,84% cada. Além disso, os três principais índices do mercado acionário americano voltaram a renovar máximas históricas de fechamento. A notícia também favoreceu as Bolsas da Ásia e Europa. Por aqui, em sintonia com o bom humor mundial, o Ibovespa subiu aos 119.027,05 pontos na máxima do dia, maior nível desde 24 de janeiro.

Já perto do final do pregão, o índice começou a realizar lucros e diminuiu o movimento de alta. "A gente vê o mercado se lateralizando hoje. Não tem muito mais o que fazer, os investidores estão tirando o pé, liquidando as posições do ano", explica o sócio e economista-chefe do banco digital Modalmais, Álvaro Bandeira. "Tivemos um fluxo muito grande em novembro, de R$ 33 bilhões, em dezembro até o dia 15 de quase R$ 10 bilhões... Agora, vamos ficar de lado", observa.

Para Bandeira, essa tendência de "lateralização" permanecerá até os primeiros dias de janeiro, para daí o mercado buscar novo embalo. "Se em janeiro o fluxo continuar, eu acho que o Ibovespa vai rápido aos 120 mil pontos", comenta. Em todo este contexto, o economista pondera que, no campo doméstico, o Congresso tirou o pé do freio antes mesmo do mercado, deixando uma fatura de problemas a serem endereçados no início do ano que vem.

O economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, lembra que em 2021 o País terá de arcar com o avanço expressivo do endividamento público, expandido para fazer frente à crise econômica e sanitária da covid-19. "O Brasil foi dos emergentes o que mais gastou, e nós já tínhamos problemas crônicos a enfrentar. Temos a necessidade de fazer as reformas", afirma, ponderando que, embora, não tenha dado o tom dos negócios hoje, esta é uma questão que está no pano de fundo para os próximos dias.

Nesta esperança por nova rodada de estímulos, destaque também para o comportamento das commodities hoje - o que impacta diretamente as empresas brasileiras a esses setores relacionadas. Impulsionadas pelo petróleo, as ações PN da Petrobrás subiram 0,18% e ON avançaram 1,26%. Com minério em alta, a Vale ON avançou 1,14 e CSN ON - que tem um braço importante na exploração de ferro - teve ganho de 3,70%. Na contramão, com o dólar em queda, as ações de grandes exportadoras de carne tiveram baixa. Minerva ON cedeu 1,26%, JBS perdeu 0,13% e Marfrig recuou 1,17%.

Câmbio

O dólar testou novas mínimas hoje no mercado internacional e também recuou ante o real. O índice DXY, que mede o comportamento da moeda americana perante divisas fortes, caiu na tarde desta quinta-feira abaixo dos 90 pontos, o que não acontecia desde abril de 2018, com os investidores animados pela chance de um pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos. Além do dólar mais fraco lá fora, houve novos relatos de entrada de fluxo para o Brasil, que já encostam em R$ 10 bilhões na Bolsa.

Para o economista da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho, o dólar fraco lá fora, a sinalização de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai manter o programa de ativos, além do avanço da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso aqui abrem espaço para mais entrada de capital externo. Assim, deixam o dólar mais perto dos R$ 5,00. Ainda hoje, o dólar para janeiro fechou com queda de 0,49%, a R$ 5,075.

Em um ambiente de elevada liquidez externa, os estrategistas de moedas do Bank of America avaliam que as moedas da América Latina tendem a ter bom desempenho pela frente, pois a economia da região está se recuperando. Real e peso mexicano são as divisas preferidas e o banco americano afirma estar comprado nelas, ou seja, apostando em sua valorização./ MATEUS FAGUNDES, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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