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Bolsa fecha em alta e dólar fica R$ 5,30 em dia de começo da imunização no Brasil

No entanto, mercado operou sem muito fôlego, de olho nas eleições para as presidências do Congresso brasileiro e sem o apoio do mercado de Nova York, fechado devido a um feriado

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 09h16
Atualizado 18 de janeiro de 2021 | 19h10

O mercado local operou com pouco fôlego nesta segunda-feira, 18, dia em que começou a imunização contra a covid-19 no Brasil, apesar de um atraso na entrega das doses. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 0,47%, aos 121.241,63 pontos, enquanto no câmbio, o dólar ficou estável, com alta de 0,01%, a R$ 5,3047. A sessão de hoje ocorreu sem o apoio das Bolsas de Nova York, que estão fechadas devido ao feriado prolongado de Martin Luther King, nos Estados Unidos.

"Hoje tivemos o dia seguinte à vacina, e o mercado vinha penalizando o Ibovespa também pela indefinição sobre isso. Tivemos certo desconto com a realização vista na semana passada e assim, com a efetivação da vacina, o mercado ficou mais leve, conseguindo se recuperar do baque da sexta-feira. Hoje, o volume do exercício de opções sobre ações não foi ruim, mas teria sido maior caso não fosse feriado em Nova York", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Moliterno chama atenção para o desempenho de ações mais correlacionadas à recuperação, como as de companhias aéreas com Azul, em alta de 1,82% e Gol, com 1,02% e shoppings, com ganho de 1,26% de Iguatemi. No entanto, chamou a atenção o atraso na entrega das doses pelo governo federal, o que atrasou em um dia o calendário de vacinação de alguns Estados.

Virada a página da aprovação de vacinas pela Anvisa, o mercado passa a olhar para outros importantes eventos da semana, ambos na quarta-feira: a posse do presidente Joe Biden nos Estados Unidos e a decisão de política monetária do Copom, com aposta de manuteção da taxa, mas sinalização de alta antecipada da Selic. "Nos EUA, Biden tem sinalizado que pode reverter parte das decisões de Trump de forma monocrática, assegurando, por exemplo, o reingresso dos EUA no Acordo de Paris - o início do governo Biden certamente será acompanhado muito de perto por todos."

Assim, acabou prevalecendo a cautela na parte da tarde, com o Ibovespa e o dólar limitando o que se viu mais cedo, aponta Adilson Bonvino, sócio da Unnião Investimentos. "Sem desmerecer a vacina, algo positivo, não há por que ocorrer uma reação exagerada quando se tem ainda incerteza adiante, com o mercado à espera de definições importantes, como as das presidências da Câmara e do Senado", diz. Nesta segunda, os investidores receberam bem as últimas movimentações dos principais candidatos à Presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL), que, embora sejam favoráveis à ampliação de programas sociais, reforçaram o compromisso fiscal ao longo do fim de semana.

Na ponta do Ibovespa nesta segunda-feira, WEG fechou em alta de 7,02%, Natura, de 5,16%, e BTG Pactual, de 3,97%. No lado oposto, Equatorial cedeu 2,14%, PetroRio, 1,94%, e Sabesp, 1,79%. Entre as empresas de maior peso, destaque para alta de 0,81% para Vale ON e de 1,98% para CSN ON. Petrobrás PN e ON caíram 0,18% e 0,17% cada. No ano, o índice avança 1,87%.

Câmbio

O dólar firmou queda nos negócios da tarde, depois de uma manhã de volatilidade, mas acabou fechando perto da estabilidade, no aguardo da posse de Joe Biden e da decisão do Copom. Com o feriado nos Estados Unidos, a liquidez foi fraca e as oscilações mais contidas, que levou a moeda americana para as mínimas do dia, a R$ 5,23, e ao comportamento da divisa dos Estados Unidos no exterior, que operou mista nos emergentes, mas caiu ante pares do Brasil, como o México. O início do processo de vacinação no Brasil trouxe algum otimismo, mas a visão segue cautelosa com o cenário político, em meio às eleições no Congresso.

O economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, observa que sem a vacinação deslanchar, pode haver riscos para a atividade econômica na primeira metade do ano, que se somaria a outros "ventos contrários", como o do aumento da inflação. Ramos classifica o início do processo de vacinação no Brasil como "lento" e "errático", mas que finalmente começa a ganhar forma. O economista acredita que um novo auxílio vai acabar sendo aprovado, por conta dos efeitos da segunda onda da pandemia.

Nesta segunda, o dólar para fevereiro fechou com leve alta de 0,14%, a R$ 5,3010./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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