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Bolsa fecha em alta de 2,5% após Guedes dizer que fica no governo; dólar cai a R$ 5,46

Mercado respira aliviado com a informação de que o ministro da Economia não tem a pretensão de deixar a pasta, mas cenário fiscal ainda preocupa

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 09h06
Atualizado 18 de agosto de 2020 | 18h26

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ampliou os ganhos no final da tarde desta terça-feira, 18, para fechar com ganho consistente de 2,48%, aos 102.065,35 pontos, apoiada pela permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no governo, após declaração feita na última segunda. O clima de bom humor também ajudou o câmbio e fez o dólar fechar com queda de 0,55%, a R$ 5,4666.

O "fico" de Paulo Guedes e o reiterado compromisso do presidente Jair Bolsonaro com o teto de gastos gerou alívio no mercado hoje. Na última segunda-feira, 17, o ministro da Economia disse que nenhum dos atos dos últimos dias conseguiu abalar a confiança que existe entre ele e Bolsonaro. Guedes também disse que em "momentos decisivos", o presidente sempre o apoiou.

"Até aqui, tudo bem, mas será preciso monitorar esta situação, semana a semana. O Guedes tem também um papel pedagógico, de contenção fiscal, e disputas sobre gastos são naturais em qualquer governo, em qualquer lugar. O que não pode ocorrer é permitir que se caia naquela definição de insanidade: imaginar que, ao se fazer a mesma coisa, é possível obter resultado diferente", diz Marcelo Audi, sócio-gestor da Cardinal Partners, referindo-se a erros da história recente do País, em que soluções de curto prazo acabaram comprometendo a perspectiva econômica em horizonte mais amplo.

Contudo, ainda há certa desconfiança em como fica a agenda liberal do governo, após a debandada da equipe econômica. Segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Vedha Investimentos, o mercado está vendo que está mais distante o sonho de aplicação da política liberal no Brasil. "No âmago, o presidente não tem essa vertente e a todo momento ele dá indícios de que está flertando com a ala desenvolvimentista do governo. Ele provou do aumento de popularidade e gostou. E como os programas vão entrar no Orçamento, é onde entra o conflito com Guedes".

Hoje no Ibovespa, o principal índice de ações do mercado brasileiro, a divulgação de balanço trimestral deu ganho de 9,61% ao Magazine Luiza, seguido pela alta de 8,34% do BTG e de 8,15% Via Varejo. Entre as commodities, Vale subiu 1,33% e Petrobrás ON e PN subiram 1,50% e 1,86% cada - o resultado veio descolado dos contratos futuros do petróleo, onde  WTI para outubro encerrou com baixa de 0,12%, a US$ 43,12 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 0,20%, a US$ 45,46.

As ações de siderúrgicas estiveram entre as maiores ganhadoras do dia: Gerdau PN subiu 8,15%, Usiminas saltou 6,78% e CSN teve ganho de 6,31%. Com o resultados de hoje, o Ibovespa acumula  ganho de 0,70% na semana, mas ainda cede 0,82% no mês e recua 11,74% no ano.

Câmbio

Durante o dia de negócios, a divisa americana chegou a oscilar na casa dos R$ 5,5163 com um resquício de temor fiscal, marcando a máxima do dia, mas a desvalorização do ativo no exterior, somada a uma melhora do cenário fiscal e político do País, ajudaram a moeda a acalmar os ânimos. 

"O real está com dificuldade de se recuperar na mesma velocidade dos outros ativos, pois está sendo usado como seguro, já que está muito barato, e há pouca perspectiva de apreciação", diz Sérgio Zanini, head de gestão e sócio da Galapagos Capital. 

"Assim como muitas moedas de países emergentes, o real está com um cenário complicado e dificuldade de performar na comparação com as divisas do G-10, onde o dólar segue perdendo valor", afirma Zanini, complementando que o índice DXY, que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes, está caindo 4% no ano.

Aliás, esta baixa global do dólar sustentou a alta do contrato futuro do ouro no exterior. Hoje, a onça-troy do metal precioso para dezembro subiu para US$ 2.013,10, uma alta de 0,72%. Ainda hoje, o dólar para setembro encerrou com queda de 0,73%, a R$ 5,4710.

Bolsas do exterior

Em Nova York, o temor com o coronavírus segurou os ganhos do Dow Jones, que fechou com queda de 0,24%. No entanto, apoiados novamente na alta das ações de tecnologia, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,23% e 0,73% cada, renovando mínimas históricas. No pregão de hoje, Netflix subiu 1,97% e a Alphabet, controladora do Google, 2,61%. No setor de consumo discricionário, só Amazon conseguiu avançar 4,09%. 

As tensões entre EUA-China continuaram no radar dos asiáticos e os índices ficaram sem sinal único. O sul-coreano Kospi caiu 2,46%, enquanto o japonês Nikkei cedeu 0,20% e o Taiex recuou 0,65% em Taiwan. Já os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram apenas 0,36% e 0,49% cada e o Hang Seng teve alta marginal de 0,08% em Hong KongNa Bolsa australiana, o ganho foi de 0,77%.

O aumento de casos do coronavírus pesa no velho continente, que ainda observa atento o impasse pela aprovação de novos estímulos nos Estados Unidos e o impasse entre as duas maiores potências do mundo - com isso, o Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,56%. Londres caiu 0,83%, Frankfurt teve baixa de 0,30% e Paris cedeu 0,68%. Já Milão, Madri e Lisboa recuaram 0,52%, 0,66% e 0,62% cada./LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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