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Bolsa fecha em queda de 1% e dólar sobe a R$ 5,33 com preocupação sobre a covid-19

Há duas semanas, os Estados Unidos confirmam mais de 100 mil casos da doença todos os dias; com queda das Bolsas de Nova York, a B3 aproveitou também para realizar lucros

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 09h06
Atualizado 18 de novembro de 2020 | 18h59

O avanço desgovernado da covid-19 nos Estados Unidos segurou os ganhos do mercado acionário de Nova York nesta quarta-feira, 18, que deixou de lado o otimismo em relação ao desenvolvimento de uma vacina para o vírus. Com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, acabou por realizar lucros e fechou em forte queda de 1,05%, aos 106.119,09 pontos. No câmbio, o real foi menos afetado, mas ainda assim o dólar encerrou com leve alta de 0,13%, a R$ 5,3376.

Há duas semanas, os Estados Unidos confirmam mais de 100 mil casos da doença todos os dias. Na Califórnia, o estado mais populoso, o volume de diagnósticos dobrou em apenas 10 dias. Segundo a imprensa americana, o governador californiano, Gavin Newson, estuda impor novas restrições a interações sociais para conter a disseminação do vírus. No final do dia, a cidade de Nova York anunciou um novo fechamento de escolas devido à pandemia.

Com isso, ficou em segundo o plano o anúncio da Pfizer de que sua vacina experimental com a BioNTech, se mostrou 95% eficaz nos resultados finais dos testes da fase 3 animou os investidores europeus. Em resposta, Dow Jones S&P 500 caíram ambos 1,16% cada, enquanto o Nasdaq teve baixa de 0,82%. 

Porém, apesar da queda puxada pela baixa em Nova York, a sequência desta semana, com o Ibovespa acima dos 106 mil nas últimas três sessões, é a melhor desde que o índice passou abruptamente dos 113.681,42 pontos, na sexta-feira pré-carnaval, para 105.718,29 pontos na quarta-feira de cinzas, quando, com perda de 7% naquele dia, o novo coronavírus assumiu o protagonismo de 2020. Na semana, o Ibovespa ainda acumula ganho de 1,33%, em alta de 12,95% em novembro, que coloca as perdas do ano a 8,24%.

"Como o movimento foi bastante forte, é normal que aconteçam algumas realizações. O importante é a Bolsa não perder o suporte de 102-103 mil pontos ou até mesmo os 100 mil pontos. No momento, o que aponta a análise gráfica é que podemos chegar aos 116 mil pontos e mesmo aos 120 mil pontos", diz Fernando Góes, analista técnico da Clear.

O movimento de realização antingiu as ações da Petrobrás, que se mantinham em terreno positivo nesta quarta-feira, mas ao final a PN mostrava perda de 0,59%, com a ON em leve alta de 0,12% no fechamento, enquanto Vale ON cedia 0,78%. O setor bancário também caiu, com exceção do Banco do Brasil ON, em alta de 0,23% no fechamento de hoje.

No Brasil, passado o segundo turno das eleições municipais, a expectativa se voltará nas próximas semanas não apenas para as definições fiscais sobre o próximo ano, quanto ao Orçamento e o Renda Cidadã, mas também para a evolução da pandemia, que tem dado sinais de retomada após semanas de queda sustentada nas médias móveis. O recente repique da covid-19 desperta temores de que o País precisará seguir o caminho observado na Europa e em menor medida nos EUA, com a retomada do distanciamento social. 

Câmbio

O dólar chegou perto do registrar o quarto dia seguido de queda, mas na reta final dos negócios, com a piora externa em meio a renovadas preocupações com disseminação do coronavírus nos Estados Unidos, passou a subir e fechou em leve alta. Mesmo assim, ainda acumula baixa de 7% em novembro A volta do fluxo externo, após meses de escassez, e a promessa do Banco Central de intervir no mercado na reta final de 2020, caso o mercado demande recursos, ajudaram o dólar a cair abaixo de R$ 5,30 hoje, em sessão que acabou sendo marcada por volatilidade. Operadores seguem ressaltando que o risco fiscal é o principal limitador de uma melhora mais forte do real.

O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, comenta que havia três fontes de incerteza para o cenário de 2021: eleições americanas, vacina para a covid e o ajuste fiscal brasileiro. As duas primeiras se reduziram, o que tem ajudado a levar volume importante de capital para os emergentes nos últimos dias. "Imagina uma segunda onda de covid sem a perspectiva de uma vacina em breve?", questiona o economista, ressaltando que neste caso o dólar poderia estar de volta aos R$ 5,60. 

Se as duas primeiras incertezas diminuíram, no caso do Brasil, o cenário fiscal permanece sem avanço, o que limita a queda do dólar e deixa o câmbio volátil, ressalta Velloni. Para o economista, o dólar mais justo para os atuais fundamentos brasileiros seria entre R$ 4,80 e R$ 5,20. Mas ele acredita que só com o ajuste fiscal andando a moeda tem força para cair mais. Ao mesmo tempo há certo alívio no mercado com a atuação do Banco Central, que sinalizou que pode ser mais agressivo.

Por enquanto, ao contrário, o mercado tem recebido uma enxurrada de dólares do exterior, com investidores procurando ganhos nos emergentes. Dados do BC mostram que somente na semana entre 9 e 13 deste mês entraram US$ 4,908 bilhões pelo canal financeiro. No mês, as entradas por este canal somam US$ 6,163 bilhões. "Este dinheiro pode sair rápido como entrou", alerta Velloni, da Frente Corretora, sobre a necessidade de avançar com as reformas.

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