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Bolsa fecha em queda e dólar fica a R$ 5,08 após dia negativo em Nova York

Além disso, o mercado também monitorou o impasse em torno do pagamento do 13º do Bolsa Família, que pode causar forte impacto nas contas públicas do País

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 09h08
Atualizado 18 de dezembro de 2020 | 19h02

Apesar de romper os 119 mil pontos mais cedo, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, virou o sinal e fechou com queda de 0,32%, aos 118.023,67 pontos nesta sexta-feira, 18, em linha com a queda do mercado acionário de Nova York e um movimento de realização de lucros. Por aqui, o cenário fiscal ditou o tom dos negócios, após um impasse entre governo e Congresso sobre o pagamento do 13º do Bolsa Família. Nesse cenário, o dólar fechou com alta de 0,08%, a R$ 5,0829.

Apesar do resultado negativo, o Ibovespa ainda teve avanço de 2,52% ante a sexta-feira passada - uma semana em que zerou as perdas do ano e flertou com os maiores níveis nominais da história. Mais uma vez, o sentimento geral que trouxe o Ibovespa à sétima semana de ganhos se fez presente em boa parte da sessão. A confiança na recuperação do crescimento global fez disparar os preços de commodities, em um cenário em que também a liquidez global alimenta a procura por ativos de risco.

Os destaques de alta do dia, mesmo com o índice indo ao vermelho ao final, foram os papéis de Vale, com 0,69% e das siderúrgicas CSN, com 3,33%, Gerdau, com 1,76% e Usiminas, com 4,96%.

Mas a pressão externa acabou fazendo o índice reverter a tendência do intradia, com destaque à queda de 4,04% da Gol. Em Nova York, um movimento técnico, por conta do quadruple witching, o vencimento simultâneo de quatro tipos diferentes de contratos futuros ligados a ações, puxou a fila da realização de lucros. Essa pressão para embolso dos ganhos recentes pesou na hora final da sessão. Hoje, Dow Jones teve baixa de 0,38%, o S&P 500 cedeu 0,34% e o Nasdaq

O investidor também monitora o desenrolar da tensão política em Brasília, neste dezembro atípico de movimentações no Congresso por causa das disputas para presidência da Câmara e do Senado. A crise entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o Planalto em torno do 13º para o Bolsa Família foi mais um capítulo desta novela, que tende a se arrastar ao longo do mês de janeiro. Sobre o tema, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que não enviou uma proposta para o pagamento do 13º do Bolsa Família, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade fiscal

"Não adianta termos o receituário do Executivo (de reformas) se não tivermos a contrapartida do Legislativo. A receita existe para ser colocada em prática", pontua a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, lembrando a agenda de ajuste fiscal que os próximos presidentes de Câmara e Senado terão de enfrentar.

Câmbio

O dólar encerrou a última semana cheia de 2020 acumulando alta de 0,73%. A valorização interrompeu uma sequências de quatro semanas consecutivas de queda da moeda americana ante o real, movimento que repetiu no mercado doméstico o enfraquecimento da divisa dos Estados Unidos no exterior, para as mínimas em dois anos e meio. O fluxo externo ao Brasil não deu mostras de perder fôlego e fez o dólar cair para R$ 5,01 mínima dos últimos dias, mas o risco fiscal, ruídos políticos e a maior demanda por dólares à vista, comuns nos últimos dias de cada ano, acabaram limitando a melhora do real. Em dezembro, o dólar acumula baixa de 5%.

Para ele, as moedas emergentes, mesmo com a boa recuperação recente, ainda têm espaço para mais valorização, mas o Brasil tem uma série de problemas domésticos a serem resolvidos. A Capital Economics projeta o dólar a R$ 5,00 ao final de 2021 e é o avanço do ajuste fiscal um dos principais fatores a sinalizar se a divisa cai abaixo desse nível. Como ressaltam os estrategistas da BlueLine Asset Management, "as iniciativas na direção de reformas estruturais foram definitivamente empurradas para 2021".

Após cair ontem ao menor nível desde abril de 2018, o dólar hoje se recuperou no exterior e subiu ante divisas fortes e emergente. Mas o movimento é encarado apenas como um ajuste pontual, enquanto os investidores aguardam por estímulos fiscais em Washington. Hoje, o dólar para janeiro fechou com alta de 0,86%, a R$ 5,1005./ MATEUS FAGUNDES, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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