Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar fecha em queda de 1,5% com decisão do BC de subir a Selic; Bolsa sobe 1,2%

Com queda do petróleo e tensão no mercado de títulos públicos dos EUA, moeda americana conseguiu precificar apensas hoje a decisão tomada na última quarta

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 09h30
Atualizado 19 de março de 2021 | 18h35

A decisão do Banco Central de subir os juros em ritmo mais forte, ofuscada ontem pelo exterior negativo, acabou tendo mais impacto no mercado de câmbio nesta sexta-feira, 19, com o ambiente externo mais ameno. O dólar hoje fechou em queda de  1,51%, a R$ 5,4853. Sem o petróleo para afetar os negócios, a Bolsa brasileira (B3) também se recuperou e avançou 1,21%, aos 116.221,58 pontos .

Com o desempenho de hoje, o dólar acumula queda de 1,34% na semana, a segunda consecutiva de baixas. Mas no ano ainda sobe 5,7%. Hoje, o dólar para abril fechou em queda de 1,25%, a R$ 5,4940.

O efeito da surpresa com o Copom foi sentido ontem apenas na abertura do pregão, pois os rendimentos dos títulos do Tesouro americano passaram a subir e diluíram o impacto no real, observa o Cleber Alessie, da corretora Commcor. Hoje, passada a piora externa da quinta-feira, os ativos domésticos, especialmente o real, encontram espaço para precificar o Copom surpreendentemente pró-juros mais altos. Na curva de juros futuras, os investidores já embutem chance de corte de até 1 ponto porcentual em maio. Este efeito mais forte da perspectiva de altas de juros tende a ser limitado pela frente se o Congresso não andar com a agenda de reformas, alerta Alessie.

A economista-chefe da Armos Capital, Andrea Damico, destaca que a surpresa com o Copom e as intervenções extraordinárias do BC ajudaram o real ter um desempenho um pouco melhor que seus pares, mas esta situação pode não perdurar. "O agravamento da pandemia e o elevado risco fiscal percebido continuam pesando sobre a moeda", alerta em sua carta semanal.

Esta semana, a perspectiva de juros maiores no Brasil e as intervenções do BC levaram os estrangeiros a praticamente zerar ontem a aposta comprada em dólar futuro na B3, que ganham com a valorização do dólar. Elas saíram de 61,5 mil contratos na sexta-feira passada para apenas 1,2 mil ontem, uma redução equivalente a US$ 3 bilhões em uma semana, de acordo com dados da B3 monitorados pela Renascença.

A consultoria internacional TS Lombard elevou a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, de 4% para 5% ao final deste ano. Para o economista responsável por Brasil da TS, Wilson Ferrarezi, a visão é que o Banco Central quer agir de forma mais agressiva agora na elevação dos juros para evitar ter que ser forçado a fazer isso de forma ainda mais forte lá na frente, comenta em relatório.

Para Ferrarezi, a pressão inflacionária gerada pela disparada do dólar está por trás das recentes intervenções extraordinárias do BC no câmbio, mesmo em dias que o real estava ganhando força. Como o temor de mais medidas populistas de Jair Bolsonaro está ajudando a impedir melhora mais forte do real, Ferrarezi avalia que o BC resolveu ser mais agressivo em suas elevações de juros, buscando segurar o dólar.

Bolsa

A correção do dólar, mais forte do que na sessão pós-Copom, contribuiu nesta sexta-feira para que o Ibovespa se descolasse do dia misto em Nova York e se firmasse mais uma vez acima dos 116 mil pontos no fechamento, acumulando ganho de 1,81% na semana, após perda de 0,90% na anterior. No mês, sobe 5,62%, limitando as perdas do ano a 2,35%.

Em Nova York, o apetite por risco foi "atingido por um golpe duplo": a linha-dura adotada pelo secretário de Estado, Antony Blinken, em sua primeira reunião com a China e a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de encerrar programa de emergência para bancos durante a pandemia. Assim, o desempenho dos três índices de referência foi tímido nesta sexta-feira, com o Dow Jones em baixa de 0,71%, o S&P 500 em recuo de 0,06% e o Nasdaq em alta de 0,76%.

Por aqui, a assinatura de contrato entre o governo federal e os laboratórios Pfizer e Janssen para a compra de 138 milhões de doses de vacinas contribui para melhorar a visão sobre a pandemia, ainda em seu pior momento no País, e agora com a União questionando Estados no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre medidas de distanciamento social.

A reação do mercado ao anúncio de mais vacinas foi perceptível em ações de setores diretamente atingidos pelas medidas restritivas, como o de shoppings, com BR Malls em alta de 6,10%, Multiplan, de 4,98%, e Iguatemi, de 4,99%, enquanto as de outras empresas ligadas à mobilidade, como CVC, em alta de 6,85%, também avançaram. Após o tombo do dia anterior, quando os contratos futuros do petróleo cederam mais de 8%, a commodity teve recuperação parcial, acima de 2%, o que deu suporte a Petrobrás PN e ON, em altas de 3,27% e 2,39% cada.

O movimento de alta favoreceu ainda Banco do Brasil, em alta de 0,69%, mesmo após o atual presidente André Brandão ter renunciado ao cargo no dia anterior./ ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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