Leah Millis/Reuters
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Bolsa cai 0,3% e dólar sobe 1,2% após BC dos EUA indicar aperto das medidas de estímulos

Em ata, dirigentes do Federal Reserve sugerem diminuir o programa de compra de títulos públicos, mas descartam alterações mais bruscas, como a elevação dos juros

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2021 | 14h31
Atualizado 19 de maio de 2021 | 18h50

A Bolsa brasileira (B3) rompeu uma sequência de quatro altas seguidas nesta quarta-feira, 19, para fechar em leve queda de 0,28%, aos 122.636,30 pontos , após a ata Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostrar os dirigentes mais abertos a discutir o aperto de algumas das medidas de estímulos adotadas na pandemia. No câmbio, o dólar também foi pressionado e subiu 1,17%, a R$ 5,3158.

Na ata, o reconhecimento, na visão de "alguns" do colegiado, de que o BC americano pode iniciar nas próximas reuniões um debate sobre o afrouxamento do programa de compra de títulos públicos, colocou os rendimentos dos papéis do Tesouro dos Estados Unidos nas máximas da sessão. Os papéis com vencimento para dez e trinta anos subiram 1,67% e 2,37% cada. Os índices acionários são os maiores afetados pela alta desses ativos que, por serem mais seguros, podem promover uma debandada de recursos.

"A sinalização de que o Fed pode diminuir o ritmo de compra de ativos gerou um efeito de realização nos mercados, que também chegou por aqui", diz Júlia Aquino, especialista da Rico Investimentos. Ainda que cercado de ressalvas, o início das discussões sobre o tema contribui para cautela dos investidores, na medida em que, desde a última reunião do Fed, apenas o presidente da distrital de Dallas, Robert Kaplan, havia apontado publicamente a necessidade de discutir uma redução nos estímulos. Em Nova York, os índices também caíram.

A consultoria inglesa Oxford Economics prevê que o Fed vai oficialmente anunciar seus planos para reduzir as compras mensais de ativos em agosto, durante o simpósio anual de Jackson Hole, organizado pelo próprio BC americano e que tradicionalmente é aberto com discurso do presidente da instituição. O simpósio já foi usado no passado recente para anunciar mudanças da política monetária. Para a economista-chefe para os EUA da Oxford, Kathy Bostjancic, a redução das compras deve começar no início de 2022. Já a elevação dos juros deve começar no início de 2023. 

No entanto, a entidade voltou a reforçar a importância da sua política de estímulos, como os juros baixos, alegando que a economia dos EUA já se recupera da crise, com o apoio da vacinação, mas que essa retomada ainda se dá de forma desigual. Além disso, o Fed ressaltou que vai esperar atingir as metas de inflação e emprego antes de fazer algum tipo de mudança e voltou a classificar a alta dos índices inflacionários americanos como "trasitória".

Entre os setores do Ibovespa, os papéis de mineração e siderurgia voltaram a pesar sobre o índice, em resposta à queda nas cotações do aço e do minério de ferro na China, aliviadas do "receio de restrições adicionais a siderúrgicas no país, que poderiam levar a cortes de produção" no segmento, observa a analista Paloma Brum, da Toro Investimentos, chamando atenção também para a "expectativa de desaceleração de atividades de construção em meio à proximidade da chegada da estação de chuvas (na Ásia)."

Assim, CSN ON segurou a ponta negativa do Ibovespa na sessão, em baixa de 3,98%, superada apenas por Cyrela, em queda de 4,03%. Vale ON fechou o dia em baixa de 2,05%. No lado oposto, Cemig fechou em alta de 5,07%, BRF, de 4,56%, e Eletrobrás ON, de 4,17% - hoje, a Câmara deve votar a MP que pode destravar a privatização da estatal. Na semana, o índice da B3 avança 0,62% e, no mês, 3,15% - no ano o ganho está agora em 3,04%.

Câmbio

O dólar teve um dia instável, chegando a subir pela manhã, em meio ao ambiente mais adverso a risco hoje no mercado internacional com preços do bitcoin despencando, mas voltou a subir com a ata do Fed. Em resposta, o real, que vinha tendo o melhor desempenho recente ante o dólar, hoje foi a moeda que mais perdeu força no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas. A moeda para junho fechou  alta de 0,90%, aos R$ 5,3150,

Com a influência do exterior prevalecendo hoje no câmbio, os eventos domésticos foram apenas monitorados, mas reforçaram a visão de cautela com Brasília, incluindo o depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na CPI da covid no Senado, e a operação da Polícia Federal contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, envolvendo denúncias de exportação de madeira.

Como ressalta um gestor carioca, estes eventos não foram determinantes para os preço hoje no câmbio, mas adicionam ingredientes para piorar o ambiente político em Brasília, com potencial de trazer volatilidade pela frente. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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