Leah Millis/Reuters
Leah Millis/Reuters

Com alerta do Fed sobre economia dos EUA, Bolsa fecha em queda de 1,2%; dólar fica a R$ 5,53

Em ata, banco central americano apontou para uma recuperação menos robusta do PIB dos EUA e também mencionou a desaceleração do ritmo de melhora do mercado de trabalho

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2020 | 09h04
Atualizado 19 de agosto de 2020 | 18h30

A divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na tarde desta quarta-feira, 19, aumentou o sentimento de aversão aos riscos do mercado e derrubou os ganhos da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou com baixa de 1,19% aos 100.853,72 pontos. No documento, o órgão mostrou preocupação com a estabilidade financeira dos Estados Unidos e com o mercado. A informação pesou também sobre o dólar, que já afetado pelo cenário fiscal do País, saltou a R$ 5,5302, uma alta de 1,16%.

"A recuperação do PIB deve ser menos robusta do que o previsto anteriormente", disse o documento do Federal Reserve, que ainda alertou para o risco da inflação no longo prazo dos Estados Unidos ficar abaixo da meta de 2%. Nesse sentido, o órgão descreveu ainda que houve debate sobre mudanças na estratégia de política monetária. De acordo com o Fed, a estratégia de controle de juros é uma opção a ser reavaliada, uma vez que teria um benefício modesto neste momento.

Em outro ponto do documento, os dirigentes do Fed alertam para a desaceleração do ritmo de melhora do mercado de trabalho. "O número crescente de casos de coronavírus em muitas partes do país levou a atrasos na reabertura de empresas e também à retomada de fechamentos", diz o texto. Uma melhora mais consistente viria apenas com a reabertura ampla e sustentada, o que "dependeria em grande parte da eficácia das medidas de saúde tomadas para limitar a propagação do coronavírus", aponta o órgão.

Nesse cenário o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, perdeu o patamar dos 102 mil pontos conquistados no pregão da última terça-feira, 18. Ele caiu aos 100.800,41 pontos na mínima da sessão, saindo de máxima a 102.333,79, pela manhã. Com os resultados de hoje, a Bolsa cede 0,49% na semana, com perdas de 2% no e de 12,79% no ano.

Com a pressão do Fed também sobre o dólar, as mais favorecidas na B3 hoje foram as exportadoras como Marfrig e JBS, que tiveram alta de 5,97% e 3,14% cada. Na ponta oposta, Cogna cedeu 5,46% e Sabesp caiu 5,04%. Entre as commodities, Vale caiu 1,06% e Petrobrás On e Pn cederam 0,42% e 0,56% cada - o resultado vem em sintonia com os contratos futuros de petróleo: hoje, o WTI para outubro caiu 0,02%, enquanto o Brent para o mesmo mês recuou 0,20%.

Câmbio

Pressionado desde a manhã por um movimento de desconfiança em relação à política fiscal, o dólar saltou de R$ 5,4354 na mínima do dia, para R$ 5,5380 na máxima, após o tom mais pessimista do Fed. Com isso, o dólar ganhou força ante o real (e também outros emergentes). Para aliviar a tensão, o Banco Central brasileiro chegou a intervir por meio da venda de 10 mil contratos, avaliados em US$ 500 milhões em dinheiro novo, mas o alívio foi apenas pontual. 

"A recuperação [dos EUA] que acreditavam que seria mais rápida não será. Nesse contexto, as taxas de juros mais longas começam a subir, e como o refúgio está ainda em títulos americanos, isso tira moeda do Brasil. Investidor não entra aqui porque não tem benefício com juro baixo. Estrangeiro vende bolsa e pressiona o câmbio", disse Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil.

Por aqui, o dólar para setembro também fechou em alta de 1,63%, a R$ 5,5600.

Bolsas do exterior

O tom mais pessimista do Fed também pesou nas Bolsas de Nova York, que fecharam em queda generalizada. Dow Jones caiu 0,31%, S&P 500 cedeu 0,44% e Nasdaq recuou 0,57%. No entanto, apesar das baixas, o dia foi de novo recorde nos Estados Unidos. Hoje, a gigante Apple fez história novamente, ao ser a primeira empresa avaliada em US$ 2 trilhões em valor de mercado, com o preço da ação valendo US$ 467,63 no Nasdaq.

O dia foi de cautela também em outros mercados. Na Ásia, o aumento de casos da covid-19 pesou e os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto cederam 1,24% e 1,95% cada, enquanto o Hang Seng se desvalorizou 0,74% em Hong Kong e o Taiex caiu 0,73% em TaiwanMas alguns ganhos foram registrados: o japonês Nikkei subiu 0,26%, o sul-coreano Kospi avançou 0,52% e a Bolsa australiana teve alta de 0,72%.

Já na Europa, o tom positivo prevaleceu em grande parte pela alta do setor financeiro nos mercados da região, apesar do temor com o coronavírus continuar no radar. Por lá, o Stoxx 600 subiu 0,65%, enquanto a Bolsa de Londres avançou 0,58%, a de Frankfurt ganhou 0,74% e a de Paris teve alta de 0,79%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 1,06%, 0,72% e 0,01% cada.

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