Reuters
Reuters

Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Bolsa fecha em leve alta e dólar fica a R$ 5,60 com impasse por estímulos nos EUA

Discordâncias na 'linguagem' para a aprovação de novas medidas de incentivo nos EUA, que não devem sair antes da eleição, segurou os ganhos do mercado nesta segunda

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2020 | 09h10
Atualizado 19 de outubro de 2020 | 18h05

Após a forte alta vista pela manhã, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou esta segunda-feira, 19, com leve ganho de 0,35%, aos 98.657,65 pontos, em dia de vencimento de opções sobre ações. Além disso, pesou principalmente nos negócios o impasse por novos estímulos nos EUA, que não devem sair antes da eleição de 3 de novembro. A preocupação derrubou os lucros de Nova York e também pesou no dólar, que após cair ao patamar de R$ 5,58, fechou a R$ 5,6032, uma queda de 0,71%.

Segundo a Bloomberg, em uma conversa telefônica com a bancada democrata no Congresso dos Estados Unidos, a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, falou em progressos nas negociações com o governo por uma nova rodada de estímulos fiscais, de acordo com fontes. No entanto, a deputada também disse que os dois lados ainda têm diferenças a resolver, incluindo na linguagem da legislação sobre o programa de testes para o coronavírus.

 

Vale lembrar que no último domingo, 18, Pelosi deu um prazo de 48 horas para que um acordo seja alcançado e demonstrou otimismo. No entanto, o impasse fez crescer o temor de que talvez novas medidas de incentivo não sejam aprovadas antes da eleição presidencial de 3 de novembro. No mercado acionário americano, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 fecharam com baixas de 1,44%, 1,63% e 1,65% cada. 

"Havia muito entusiasmo pela manhã, com a possibilidade de avanço em relação ao pacote fiscal nos EUA, mas Pelosi mais uma vez jogou um balde de água fria. E, aqui, há uma bomba armada para depois das eleições  municipais, que é a definição sobre o Renda Cidadã", diz Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.

Ele chama atenção para dois sinais recentes que considera negativos para o cenário doméstico: a indicação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que aceita a prorrogação do auxílio emergencial a 2021 desde que não fure o teto de gastos e a retomada de imposto semelhante à CPMF na agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes. "O Maia parece ter aberto uma brecha, antes parecia mais determinado a não transigir."

"As falas de Maia e Guedes foram positivas na medida em que reiteram o compromisso com o teto de gastos. Sabemos que a palavra final será de Bolsonaro e há pouca margem dentro do Orçamento, em termos de remanejamento, para que se viabilize o auxílio dentro do teto", diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos.

Antes da queda em Nova York, o Ibovespa subia aos 99,9 mil pontos na máxima do dia - reaproximando-se dos 100 mil pontos -, apoiado pela fala de Guedes. Com o resultado de hoje, a Bolsa tem ganho de 4,29% no mês, com perdas de 14,69% ao ano. As ações de commodities e bancos, que sustentavam os ganhos do índice mais cedo, limitaram o avanço, com a piora nos EUA. Petrobrás ON, que subia acima de 3% mais cedo, fechou em alta de 1,09%, e a PN, de 0,98%, enquanto Vale ON caiu 0,47% no fechamento.

Entre os bancos, Bradesco PN subiu 1,38%, liderando o segmento, ao lado de BTG, com 3,73%. Na ponta negativa do Ibovespa, JBS caiu 4,57%, seguida por BRF, com 3,10% e B2W, com 3,05%. Na face oposta, Cielo subiu 6,74%, à frente de BR Malls, com 5,43% e Gol, com 4,51%.

Câmbio

O dólar reduziu o ritmo de queda perto do fechamento, voltando a encostar em R$ 5,60. Relatos pelas agências internacionais de dificuldades nas negociações em Washington sobre um pacote de estímulo fiscal trilionário, um dia antes do prazo final dado pelos democratas, ajudaram a fortalecer o dólar na tarde de hoje, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos anunciaram novas sanções à China por ligações com o Irã. No mercado doméstico, o governo brasileiro voltou a reforçar o compromisso com a responsabilidade fiscal nesta segunda-feira, o que ajudou a retirar pressão do câmbio. O real foi a moeda com melhor desempenho no mercado internacional nesta segunda-feira, considerando as 34 divisas mais líquidas.

Apesar da euforia inicial em Wall Street com a proposta de Pelosi, o clima entre os analistas políticos é de ceticismo sobre as chances de aprovação antes das eleições. "Alguns têm esperança, mas achamos que o pacote de estímulo continua morto", avaliam os estrategistas de moedas do banco americano Brown Brothers Harriman (BBH).

Neste ambiente, o índice DXY, que mede o dólar ante divisas fortes, chegou a cair para 93,214 pontos na mínima do dia, mas no final da tarde era negociado perto das máximas, em 93,722. Ainda hoje, o dólar para novembro fechou com queda de 0,65%, a R$ 5,6120. /LUÍS EDUARDO LEAL, MAIARA SANTIAGO E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.