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Bolsa inverte sinal e fecha em alta com a ajuda de Nova York; dólar recua a R$ 5,31

Ibovespa chegou a cair pela manhã, em sintonia com a perda no mercado americano, mas voltou a subir com a chance de novos estímulos nos EUA encerrou com ganho de 0,52%

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2020 | 09h15
Atualizado 19 de novembro de 2020 | 18h56

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, inverteu o sinal e fechou em alta de 0,52%, aos 106.669,90 pontos nesta quinta-feira, 19, em sintonia com a recuperação dos índices em Nova York no final do pregão, em um marcado pela cautela dos investidores em relação aos ativos de risco. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,44%, a R$ 5,3141. Hoje, favoreceu os ativos no final do pregão a possibilidade de um novo pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos.

O quadro de fundo permanece dividido entre os resultados promissores na reta final de desenvolvimento de vacinas e os sinais de recrudescimento da pandemia, inclusive no Brasil. Por aqui, o afastamento da diretoria da Aneel e do Operador Nacional do Sistema (ONS), determinado por um juiz em razão do apagão no Amapá, pressionou as ações do segmento, em dia positivo para commodities, siderurgia e, ao final, também para bancos. No encerramento, o ajuste negativo nas elétricas se mostrou bem moderado, chegando a 1,04% para Eletrobrás ON.

Apesar do ânimo proporcionado pela eficácia apontada em diferentes opções de vacina, a percepção é de que há questões complexas de produção e logística a serem enfrentadas para se disponibilizar os imunizantes em massa, globalmente. Os sinais são cada vez mais claros de que haverá um gradualismo na aplicação da vacina, favorecendo grupos que sejam priorizados pelas autoridades de saúde. Assim, o panorama de recuperação da atividade, que já começava a se desenhar para o primeiro trimestre, com o aguardado início da normalização da vida social, tende a sofrer algum atraso.

O rápido crescimento dos casos de covid-19 na Europa e nos Estados Unidos pode levar a um "estresse bastante significativo" nos mercados financeiros no curto prazo, na medida em que deve provocar mais medidas de distanciamento social ou restrições à circulação de pessoas, avalia o estrategista-chefe de investimentos da Pimco, Dan Ivascyn, em vídeo a investidores divulgado nesta quinta-feira.

"Os bancos centrais vão permanecer ativos nos próximos meses, sendo que o Fed e o BCE deverão adicionar mais estímulos em dezembro, o que pode contribuir para um final de ano forte para os mercados de ações. A desvantagem óbvia é o risco de o inverno (no hemisfério norte) ser muito mais devastador do que o previsto, pelo lado da covid", contrapõe em nota o analista de mercado sênior da OANDA na Europa, Craig Erlam. Ele chama atenção para reação "decrescente" dos mercados aos mais recentes anúncios referentes a vacinas, nesta semana, como o da Moderna e a "atualização da Oxford nesta manhã".

Nesta quinta-feira, ainda entre as ações bem atrasadas no ano, Petrobrás e bancos tiveram desempenho positivo, com as ações PN e ON da petrolífera mostrando ganhos no fechamento de 1,15% e 0,91%, respectivamente, enquanto os papéis das grandes instituições financeiras, após terem operado sem direção única, encerraram com leves ganhos, de até 0,99% (BB ON). Destaque para Vale ON (+1,91%, na máxima do dia no fechamento) e, na siderurgia, para CSN (+3,41%, também no pico ao fechar). 

Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com altas de 0,15%, 0,39% e 0,87%. Por aqui, com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula alta de 1,86% na semana e, no mês, de 13,54% - as perdas do ano estão limitadas agora a 7,76%.

Câmbio

A disposição de investidores estrangeiros em aportar recursos nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, não dá sinais de perda de fôlego e o dólar voltou a cair hoje. Tesourarias de bancos contam que, além de a Bolsa estar recebendo aportes recordes, que já somam R$ 25 bilhões este mês, começaram a entrar também recursos em ritmo mais acelerado para a renda fixa. Um dos reflexos é que o dólar bateu mínimas hoje, a R$ 5,30, durante o leilão do Tesouro.

O fluxo de capital externo e ainda o alívio causado pela sinalização de atuação mais forte do Banco Central até o fim do ano seguem retirando pressão do câmbio, fazendo investidores reduzirem apostas contra o real no mercado futuro, ressaltam profissionais das mesas de operação. Hoje, o dólar para dezembro encerrou com queda de 1,09%, a R$ 5,3065.

Apesar da valorização este mês do real, com o dólar acumulando queda de 7,5% em novembro, o IIF estima que a moeda brasileira está 20% subvalorizada, enquanto a de países vizinhos - Chile e Colômbia - estão apenas 12%. Ou seja, o valor justo do dólar hoje seria ao redor de R$ 4,50. Como destaca o economista do IIF, Robin Brooks, há ainda muito prêmio de risco precificado nas cotações do câmbio brasileiro, sendo o risco fiscal um dos principais. No ano, o dólar acumula alta de 32% ante o real, a maior dos emergentes, junto com a lira turca. / LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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