Werther Santana/Estadão - 30/11/2018
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Bolsa consegue defender os 120 mil pontos e dólar sobe com exterior negativo

Fim do impasse sobre o Orçamento de 2021 animou o mercado local, mas aversão aos riscos nos índices do exterior pressionaram os ativos locais

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2021 | 15h24
Atualizado 20 de abril de 2021 | 18h43

Apesar da forte aversão aos riscos no exterior, a Bolsa brasileira (B3) conseguiu defender o patamar dos 120 mil pontos nesta terça-feira, 20, véspera do feriado de Tiradentes. Hoje, o Ibovespa encerrou em queda de 0,72%, aos 120.061,99 pontos, apoiado pelo fim do impasse em torno do Orçamento de 2021. No câmbio, o dólar também sentiu a pressão externa, mas conseguiu terminar o dia sem muita força ante o real, com ganho marginal de 0,01%, a R$ 5,5508.

Na esperada participação do ministro da Economia, Paulo Guedes na tarde de hoje na entrevista da Receita para apresentar a arrecadação de março, que veio com números fortes, o ministro disse que no acordo para o Orçamento, embora com despesas de R$ 125 bilhões fora do teto, os gastos obedecem compromisso com a saúde e com o fiscal. "Gastos recorrentes continuam sob o teto e mostram compromisso com responsabilidade fiscal", disse ele. O texto agora aguarda a sanção de Bolsonaro, que deve ser dada até o dia 22.

"O debate do Orçamento caminha para um desfecho. Se o resultado não será o pior dos mundos imaginado anteriormente, tampouco traz uma confiança grande no comprometimento com o ajuste fiscal do país", comenta o estrategista-chefe e sócio da TAG Investimentos, Dan Kawa, em sua análise diária. Ainda assim, entre alguns analistas, fica a sensação de que mais uma vez o recurso à criatividade abriu espaço para despesas ficarem fora do teto. 

O cenário nacional mais ameno, no entanto, perdeu força ante um exterior mais conturbado, com as Bolsas de Ásia, Europa e Nova York em queda, ante o avanço da covid-19 no mundo. Segundo especialistas, as altas nas internações preocupam nos Estados Unidos e no Leste Europeu, mas principalmente na Índia e no Brasil

Além disso, a cautela se intensificou no mercado de petróleo, após a aprovação na Comissão Judiciária da Câmara dos Representantes dos EUA de um projeto que deixaria países que fazem parte da Organização dos Países Exportadores  de Petróleo e aliados (Opep+) sujeitos a processos antitruste. Não há, contudo, previsão de voto no plenário da Casa. Em resposta, o barril do petróleo WTI para junho fechou em queda de 1,20%, enquanto o Brent para o mesmo mês recuou 0,71%. O movimento derrubou ainda as ações da Petrobrás, com ON e PN em quedas de 2,48% e 1,89% cada.

Hoje, após indecisão ao longo da tarde, o Ibovespa conseguiu se sustentar acima dos 120 mil pontos pelo quinto fechamento consecutivo, mesmo com o investidor optando por colocar algum dinheiro no bolso, na véspera do feriado de Tiradentes. Na semana, o índice cede 0,87%, limitando os ganhos do mês a 2,94% - no ano, ainda avança 0,88%.

Na Bolsa, o dia foi negativo para o setor de commodities e siderurgia, com Usiminas e CSN em queda de 1,63% e 1,62% cada, com a maioria das ações de bancos também em baixa, à exceção de Banco do Brasil e Santander, com ganhos de 1,62% e 0,21%, respectivamente. Na face positiva do índice, destaque para alta de 8,92% em Pão de Açúcar, seguida por Marfrig, com 4,60%), Cemig, com 3,85% e Carrefour, com 3,29%. No lado oposto, Yduqs cedeu 5,29%, Lojas Renner, 4,05%, e Gol, 3,93%.

Câmbio

O dólar chegou próximo de engatar o sexto dia seguido de queda ante o real, mas no final dos negócios o movimento perdeu força e a moeda americana acabou encerrando o dia perto da estabilidade. A mudança ocorreu refletindo comportamento semelhante da divisa americana no exterior, que passou a renovar máximas nos países desenvolvidos e em alguns emergentes, como o México, em meio a um movimento de realização de ganho após as quedas recentes e preocupações com o avanço da pandemia ao redor do mundo. O dólar para maio fechou em alta de  0,36%, aos R$ 5,5700.

Inicialmente, no câmbio, prevaleceu a avaliação de que o imbróglio sobre o Orçamento chegou ao fim, com vetos parciais, mas sem maiores rupturas e sinalizando um bom ambiente para a continuidade das reformas, destaca o diretor de tesouraria de um banco estrangeiro. Isso fez o dólar cair para R$ 5,50 na mínima do dia, testando os menores níveis em um mês e ajudando também o risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, a operar abaixo de 200 pontos, movimento que não acontecia desde final de março.

Mas este executivo pondera que ainda ficou um "risco importante" de execução do orçamento pela frente em 2021, o que gera cautela, observada hoje mais nos juros futuros e na Bolsa, em dia negativo também para ativos de risco no exterior.

Se a pandemia não der trégua, a pressão em Brasília para aumentar gastos públicos além do teto vai persistir, a menos que as taxas de aprovação de Bolsonaro melhorem, avaliam os economistas do Citi nesta terça-feira. O banco americano vê despesas superando o teto de gastos este ano em R$ 158 bilhões, o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa anterior do Citi era que o rombo ficasse em 1%, ou R$ 75 bilhões, mas o número ficou ultrapassado. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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