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Bolsa fecha em forte alta, aos 104 mil pontos; dólar recua a R$ 5,34

Resultados positivos das vacinas contra o coronavírus, somado a alta das ações das empresas de varejo e telefonia, redobrou o ânimo do mercado

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 09h02
Atualizado 20 de julho de 2020 | 21h25

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em alta firme pela quinta vez seguida nesta segunda-feira, 20, de 1,49% aos 104.426,37 pontos, apoiada pelo otimismo frente ao avanço das vacinas contra o coronavírus e também pelas evidências do andamento da agenda liberal do ministro Paulo Guedes. Esse é o melhor resultado para o fim de um pregão desde 4 de março. Com o cenário mais favorável, o dólar também deu sinais de alívio e recuou frente ao real, encerrando com queda de 0,72%, a R$ 5,3417.

Deu novo fôlego aos principais índices do exterior, a notícia de que a vacina estudada pela Universidade de Oxford produziu resposta imune em voluntários contra a covid-19, além de não ter causado nenhum efeito colateral grave. Além disso, a vacina chinesa contra a covid-19 também mostrou resultados satisfatórios e causou forte reação de anticorpos na maior parte dos testados, assim como a da Pfizer e a BioNTech.

Já em desdobramento positivo anunciado nesta tarde, o presidente do Conselho da União Europeia, Charles Michel, disse que apresentará nova proposta para a criação do fundo de recuperação do bloco econômico, após o impasse que marcou a reunião de cúpula dos 27 líderes da UE no fim de semana em Bruxelas. A medida é altamente esperada, pois pode liberar até 1,8 trilhão de euro aos países do bloco. 

A informação deu ainda novo impulso ao Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, que já era apoiado pelo ganho das varejistas Via Varejo e Magazine Luiza, de 7,35% e 6,10% cada, e também pelas empresas de telefonia, em especial Tim e Telefônica Brasil, com alta de 7,35% e 5,99% cada, após elas se unirem com a Claro para apresentar uma proposta de aquisição do móvel do Grupo Oi. 

Com os resultados de hoje, a Bolsa agora acumula ganho de 9,86% no mês e limita as perdas para a casa de um dígito, com recuo de 9,70%.

Câmbio

O real teve o melhor desempenho hoje, em uma cesta de 34 divisas internacionais, em meio ao otimismo com o avanço da vacina para o coronavírus e a criação de um fundo trilionário na Europa. Após uma manhã volátil, a moeda americana firmou queda nos negócios da tarde, sobretudo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que uma vacina sairá "muito em breve".

Ainda na sessão de hoje, o dólar para agosto fechou com baixa de 0,89%, a R$ 5,3400. Nas casas de câmbio, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, o dólar turismo é cotado a R$ 5,60.

Bolsas do exterior

A movimentação no exterior ficou por conta do avanço das vacinas contra o vírus e pela possível aprovação do pacote trilionário da União Europeia. Ainda nesse cenário, deve continuar no radar a possível reunião do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, com  lideranças democratas no Congresso americano na terça-feira, 21, para tratar de uma nova rodada de estímulos fiscais para atenuar a crise econômica provocada pelo coronavírus.

Na expectativa de que o pacote seja aprovado, as Bolsas da Ásia fecharam sem sinal único. Os chineses Xangai Composto Shenzhen Composto tiveram ganhos sólidos, de 3,11% e 2,68% cada, mas o japonês Nikkei teve alta marginal de 0,09%. Já o Hang Seng caiu 0,12% em Hong Kong, a 25.057,99 pontos, o sul-coreano Kospi recuou 0,14% em Seul, a 2.198,20 pontos, e o Taiex registrou ligeira perda de 0,06% em Taiwan, a 12.174,54 pontos. Na Oceania, a Bolsa australiana ficou no vermelho e caiu 0,53%.

Na Europa, centro do impasse do acoro trilionário da UE, os índices também fecharam sem sinal único, mas o Stoxx 600 encerrou com alta de 0,75%. A Bolsa de Londres teve baixa de 0,46%, mas a de Frankfurt, avançou 0,99% e a de Paris subiu 0,47%. Já os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,99%, 1,20% e 0,51%.

O clima também foi favorável nas Bolsas de Nova York, que ficam na espera de um possível novo acordo também nos EUA. Com isso, o Dow Jones encerrou com ganho de 0,03%, o S&P 500 avançou 0,84% e o Nasdaq se valorizou 2,51%. As ações de tecnologia, em geral, tiveram bom desempenho, mas o papel da Amazon se destacou, com alta de 7,93%, após um analista do Goldman Sachs elevar o preço-alvo dos papéis de US$ 3 mil por ação para US$ 3,8 mil por ação.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, em meio à divulgação de resultados promissores de testes clínicos para o desenvolvimento de vacina contra o coronavírus.

Em resposta, o barril do WTI para setembro, referência no mercado americano, fechou com ganho de 0,42%, a US$ 40,92. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, subiu 0,32%, a US$ 43,28 o barril./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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