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Bolsa fecha em leve alta e dólar fica a R$ 5,55 com esperança de que Câmara mantenha o veto

Casa analisa nesta quinta se mantém ou não o veto de Bolsonaro à medida que congela o reajuste de servidores públicos até 2021; início da sessão no meio da tarde melhorou o ânimo do mercado brasileiro

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 09h12
Atualizado 20 de agosto de 2020 | 20h10

O mercado brasileiro terminou a sessão desta quinta-feira, 20, otimista com a possibilidade da Câmara manter o veto do presidente Jair Bolsonaro à possibilidade de reajustes a categorias de servidores públicos até o fim de 2021. Hoje, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou com alta de 0,61%, aos 101.467,87 pontos, após chegar a perder pontualmente o suporte dos 100 mil pontos. Cenário similar se deu com o dólar, a moeda terminou o dia cotada a R$ 5,5522, uma alta de 0,40% - na máxima do dia, ela subia aos R$ 5,67.

O início da sessão, que aconteceu após quase uma hora de atraso, trouxe certo alívio ao mercado brasileiro, apesar do clima de cautela ainda rondar os investidores. Contudo, a expectativa é que a Câmara adote uma postura pró-governo e mantenha o congelamento dos reajustes, ao contrário do que fez o Senado na última quarta-feira, 19

Em sintonia com o início da sessão na Câmara, o dólar segurou os ganhos e bateu em R$ 5,5443 na mínima, uma alta de 0,25%. Mais cedo, absorvendo a decisão do Senado e também influenciada pelo exterior, a moeda bateu em R$ 5,67, o que levou o BC a vender US$ 1,140 bilhão de dólares no mercado à vista. O efeito da medida, no entanto, pode ser sentido com mais força no final da sessão. 

A manutenção do veto presidencial é extremamente importante para o cenário fiscal do País, já que a medida de congelar o salários dos servidores até 2021 pode gerar uma economia fiscal entre R$ 121 bilhões e R$ 132 bilhões. Mais cedo, Bolsonaro chegou a dizer que não pode governar "se esse veto não for mantido". Ontem, Guedes classificou a decisão do Senado como sendo um "crime" e um "péssimo sinal" para a agenda de corte de gastos do governo.

Na avaliação do estrategista-chefe da Infinity Asset, Otávio Aidar, o ambiente internacional já é difícil e o Brasil ainda volta em temas que já se imaginava superados. "O cenário internacional já vinha carregado pela ata da reunião do Fed, que sinalizou atividade mais fraca. Isso já leva as moedas emergentes a sofrer, mas aí vem essa questão do veto, que não se viu de onde saiu, e o real segue sofrendo mais que seus pares." 

Para Fernando Bergallo, CEO e fundador da FB Capital, dependendo da resposta da Câmara, é plausível pensar no dólar a R$ 6,00. "A cotação máxima do ano foi de R$ 5,90 em reação à fase mais aguda da pandemia. Agora, mesmo em um momento melhor, Nasdaq com recorde histórico, o Brasil não consegue surfar nele por conta das questões fiscais e domésticas", avalia. Se a Câmara mantiver o veto, avalia ele, o mercado tende a desmontar as posições defensivas e aí o dólar pode voltar mais para perto dos R$ 5,30 e R$ 5,40.

No ano, o dólar acumula valorização de 40%. Já o dólar para setembro fechou com baixa de 0,04%, a R$ 5,5575.

Bolsa

Na mínima do dia, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro caía aos 99.131,40 pontos. Assim como no câmbio, a melhora do mercado brasileiro se deu apenas no final do pregão, quando a Câmara iniciou a sessão que pode manter ou não o veto de Bolsonaro. Com isso, a B3 acumula alta de 0,11% na semana, mas ainda cede 1,40% no mês e 12,26% no ano.

"A inesperada derrubada pelo Senado do veto do Bolsonaro gerou grande estresse logo na abertura, em vista da preocupação do mercado quanto ao rumo do fiscal", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Apesar da "virada" proporcionada pela reiteração do compromisso com a responsabilidade fiscal pelo comando da Câmara, o revés colhido no dia anterior pelo governo no Senado contribui para que os investidores mantenham cautela, acrescenta Ribeiro. "Gera mais um alerta entre os investidores, já que existem outras discussões na mesa, como a continuação das reformas, o orçamento do ano que vem e como ficará a situação do teto de gastos."

Hoje, Multiplan e Cyrela somaram ganhos, com alta de 3,90% e 3,74% para cada. No lado oposto, Magazine Luiza cedeu 2,62%. Entre as commodities, Vale On avançou 0,90% e Petrobrás Pn e On tiveram baixas de 0,70% e 1,60% cada o resultado veio em sintonia com os contratos futuros do petróleo - o WTI para outubro fechou em baixa de 0,67%, a US$ 42,82 o barril e o Brent para o mesmo mês caiu 1,03%, a US$ 44,90 o barril.

Bolsas do exterior

A ajuda do exterior também tem papel importante na recuperação da B3 no final da tarde. A alta do mercado acionário de Nova York ajudou a Bolsa brasileira a se manter no patamar dos 101 mil pontos até o final da sessão. Por lá, Dow Jones subiu 0,17%, S&P 500 teve ganho de 0,32% e o Nasdaq avançou 1,06%, aos 11.264,95 pontos - um novo recorde histórico para um fechamento, motivado pela alta das ações de tecnologia. Apple subiu 2,22% e Netflix ganhou 2,76%.

Na Europa, a ata do Banco Central Europeu afirmou que desdobramentos positivos nos mercados não são apoiados por dados - com isso, o Stoxx 600 encerrou em baixa de 1,07%. A Bolsa de Londres caiu 1,61%, a de Frankfurt recuou 1,14% e a Paris cedeu 1,33%. Já Milão, Madri e Lisboa caíram 1,44%, 1,42% e 1,12% cada.

Na Ásia, também pesou a decisão do Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) que decidiu por manter inalteradas suas taxas de juros pelo quarto mês seguido. Com isso, os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 1,30% e 1,24% cada, enquanto o sul-coreano Kospi encerrou em queda de 3,66% e o japonês Nikkei se desvalorizou 1%. Já em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,54% e o Taiex apresentou expressiva baixa de 3,26% em Taiwan. A Bolsa australiana ficou igualmente no vermelho e caiu 0,77%. /LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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