Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar sobe mais de 1,4% com Fed discutindo aperto nos estímulos; Bolsa cai

Alta da moeda se deu após dirigentes do BC americano falarem que está na hora de diminuir o programa de compra de ativos públicos; queda das ações da Vale, CSN e Gerdau pressionaram a B3

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2021 | 16h30

O dólar fechou em alta de 1,44%, a R$ 5,3532 nesta sexta-feira, 21, alinhado ao fortalecimento da moeda americana no exterior, principalmente após dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), voltarem a sinalizar a necessidade de um aperto nas medidas de estímulos. Já a Bolsa brasileira (B3) teve leve queda de 0,09%, aos 122.592,47 pontos, refletindo também o recuo dos papéis de commodities, em dia de sinal misto no mercado de Nova York.

Com isso, o dólar engatou a segunda semana seguida de alta ante o real, acumulando valorização de 1,56% nos últimos cinco dias. O dólar para junho subiu 1,45%, a R$ 5,3640. Nesta sexta, o presidente da regional da Filadélfia do Fed, Patrick Harker, afirmou  que é preciso começar a discutir uma diminuição das compras mensais de ativos públicos "antes que seja tarde". Já Raphael Bostic, o responsável pela unidade de Atlanta disse estar tentando diferenciar o que é "transitório" e o que "não é" na inflação dos EUA, uma mudança em relação a declarações anteriores que classicavam a pressão inflacionária como temporária.

As declarações dos dirigentes do Fed sobre retirar estímulos vieram em meio à divulgação do índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, mostrando força da atividade em maio, com números recordes tanto na indústria como no serviços. Neste último setor, o PMI foi a 70,1, nível inédito para a economia americana.

"A redução das compras mensais de ativos será a próxima prioridade do Fed", avalia o economista da gestora Northern Trust, Carl Tannenbaum. O pior da pandemia nos EUA parece já ter ficado para trás, na medida em que a vacinação andou rápido, ressalta ele. Ao mesmo tempo, a rápida recuperação da atividade transformou a inflação no assunto do momento, agora com destaque para a dos preços de imóveis, que estão subindo dois dígitos. 

Para o chefe global de mercados do banco holandês ING, Chris Turner, a redução da compra de ativos pelo Fed pode começar em dezembro, mas a volta da elevação dos juros só deve começar na primeira metade de 2023. Os defensores de juros mais altos parecerem estar ganhando espaço no Fed, avalia.

Por enquanto, ainda sem muita clareza do mercado sobre o momento da redução dos estímulos, e a visão de que os juros só vão subir em 2023, o executivo do ING observa que o dólar ainda não se valorizou muito, permanecendo em níveis baixos ante o euro e moedas de países ligados a commodities. Hoje, o DXY, índice que mede a moeda americana ante divisas fortes, começou o dia abaixo de 90 pontos e só voltou a superar este patamar em meio a declarações de Harker, do Fed. Em maio, o índice ainda cai 1,4%.

O economista e gestor da JF Trust, Eduardo Velho, calcula que o piso para o dólar neste momento é de R$ 5,17, nível que ainda não conseguiu furar nas últimas semanas. Ele observa que a pressão vai crescer nos EUA para o Fed revelar algum 'timing' ou pista sobre quando começa a redução das compras de ativos e, por isso, os discursos dos dirigentes regionais ganham mais importância. O fluxo cambial do Brasil teve desaceleração nos últimos dias, observa Velho, e a tendência pela frente é de redução da liquidez no mercado internacional, por conta da tendência de alta dos juros nos países desenvolvidos. Com isso, o dólar tende a ficar mais valorizado.

Bolsa

Ao longo da tarde, o Ibovespa limitou perdas a ponto de manter a linha dos 122 mil pontos pelo quinto fechamento consecutivo, conseguindo salvar leve ganho de 0,58% na semana ao encerrar a sexta- feira mais uma vez bem perto da estabilidade. O índice avança 3,11% em maio - no ano, a alta está em 3,00%. De olho no Fed, assim como a B3, Dow Jones subiu 0,37%, mas S&P 500 e Nasdaq recuaram 0,07% e 0,48% cada em Nova York.

"Além do Fed, há outras questões em andamento que influenciam os preços, como o ajuste nas commodities, especialmente para as ações de Vale e Petrobrás, a possibilidade de retomada da discussão sobre a reforma administrativa a partir da próxima terça-feira e a tramitação da MP da Eletrobrás no Senado", aponta Murilo Breder, analista de renda variável da Easynvest.

"Aqui, há coisas acontecendo também no corporativo, como os relatos de que BRF e Marfrig estão buscando uma fusão", diz Bruno Moura, sócio e líder de operações da mesa de renda variável da BlueTrade. Hoje, o papel da BRF subiu mais de 16%. Com o prosseguimento da correção dos preços do minério de ferro na China, Vale ON e CSN cederam 1,54% e 3,18%. Petrobrás ON e PN subiram apenas 0,99% e 0,08% cada, em dia no qual o petróleo avançou mais de 2% no exterior.

Apesar das incertezas no cenário externo, o mercado financeiro manteve inalterada a perspectiva de alta para o Ibovespa na próxima semana, conforme indica o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Entre os pesquisados, 69,23% falam em ganhos para o período de 24 a 28 de maio. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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