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Acusação contra bancos faz Bolsa cair 1,3% e dólar fechar a R$ 5,40

Notícia de que grandes bancos internacionais, como JP Morgan e HSBC, teriam movimentado US$ 2 trilhões em dinheiro sujo fez o Ibovespa voltar aos níveis de julho

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 09h10
Atualizado 21 de setembro de 2020 | 19h35

O mercado financeiro global foi impactado nesta segunda-feira, 21, por um escândalo de suposta movimentação de dinheiro sujo por grandes bancos, como HSBC, Standard Chartered e JPMorgan. Como não podia ser diferente, a notícia teve impacto direto nos negócios da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou em queda de 1,32%, aos 96.990,72 aos pontos. O impacto também foi sentido no dólar, que apesar de ter diminuído o movimento de alta ante o real, ainda fechou com ganho de 0,43%, a R$ 5,4005.

De acordo com uma reportagem de consórcio internacional de veículos de imprensa, mais de US$ 2 trilhões de origem potencialmente ilícita foram transacionados no sistema financeiro internacional por quase duas décadas. Após o vazamento, as instiuições procuraram alcalmar os investidores, informando que se tratavam muitas vezes de transações antigas e que desde então, medidas robustas contra a lavagem de dinheiro já foram colocadas em prática. Por aqui, a Federação Brasileiros das Bancos (Febraban), também disse que os bancos brasileiros estão estão comprometidos com a melhoria e aperfeiçoamento das medidas de segurança.

Segundo analistas internacionais ouvidos pelo Estadão/Broadcast, as denúncias podem aumentar a inspeção sobre o setor financeiro no curto prazo, mas não devem gerar nova rodada de aperto regulatório. Porém, de acordo com esses especialistas, o impacto mais profundo será sentido apenas via mercado, principalmente no caso do Brasil, onde a legislação brasileira já é mais dura.

De fato, a aversão aos riscos predominou principalmente nas Bolsas - no caso do Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, a queda fez com que ele caísse aos 96 mil pontos, o que não era visto desde julho. Na mínima do dia, ele caiu aos 95 mil pontos. A tensão externa afetou um mercado local já na defensiva pelos temores em relação à área fiscal - ou seja, o aumento da dívida pública e a dificuldade extra que o governo terá para equacioná-la.

"O Ibovespa vinha defendendo bem a linha dos 98 mil pontos, perdida na sessão, em razão desta aversão a risco desde o exterior. Mas as perdas se mostraram moderadas para o dia, com o desempenho positivo de ações do setor de varejo eletrônico, voltados à economia doméstica, como B2W (+4,01%), Magazine Luiza (+1,77%) e Lojas Americanas (+0,31%)", observa Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

Com a cautela, no entanto, as ações da Vale caíram 2,69% e as do Bradesco On 1,76%. Já as ações da Petrobrás On e Pn cederam 3,01% e 3,46% cada, em um dia negativo também para os contratos do petróleo no exterior - hoje, o WTI para novembro fechou em baixa de 4,31%, a US$ 39,54 o barril e o Brent para o mesmo mês recuou 3,96%, a US$ 41,44 o barril. Também perderam Gol, AzulEmbraer com 8,46%, 7,80% e 4,79% cada.  O índice acumula agora perda de 2,39% no mês e de 16,13% no ano.

Câmbio

O dólar operou sob pressão na sessão de negócios de hoje em meio ao ambiente de aversão a risco visto no exterior, que levou ao fortalecimento da divisa americana frente à maioria das moedas no globo. No entanto, segundo profissionais de câmbio, o que amplificou mesmo o movimento de alta frente ao real, levando a cotação à máxima intraday a R$ 5,4974 durante a manhã, foi uma questão técnica: o exercício de opções sobre ações na B3, que movimentou R$ 10,468 bilhões, proporcionou o rearranjo de carteiras envolvendo além de ações, câmbio e juros.

"Como o clima ficou muito ruim nos mercados hoje, contratos que não iam ser exercidos tiveram que ser e isso mexeu com as posições de câmbio e juros. Em dia de vencimento de opções, há uma revisita à carteira como um todo, nas estratégias de arbitragem. Isso deixa os movimentos amplificados tanto na alta quanto na baixa, como foi hoje", disse Pedro Lang, chefe de Renda Variável da Valor Investimentos.

O Dollar índex (DXY) operou em alta durante todo o dia e, às 17h19, avançava 0,67% (93,550 pontos). Neste mesmo horário, o dólar futuro tinha alta de 0,07%, a R$ 5,3970. Mais cedo, o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, operava em alta, a 232 pontos e testava os níveis mais altos desde 16 de julho. Hoje, o dólar para outubro encerrou com alta de 0,43%, a R$ 5,4160.

Bolsas do exterior

O dia foi negativo também para o mercado acionário de Nova York, que mesmo tendo diminuído as perdas, ainda encerrou em baixa. O Dow Jones caiu 1,84%, o S&P 500 cedeu 1,16% e o Nasdaq teve perda mais leve, de 0,13%. Por lá, a ação do Goldman Sachs caiu 0,99%, acompanhada por JPMorgan, com 3,19%, Bank Of America, com 3,35% e Citigroup, com 2,90%, alguns deles citados nas denúncias veiculadas pela imprensa.

Na Europa, as Bolsas tiveram o pior pregão em três meses com os escândalos envolvendo algumas das principais instiuições financeiras do mundo. Hoje, o Stoxx 600 caiu 3,24%, enquanto a bolsa de Londres caiu 3,38% - por lá, as ações do HSBC caíram 5,20%. Paris teve queda de 3,74% e Frankfurt cedeu 4,37%. Madri, Milão e Lisboa tiveram baixas de 3,43%, 3,75% e 2,22% cada.

O resultado no mercado asiático não foi muito diferente: os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 0,63% e 0,52% cada, enquanto o Hang Seng caiu 2,06% em Hong Kong. Já o sul-coreano Kospi teve baixa de 0,95% e o Taiex caiu 0,63% em Taiwan. A bolsa de Tóquio não operou devido a um feriado no Japão. A Bolsa australiana encerrou com queda de 0,71%. /LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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