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Bolsa fecha estável e dólar fica a R$ 5,61 de olho em estímulos fiscais nos EUA

Impasse em torno de novas medidas de incentivo deixaram os investidores preocupados e fez com que os ativos perdessem o fôlego no final da sessão

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 09h06
Atualizado 21 de outubro de 2020 | 19h59

Em dia de oscilações em Nova York, em meio à incerteza sobre o pacote fiscal nos EUA, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3 conseguiu encadear o terceiro desempenho positivo, mas praticamente neutralizou a alta observada no começo da tarde desta quarta-feira, 21, encerrando com ganho  de apenas 0,01%, aos 100.552,44 pontos , após bater nos 101 mil pontos, no melhor desempenho intradia desde 3 de setembro. O dólar também foi afetado por esse cenário e fechou com leve alta de 0,02%, a R$ 5,6145, apesar de cair no exterior.

A forte pressão sobre os preços do petróleo, em queda superior a 3%, colocou as ações da Petrobrás em terreno negativo, embora limitado no fim (PN com baixa de 0,10% e ON com queda de 0,05%), após a empresa ter divulgado, na noite da última terça-feira, 20, números operacionais bem recebidos pelo mercado. Entre as commodities, destaque para alta de 1,63% em Vale ON, com outro segmento de peso, o de bancos, também avançando nesta quarta-feira, à espera de balanços mais favoráveis no terceiro trimestre, com Bradesco ON e PN em alta de 0,92% e 1,02%, embora de forma bem tímida quando comparada a mais cedo.

"Tivemos um dia em que acompanhamos Nova York, com variações bem próximas ao que ocorria por lá, de olho no pacote, o horizonte em que virá. Ações mais sensíveis ao ciclo econômico e expostas aos efeitos da pandemia, como Azul, com baixa de 0,61%, CVC, com 2,90% e Lojas Renner, com 2,48%) - ou seja, viagens e varejo presencial - sofreram um pouco mais com o noticiário sobre vacinas, que, em geral, não fez preço hoje", aponta Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura.

Assim, permaneceram em segundo plano os ruídos em torno da adoção da vacina chinesa no Brasil, após o presidente Jair Bolsonaro desautorizar hoje protocolo do dia anterior entre o Ministério da Saúde e o governo de São Paulo sobre aquisição de doses da Coronavac, desenvolvida em conjunto pela Sinovac e o Instituto Butantan.

"O dia todo ficou em torno do pacote nos EUA. As discussões chegaram a esfriar, mas depois novas declarações de Pelosi (Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes), de que as negociações estão caminhando, contribuíam para dar sinal positivo, lá e aqui", diz Thomás Gibertoni, especialista em investimentos da Portofino Multi Family Office. "Apesar das dúvidas em relação ao fiscal, que continuam a ter efeito sobre os DIs, a Bolsa busca reduzir a 'boca de jacaré' ante os mercados globais, e os mais recentes números positivos sobre a economia chinesa, como os do varejo e da produção industrial de setembro, acima do consenso, contribuem para este movimento", acrescenta.

Porta-voz da presidente da Câmara dos Representantes, Drew Hammill afirmou que Pelosi e Steven Mnuchin, secretário de Tesouro dos EUA, conversaram durante 48 minutos. "A conversa de hoje nos deixa mais perto de ser capazes de colocar a caneta sobre o papel para escrever a legislação", disse Hammill. No entanto, Nova York fechou o dia em baixa:  Dow Jones fechou em baixa de 0,35%, o S&P 500 caiu 0,22% e o Nasdaq registrou queda de 0,28%.

Apesar das incertezas, em outubro, os ganhos acumulados pelo Ibovespa chegam agora a 6,29%, com avanço na semana a 2,28%, enquanto as perdas no ano vão a 13,05%. Nesta quarta-feira, o giro financeiro ficou em R$ 24,4 bilhões.

Câmbio

O dólar caiu forte no exterior hoje, em novo dia de expectativa por um acordo entre democratas e republicanos para aprovação em Washington de um pacote de estímulos trilionário. Ante moedas desenvolvidas, a divisa dos Estados Unidos caiu ao menor nível desde o começo de setembro. Nos emergentes, chegou a cair nesta quarta-feira mais de 1% na África do Sul. Mas no mercado doméstico, porém, a cautela prevaleceu, seja por conta da questão fiscal, seja com o imbróglio envolvendo a vacina para o coronavírus, que acabou gerando ruídos políticos hoje. Com isso, o dólar terminou o dia perto da estabilidade ante o real.

No mercado futuro, o dólar para novembro fechou com alta de 0,04%, a R$ 5,6110. O volume de negócios ficou em US$ 12 bilhões, em linha com os pregões desta semana, mas abaixo da média recente, de US$ 15 bilhões.

O dólar teve o quarto dia seguido de queda no exterior, ressaltam os analistas do TD Bank, diante da perspectiva de um acordo fiscal em Washington. Tanto democratas como republicamos vêm dando declarações positivas nos últimos dias sobre esta possibilidade, mas até agora nada de concreto.

"O dólar está caindo na medida em aumentam as esperanças de um avanço nas negociações de estímulo em Washington", ressalta o analista de mercados do Western Union, Joe Manimbo. Assim, a moeda americana caiu ante o euro e iene para o menor nível em um mês, e perante o dólar canadense no menor patamar em seis semanas.  O analista observa que o endosso de Donald Trump para um pacote mais amplo serviu para reforçar as esperanças dos investidores, embora as incertezas permaneçam.

No Brasil, o economista da Advanced Corretora de Câmbio, Alessandro Faganello, destaca que os agentes seguem esperando como será financiado o Renda Cidadã, novo programa social do governo. "O fato é que o timing político é muito mais lento que o almejado pelo mercado, ainda mais em ano de eleição", ressalta Faganello./LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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