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Bolsa recua 0,8% e dólar sobe 2,1% com avanço da covid no Brasil e no mundo

Mercado operou no vermelho nesta sexta, após o governo de São Paulo endurecer as medidas de restrição em todo Estado; preocupou também o andamento da imunização no País

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2021 | 09h15
Atualizado 22 de janeiro de 2021 | 18h54

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, emendou a quarta queda seguida nesta sexta-feira, 22, na pior sequência desde o intervalo entre 23 e 28 de outubro. Das últimas seis sessões, ela subiu apenas na segunda-feira, dia seguinte ao início da vacinação em São Paulo, quando avançou 0,74%. Hoje, os problemas com a imunização no País e o avanço do coronavírus em solo brasileiro - e também no mundo -, seguraram os ganhos da Bolsa, que recuou 0,80%, aos 117.380,49 pontos. O dólar subiu 2,14%, a R$ 5,4790.

O pessimismo se agravou após o governador de São Paulo, João Doria, anunciar o regresso do Estado à fase vermelha aos sábados e domingos e também na semana. De segunda a sexta, o comércio não essencial deverá ficar fechado das 20h às 6h da manhã. Ele também adiou o início das aulas e a suspensão da participação presencial de alunos na rede estadual. São Paulo registra um óbito a cada seis minutos, informou João Gabbardo, do Centro de Contingência.

Pelo lado fiscal, o mercado também monitora os próximos passos do governo federal - o novo ciclo de distanciamento social tende a reforçar o apelo por extensão do auxílio emergencial, em momento no qual a palavra impeachment reaparece no vocabulário político em meio a críticas à gestão da saúde pública na pandemia.

Para o economista-chefe da Gávea Investimentos, Tiago Berriel, ex-Banco Central, qualquer flexibilização do teto de gastos e aumento de despesas públicas neste momento deveria vir com algum sinal de ajuste "muito claro" no período pós-pandemia, disse. "Eu não veria como um sinal bom um desvio do teto agora sem contrapartida específica e clara no futuro", afirmou.

No entanto, perto do final do pregão, notícias mais positivas sobre o andamento da imunização no País ajudaram a aliviar as perdas do Ibovespa, que operou em forte queda, aos 116 mil pontos, em boa parte do pregão. Ainda hoje, a Anvisa liberou o segundo pedido de uso emergencial da Coronavac feito pelo Instituto Butantan, em um total de mais 4,8 bilhões de doses. Também aterrisou no País, o avião vindo da Índia com mais dois bilhões de doses da vacina da Universidade de Oxford. Elas seguem para a Fiocruz.

Mesmo assim, o índice terminou a semana com perdas de 2,47% e as do ano a 1,38%, enquanto no mercado de Nova York, os ganhos em 2021 variam entre 1,28% para o Dow Jones e 5,08% para o Nasdaq. Nesta sexta-feira, na ponta da correção do Ibovespa, destaque para as quedas de IRB, com 8,95%, CVC, com 4,98% e Eletrobrás ON, com 3,39%. No lado oposto, BRF subiu 3,19%, à frente de Magazine Luiza, com 1,96%. Entre as ações de grande peso, Petrobrás PN fechou em baixa de 1,67%, e a ON, de 1,28%, enquanto Vale ON cedeu 0,20%.

Câmbio

O dólar fechou a semana acumulando valorização de 3,30% ante o real. A moeda brasileira foi a que mais perdeu valor esta semana no mercado internacional, considerando os principais emergentes. No geral, o dólar teve comportamento bem mais ameno em outros emergentes nos últimos cinco dias, caindo ao redor de 0,60% na Turquia e África do Sul e subindo 0,85% no México. No ano, o dólar já sobe quase 6% no Brasil. O dólar para fevereiro fechou com alta de 

No cenário político, os economistas em Nova York do Citigroup alertam que o barulho político pode aumentar até a eleição para os comandos da Câmara e Senado, dia 1º de fevereiro. As declarações recentes em favor de mais auxílio emergencial só reforçam a visão de que o teto de gastos será burlado este ano, da ordem de R$ 75 bilhões, destaca o banco americano.

Na avaliação de outro ex-BC, Carlos Viana, sócio da Asset 1, qualquer alta de gasto com apenas uma promessa de que vão ajustar lá na frente, o mercado não levaria a sério. O real poderia se depreciar ainda mais. "Nosso histórico não nos credencia para fazer promessa de sacrifício futuro", afirmou. Se o esforço de vacinação fosse mais competente, disse Viana, a sinalização seria de um auxílio mais curto, o que poderia ser mais facilmente aceito pelo mercado. "O País gastou mais do que tinha espaço e estamos agora colhendo os frutos disso."/ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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