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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Dólar amplia ritmo de queda e fica a R$ 5,11; Bolsa fecha praticamente estável

Clima misto no exterior, causado pelo avanço da covid-19 e pelo aumento das tensões EUA-China afetaram o mercado brasileiro e o câmbio nesta quarta

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 09h05
Atualizado 22 de julho de 2020 | 18h36

O dólar manteve o ritmo de desvalorização nesta quarta-feira, 22, e fechou a R$ 5,1157, em baixa de 1,83%, ainda refletindo a aprovação do fundo bilionário de recuperação europeu, mas também o aumento das tensões entre Estados Unidos e China. Esse cenário de incerteza se refletiu na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que ainda conseguiu recuperar as perdas para encerrar praticamente estável, com baixa de 0,02%, aos 104.289,57 pontos.

Nesta quarta, os EUA anunciaram que vão fechar o consulado da China no Texas, após denúncias de que hackers chineses tentaram roubar dados relacionados a uma vacina contra o coronavírus. Em resposta, Pequim disse já estudar uma retaliação. A nova investida americana fez cair o preço do dólar, que já estava enfraquecido na comparação com o euro, após a União Europeia aprovar ontem um pacote de ajuda ao bloco no valor de 750 bilhões de euros.

Por aqui, segue fortalecendo o real a entrega da primeira parte da reforma tributária pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na última terça-feira, 21, ao Congresso. Para o economista chefe de mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, o gesto é um sinal de que ainda há chance de progresso na agenda de reformas do País. Já segundo o banco suíço Julius Baer, a reforma é um "desenvolvimento positivo" e melhora a narrativa para investir no Brasil.

Com os números do fechamento de hoje, a moeda americana terminou o dia no menor patamar desde 12 de junho. O dólar para agosto também encerrou em baixa de 1,03%, a R$ 5,1210. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,40. 

Bolsa

O pregão morno da Bolsa brasileira refletiu também as incertezas vistas no exterior, em dia de desempenho negativo para as ações de commodities e bancos, dois setores de peso. A situação melhorou apenas na reta final, quando o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, saiu do patamar dos 103 mil pontos - ele cedia aos  103.277,01 pontos na mínima do dia.

Nesta tarde,  o ajuste nos preços do petróleo e do minério contribuiu para segurar Petrobrás ON e PN, que fecharam com baixas de 1,37% e 1,04% cada. Vale também cedeu 0,77%. Assim como no câmbio, os desdobramentos da tributária também afetaram a Bolsa, só que de forma negativa. Em nota, a Febraban apontou que a proposta enviada ontem ao Congresso vai aumentar a carga tributária sobre o setor financeiro, o que rapidamente afetou as ações dos bancos. Santander caiu 3,65% e Itaú Unibanco recuou 2,27%.

Com os números de hoje, a Bolsa acmula ganho de 1,36% na semana e de 9,71% no mês, mantendo as perdas em apenas 9,82% no ano.

Mercados internacionais 

Além do aumento das tensões entre China e Estados Unidos, os índices do exterior refletiram hoje o aumento dos casos do coronavírus no mundo. Segundo dados da Universidade Johns Hopkinsos casos de coronavírus se aproximam de 15 milhões e as mortes somam mais de 600 mil. Nesse cenário, os EUA já anunciaram que vão comprar todas as doses que serão produzidas em 2020 de uma vacina contra a covid-19 pela Pfizer e a BioNTech.

Com as incertezas, as Bolsas da Ásia ficaram sem sentido único. Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,37% e 0,84% cada, mas o japonês Nikkei caiu 0,58% e o sul-coreano Kospi teve perda marginal de 0,01%. Já o Hang Seng recuou 2,25% em Hong Kong, enquanto o Taiex subiu 0,61% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa de Sydney terminou o pregão com queda de 1,32%.

Os recentes acontecimentos derrubaram os índices da Europa, que deixaram em segundo plano o pacote bilionário aprovado ontem. O Stoxx 600 fechou com queda de 0,87%, enquanto a Bolsa de Londres cedeu 1,00%, a de Paris recuou 1,32% e a de Frankfurt teve baixa de 0,51%. MilãoMadri Lisboa perderam 0,60%, 1,39% e 0,79% cada.

A decisão dos EUA de comprar 100 milhões de doses da vacina para a covid-19 melhorou o ânimo de Nova York, que vinha operando sem sentido único pela manhã. Em resposta, Dow Jones subiu 0,62%, o S&P 500 avançou 0,57% e o Nasdaq registrou alta de 0,24%. Segundo a FactSet, o Dow Jones fechou acima da marca de 27 mil pontos pela primeira vez desde 9 de junho.

Petróleo

Além das tensões EUA-China, o mercado de petróleo fechou em leve baixa, de olho no mais recente relatório do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês), que informou um aumento de 4,892 milhões de barris no estoque dos Estados Unidos na última semana, o que contrariou a previsão de queda de 1 milhão de barris dos analistas.

Em resposta, o WTI para setembro, referência no mercado americano, fechou em baixa de 0,05%, a US$ 41,90 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, recuou 0,07%, a US$ 44,29 o barril./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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