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Alta em Nova York ajuda Bolsa a fechar no positivo; dólar vai a R$ 5,46

Perto do final do pregão, o índice Dow Jones conseguiu se estabilizar e movimento ajudou o Ibovespa a manter o patamar dos 97 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 09h05
Atualizado 22 de setembro de 2020 | 18h36

Após fechar no menor patamar desde julho no pregão anterior, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, se apoiou nesta terça-feira, 22, na alta do mercado acionário de Nova York e conseguiu se firmar no positivo perto do final da sessão, para fechar com leve ganho de 0,31%, aos 97.293,54 pontos. Já o dólar, que perdeu um pouco do fôlego no final do dia, ainda avançou ante o real e encerrou com valorização de 1,27, a R$ 5,4691.

"O Ibovespa segue sem uma definição clara, mesmo com o resultado de ontem, no qual a Bolsa perdeu o suporte de 97 mil pontos. Mas como o índice permanece muito próximo desse ponto, não temos ainda um rompimento confirmado", diz Fernando Góes, analista gráfico da Clear Corretora. "Caso o Ibovespa fique abaixo do patamar registrado ontem, de 96 mil pontos, podemos começar a pensar no novo suporte de 92 mil pontos. Caso faça o movimento de subida, precisará ultrapassar os 103 mil pontos para retomar a tendência de alta", acrescenta o analista.

Contudo, apesar da perda de força em direção ao encerramento, a recuperação observada nesta tarde chegou a ser puxada pelo setor de siderurgia, em especial CSN, com 3,39%, logo abaixo de MRV, com 3,73% e IRB, com 6,28%. Conforme observa Cristiane Fensterseifer, analista de ações da Spiti, após a aversão a risco global ter afetado ontem em especial "nomes de beta mais alto, mais arriscados", como Gol, Azul e CVC, as três empresas tiveram desempenho misto nesta terça-feira, com CVC em baixa de 1,94% e Gol, de 1,20%, enquanto Azul conseguiu leve recuperação, em alta de 1,04% no fechamento desta terça-feira.

"Os riscos que provocaram as vendas (ontem) vieram de um possível novo lockdown no Reino Unido, com a escalada de novos casos de coronavírus, enquanto Madri limitou o deslocamento de 850 mil moradores, só permitindo que eles saiam de casa para trabalhar, ir ao médico ou levar filhos à escola", aponta a analista.

As ações de commodities e de bancos também ensaiaram desempenho positivo, mas também limitaram ou devolveram ganhos perto do fim, com Vale On em leve alta de 0,12% no encerramento. A Petrobrás também conseguiu diminuir as perdas e suas ações On e Pn tiveram baixas de 0,05% e 0,48% cada. O resultado veio em sintonia com os preços do petróleo no mercado exterior -  hoje, o WTI para novembro fechou em alta de 0,66%, a US$ 39,80 o barril e o Brent para o mesmo mês subiu 0,68%, a US$ 41,72 o barril.

Além dos sinais de retomada da pandemia nesta virada de verão para outono no Hemisfério Norte, incertezas relacionadas à situação fiscal no Brasil, a denúncia de lavagem de dinheiro em grandes bancos globais e a proximidade da eleição americana contribuem para moderar o apetite por risco, limitando o potencial de recuperação do Ibovespa, que caminha até aqui para novo mês de perdas - em setembro, cede 2,09%, após recuo de 3,44% em agosto, quando foi interrompida a reação iniciada em abril. As perdas no ano chegam agora a 15,87% - na semana, o índice cede 1,01%.

Pelo lado dos fundamentos, o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) disse hoje que o Brasil respondeu à crise da covid-19 com "uma grande expansão fiscal", maior do que outros emergentes e comparável a alguns desenvolvidos. Em relatório, o IIF observa que a expansão fiscal é positiva para a recuperação no curto prazo, mas traz dois desafios: o de recuar nos gastos emergenciais para cumprir a regra fiscal; e o financiamento de um grande déficit fiscal no momento em que todos os países têm emitido muitos bônus.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a apontar para uma "campanha de desinformação", direcionada ao competitivo agronegócio brasileiro, como fator oculto na atenção internacional aos incêndios e desmatamento em biomas do País, como o Pantanal e a Amazônia. Apesar da importância da questão, o assunto permanece como pano de fundo para os investidores, mais suscetíveis ao endividamento público e à situação econômica em meio à pandemia.

Já em Nova York, a reação inicialmente fria ao testemunho do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso, no sentido de que "mais estímulos fiscais e monetários serão necessários para a economia", deu lugar a uma relativa animação liderada pelas ações de tecnologia, o que contribuiu para romper uma sequência de quatro quedas. Por lá, Dow Jones teve alta de 0,52%, o S&P 500 subiu 1,05% e o Nasdaq registrou ganho de 1,71%.

Câmbio

O dólar chegou novamente a encostar em R$ 5,50 no começo da tarde, em movimento influenciado principalmente pelo mercado externo, após as novas críticas de Donald Trump à China na Assembleia Geral das Nações Unidas e discursos de dirigentes do Federal Reserve alertando para o cenário altamente incerto. No final da tarde, o ritmo de alta da moeda americana perdeu fôlego, acompanhando a melhora das bolsas americanas, com ações de tecnologia se recuperando das perdas recentes.

Mesmo assim, o real, junto com o peso mexicano, amargou o pior desempenho desta terça-feira no mercado internacional, considerando as 34 divisas mais líquidas.

No mercado à vista, o dólar fechou hoje no nível mais alto desde 31 de julho, quando encerrou em R$ 5,48. No mercado futuro, o dólar para outubro fechou a R$ 5,4710, em alta de 1,02%.

 

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