Gabriela Biló/Estadão
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Bolsa fecha perto dos 102 mil pontos e dólar cai com chance de novos estímulos nos EUA

Porém, apesar do clima de otimismo, analistas ainda falam em cautela e consideram 'improvável' que um acordo seja firmado antes da eleição de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 09h05
Atualizado 22 de outubro de 2020 | 18h06

Com o aumento do otimismo diante da possibilidade de avanços concretos nas negociações por um novo pacote de estímulos nos EUA, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou o pregão desta quinta-feira, 22, com forte alta de 1,39%, aos 101.917,73 pontos, apesar dos ganhos modestos do mercado acionário de Nova York. Com o resultado, o Ibovespa emendou sua quarta alta seguida, o que não acontecia desde julho. No câmbio, o dólar também monitora a chance de um acordo, mas com mais cautela. Hoje, a moeda americana fechou com leve queda de 0,36%, a R$ 5,5942.

Apesar do otimismo do investidor, a chance de novos estímulos nos EUA continua baixa. Nesta quinta, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, sinalizou que uma nova legislação de alívio fiscal pode ser aprovada na Casa antes da eleição de 3 de novembro. Já o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse hoje que há ainda "divergências significativas" entre as partes e comentou que o tempo está passando, o que dificulta um acordo antes da votação.

E sem compartilhar da mesma confiança dos investidores, os analistas falaram em cautela. "As negociações continuam hoje, mas um pacote antes da eleição é improvável", comentam os estrategistas da LPL Financial. "As perspectivas de um acordo pré-eleitoral estão diminuindo", destacam os analistas do banco NatWest. As bolsas de Nova York também não compraram tão facilmente a possibilidade de que novos incentivos venham antes de novembro e fecharam com altas modestas: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,54%, 0,52% e 0,19% cada. 

Mesmo assim, o dia foi de riscos na B3, com forte desempenho para as ações de bancos: Itaú PN teve ganho de 5,15% e Bradesco PN de 4,60%. O bom desempenho do petróleo no exterior, com Brent em alta de 1,75% e WTI de 1,52%, fortaleceu as ações da Petrobrás, com altas de 3,37% e 3,17% para PN e ON, respectivamente. Já a mineradora Vale subiu 0,40%.

"Houve pessimismo exagerado com o setor de bancos durante o pior momento da pandemia, em que ocorreu aumento das provisões contra inadimplência. Agora, com os investidores em busca de ações com desconto, e a expectativa para os balanços do terceiro trimestre, que devem mostrar melhora, o setor volta a ser olhado com interesse. E isso é importante porque bancos, Petrobrás e Vale respondem por 50% do volume diário", observa Márcio Gomes, analista da Necton Investimentos.

Na semana, o Ibovespa avança agora 3,67%, com giro financeiro nesta quinta-feira a R$ 28,2 bilhões. O ganho acumulado no mês, de 7,73%, aproxima-se do observado no intervalo entre maio e julho, quando variou entre 8,27% e 8,76%. O nível de fechamento desta quinta-feira foi o melhor desde 1º de setembro (102.167,65).

Câmbio

O mercado doméstico de câmbio operou hoje focado no exterior, na expectativa por desdobramentos positivos que levem a aprovação de um pacote de estímulo nos EUA, o que daria fôlego não só à economia americana, mas também mundial. A moeda americana caiu ante divisas emergentes, sobretudo as da América Latina, e perante o real, chegou a recuar a R$ 5,56. Mas perto do fechamento, com a falta de novidades sobre as negociações, a queda perdeu fôlego e a moeda americana voltou a rondar a casa dos R$ 5,60, também com a questão fiscal doméstica se mantendo no radar.

Sobre o fiscal, o economista para a América Latina da Oxford Economics, Felipe Camargo, ressalta que o Brasil não tem condições de sustentar endividamento tão alto, bem acima do de outros emergentes. Por isso, a preocupação é crescente com a possibilidade de rebaixamento do rating soberano.

No exterior, o índice DXY, que mede a variação do dólar em relação a seis outras divisas fortes, subiu 0,37%, a 92,951 pontos. A libra e o euro foram pressionados pelo avanço da covid-19 na Europa e as consequentes restrições à circulação de pessoas, que já estão se refletindo em indicadores de confiança. Já por aqui, o dólar para novembro fechou em queda de 0,29%, a R$ 5,5945. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO 

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