Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa recua 1,5% com piora da pandemia no Brasil e exterior; dólar tem leve queda

Segundo informações da Opas, 23 Estados brasileiros reportaram pelo menos 85% dos leitos ocupados; na Europa, avanço nos casos também preocupa

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 09h45
Atualizado 23 de março de 2021 | 18h03

A Bolsa brasileira (B3) encerrou o pregão em queda de 1,49%, aos 113.261,80 pontos nesta terça-feira, 23, com a piora das perspectivas para a pandemia no Brasil, ante o aumento descontrolado de casos e a superlotação dos sistemas de saúde, situação que também é vista em outras grandes economias pelo mundo. No câmbio, o dólar fechou com leve queda de 0,04%, a R$ 5,5157.

Há exatamente um ano, em 23 de março de 2020 o Ibovespa atingia o menor nível de fechamento do ciclo da pandemia, a 63.569,62 pontos - de lá para cá, a recuperação é de 78,17%. O recrudescimento da pandemia neste março de 2021, na Europa e no Brasil, coloca para o segundo semestre a expectativa de retomada da economia, em meio a renovações de lockdown, aqui e lá fora.

Nesta tarde, a diretora-geral da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, disse que o Brasil registra um avanço perigoso do coronavírus, em situação que também afeta países vizinhos, como a Venezuela, Bolívia e Peru, e requer a adoção de medidas restritivas pela população. Segundo o gerente de Incidentes da Opas, Sylvain Aldighieri, 23 Estados brasileiros reportaram pelo menos 85% dos leitos ocupados, nível considerado "muito alto" por Etienne.

Pesou a percepção de que a pandemia, a lentidão da vacinação e a falta de coordenação da União com Estados e municípios na  eação ao colapso hospitalar mantêm elevado grau de incerteza sobre a economia doméstica, agravada pela prorrogação de lockdown em países como a Alemanha e, aqui, pelo relato de que o Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo enviou ao governador João Doria proposta para estender a fase emergencial no Estado por mais 15 dias.

No exterior, sinal de que o governo americano poderá vir a ter de elevar impostos em meio ao esforço fiscal para dar sustentação à economia contribuiu para firmar os índices de ações em Nova York em terreno negativo nesta tarde, em renovação de mínimas que se refletiram também no desempenho do Ibovespa. Hoje, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram quedas de 0,94%, 0,76% e 1,12%.

"Yellen não desmentiu. Isso sugere que haverá mesmo aumento de impostos, o que explica esta queda de quase 1% para o Dow Jones", observa Jefferson Laatus, estrategista do Grupo Laatus.

Com perdas acima de 6% nos futuros de petróleo, Petrobrás PN fechou hoje em queda de 3,06% e a ON, de 2,30%, com Vale ON em baixa de 2,31%, as três nas mínimas da sessão no encerramento, em dia de fortalecimento do dólar no exterior ante referências como euro, iene e libra. Na ponta do Ibovespa, Azul cedeu 6,80%, à frente de Gerdau PN, em queda de 4,36% e CSN, de 4,29%. Na semana, o índice cede 2,55%, com ganhos no mês limitados a 2,93% - no ano, perde 4,84%.

Câmbio

Descolado de seus pares emergentes, onde ainda reverbera a aversão ao risco por conta da troca abrupta do presidente do banco central turco, o real se valorizou frente ao dólar na sessão de hoje e a cotação chegou a voltar ao nível de sexta-feira, quando ainda havia reflexos mais positivos sobre a decisão de arrocho monetário, levando a taxa Selic a 2,75% ao ano. No entanto, bem próximo ao fechamento, o dólar virou e passou a oscilar em terreno positivo, pontualmente, com o movimento ocorrendo em sintonia com a piora do Ibovespa e indicando uma saída de recursos, segundo Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil Serviços Empresariais. O dólar para abril fechou em alta de 0,26%, a R$ 5,5240.

O racional para o dia, entretanto, prevaleceu. De acordo com especialistas em câmbio, para além do impacto direto na moeda local pela mensagem mais dura contida na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que pretende subir a Selic novamente em 0,75 ponto porcentual na reunião de 4 e 5 de maio.

Almeida nota ainda que, muito embora o câmbio tenha reagido mais positivamente hoje, o contexto atual com a pandemia praticamente em descontrole no Brasil e os riscos fiscais - reformas por fazer, pressão por mais gastos para auxílio, e um governo federal ainda sem orçamento no ano corrente - deixam a cautela no ar, impedindo uma queda mais acentuada do dólar. "O cenário corrente de preocupação com a pandemia e com a atividade econômica acaba impactando nas expectativas futuras", afirma.

O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-País, avançava até o fechamento deste cenário para a marca de 203.45 pontos ante 199,25 pontos na véspera, de acordo com cotações da IHS Markit./ LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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