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Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa avança 1% com sanção do Orçamento e ganho do mercado de Nova York; dólar sobe

Com o fim do impasse entre governo e Congresso pelo Orçamento, mercado espera agora que atenção se volte para a aprovação das reformas estruturais

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2021 | 15h18
Atualizado 23 de abril de 2021 | 18h35

Apoiada nos ganhos do mercado de Nova York e na sanção do Orçamento de 2021, a Bolsa brasileira (B3) fechou em alta de 0,97%, aos 120.530,06 pontos nesta sexta-feira, 23. O cenário, no entanto, não foi muito favorável aos negócios, com o dólar em ritmo de alta, hoje em ganho de 0,78%, cotado a R$ 5,4973, passando por uma realização de lucros após quedas recentes.

Sobre o Orçamento de 2021, sancionado ontem por Bolsonaro, um dos vetos do presidente deixou praticamente zerada a verba para dar continuidade às obras da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida, rebatizado pelo governo de Casa Verde e Amarela. Além disso, os ministérios da Saúde, Educação e Meio Ambiente, e o Censo demográfico, também foram penalizados pelo corte de verba.

Para o economista de América Latina da Capital Economics, Nikhil Sanghani, os cortes do governo podem afetar o funcionamento da máquina pública mais para frente, dependendo da evolução da pandemia. Segundo ele, o texto também evidencia o apetite do Congresso por mais gastos e ainda ajuda a manter o risco fiscal alto no Brasil. Já a Fitch Ratings elogiou a preservação do teto de gastos pelo governo, mas também alertou para a situação fiscal frágil do país, que precisa ser ajustada.

No entanto, o mercado optou por precificar o fim do impasse com o Orçamento. Apesar de ter deixado gastos fora do teto no Orçamento, em nível acima do esperado, o fato de o governo ter encontrado uma solução para a novela envolvendo o texto sem decretar o estado de calamidade acabou dando algum alívio para os mercados, avalia a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, em sua carta semanal. Agora, as atenções se voltam para a aprovação das reformas tributária e administrativa.

Além do Orçamento, o Ibovespa teve como outro catalisador positivo o ganho do mercado de Nova York, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq com ganhos de 0,67%, 1,09% e 1,44% cada. "Os mercados americanos se recuperaram hoje do dia anterior, quando refletiram as notícias sobre planos de aumento de impostos por Joe Biden (sobre ganhos de capital para a alta renda), muito acima do esperado tanto por republicanos como por democratas, o que pode ser um obstáculo para a aprovação do arrojado programa de investimentos em infraestrutura", aponta Paloma Brum, economista da Toro Investimentos.

"Nos EUA, os dados econômicos acima da expectativa mostram ritmo acelerado de recuperação da economia. O PMI Composto, que engloba indústria e serviços, subiu de 59,7 em março para 62,2 em abril, atingindo o maior nível da série histórica iniciada em outubro de 2009", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora

No final do pregão desta sexta, após um pregão volátil, as ações ON e PN da Petrobrás fecharam em altas de 0,39% e 0,25% cada, após o novo presidente da petroleira, Joaquim Silva e Luna, apontar que vai continuar vendendo ativos, mas sem dar mais detalhes.

Entre as ações de maior peso, Bradesco e Santander subiram 1,92% e 2,11% cada, enquanto Vale teve ganho de 1,66%. Gol, Via Varejo e Cosan avançaram 4,12%, 3,88% e 2,49%, respectivamente.  Nas quatro sessões desta semana que chega ao fim, o Ibovespa registrou perdas em três. Na semana, acumulou perda de 0,48%, após ganhos de 2,93%, 2,10% e 0,41% nas anteriores. No mês, faltando apenas uma semana para o fim de abril, registra alta de 3,34%, com avanço de 1,27% em 2021.

Câmbio

O dólar fechou a sexta-feira em alta, em um movimento de realização de ganhos, devolvendo parte da queda recente, mas acumulou baixa de 1,6% nos últimos cinco dias. Foi a quarta semana consecutiva de desvalorização ante o real, impulsionada pela maior propensão do investidor internacional a tomar risco, por conta das quedas das taxas de retorno dos juros longos americanos, o que tem trazido fluxo de capital externo para o país. A resolução do imbróglio do Orçamento, que já durava quase um mês, também teve peso decisivo na melhora do real. O dólar para junho fechou em alta de 0,48%, a 5,4775.

Embalado pelo capítulo virado do orçamento de 2021, investidores estrangeiros fizeram ontem forte redução de apostas compradas no mercado futuro da B3, que ganha com a valorização do dólar. Estas apostas foram cortadas em US$ 1,34 bilhão somente ontem, dia em que a moeda americana testou mínimas desde 25 de fevereiro, de acordo com números da B3 monitorados pela corretora Commcor. Nos últimos 5 dias até ontem, o saldo total destas operações caiu de US$ 32,3 bilhões para US$ 30 bilhões.

No exterior, uma combinação de taxas mais comportadas dos juros americanos e alguns dados melhores da economia europeia ajudaram a fortalecer o euro, fazendo assim o dólar perder força nos últimos dias, destaca o analista de mercados do Western Union, Joe Manimbo. Após indicadores de serviços e da indústria melhores que o previsto em abril na zona do euro, a moeda testou nesta tarde as máximas ante o dólar desde 3 de março, a US$ 1,21. O índice DXY, que mede a divisa dos EUA ante moedas fortes, acumula queda de 3% em abril e de 10% em 2021. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO 

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