Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

Bolsa fecha em alta de 1%, mas ações do Carrefour têm forte queda; dólar sobe

Papéis da varejista caíram mais de 5% após um fim de semana de protestos devido ao assassinato de João Alberto Silveira Freitas por seguranças de uma unidade da rede

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2020 | 09h09
Atualizado 23 de novembro de 2020 | 19h17

As ações do Carrefour fecharam em forte queda de mais de 5% nesta segunda-feira, 23, depois da morte por espancamento de um homem negro em uma loja da rede em Porto Alegre. O resultado contrariou o dia favorável da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que fechou em alta de 1,26%, aos 107.378,92 pontos, apoiada pelo bom humor diante de mais um resultado positivo na busca de uma vacina para o coronavírus. O dólar, no entanto, encerrou em alta de 0,88%, a R$ 5,4330, de olho no cenário fiscal do País.

Após um final de semana de protestos devido ao assassinato do soldador negro João Alberto Silveira Freitas por seguranças da varejista, o supermercado foi alvo de uma série de advertências, levando os papéis a fecharem em queda de 5,35%. O CEO global do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, pediu ao Carrefour Brasil "que seja realizada uma revisão completa das ações de treinamento dos colaboradores e de terceiros, no que diz respeito à segurança, respeito à diversidade e dos valores de respeito e repúdio à intolerância".

O crime também causou indignação em parte dos fornecedores. A fabricante de bebidas Ambev cobrou do Carrefour "medidas imediatas e efetivas" que impeçam novos episódios de discriminação. O empresário Abílio Diniz, membro dos Conselhos de Administração do Carrefour Global e do Carrefour Brasil, pediu à empresa para trabalhar "incansavelmente para que fatos trágicos como este jamais se repitam no Brasil".

Na Bolsa, porém, o dia foi favorável, apesar dos investidores ainda estarem receosos com o futuro das contas públicas do País. o fôlego do pregão de hoje foi a notícia da AstraZeneca, que informou que sua vacina contra a covid-19 apresentou, em média, 70% de eficácia e, em alguns casos, de 90% - a notícia anima, já que ela possui manejo logístico mais fácil e custo-benefício melhor do que as da Pfizer e da Moderna, que também tiveram resultados satisfatórios.

Além desse fator, a alta do mercado de Nova York ajudou ainda nos ganhos desta segunda, em um dia no qual os mercados da Ásia e Europa terminaram o dia sem sinal único. Nos EUA, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq somaram ganhos de 1,12%, 0,57% e 0,22%. Por lá, a chance de Janet Yellen ser nomeada por Joe Biden como secretária do Tesouro, a primeira mulher a assumir a função, animou.

No mês, o Ibovespa sobe 14,29%, limitando as perdas do ano a 7,15%. PetroRio fechou em alta de 7,64%, à frente de CSN, com 6,80% e BRF, com 5,91%. Petrobrás PN e ON subiram 6,13% e 4,86% cada, em sintonia com a alta do petróleo no exterior. Nesta segunda, WTI e Brent subiram 1,51% e 2,45% cada. Caíram também Pão de Açúcar, com 3,97% e Cielo, com 3,33%.

Câmbio

O dólar chegou até a cair pela manhã com a vacina para a covid, mas as preocupações fiscais tiveram peso mais determinante e a moeda americana voltou a subir ante o real, em dia também de altas nos emergentes, com a divisa da Turquia, outro país com problemas macroeconômicos, despencando mais de 3%. Na máxima do dia, a moeda bateu em R$ 5,45. O dólar para dezembro fechou com alta de 1,12%, a R$ 5,4410.

A falta de novidades concretas sobre o ajuste fiscal em discursos do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi recebida com desconforto pelas mesas de operação. Não caiu bem o fato do ministro ter se mostrado otimista sobre a pauta liberal. Para remediar, na parte da tarde, ele voltou atrás e disse que estava "frustrado" com o andamento das reformas e privatizações. "Até agora não houve anúncios oficiais sobre as medidas fiscais", observam os economistas do JP Morgan, ressaltando que o Congresso nem começou ainda a discutir o Orçamento de 2021.

"O mercado vai querer ver para crer. O governo tem que priorizar o fiscal, fazer alguma coisa entre dezembro e janeiro. O ideal seria em dezembro, mas está muito complicado", afirma o gestor e economista da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho. "Tem que ter alguma saída. Nas últimas semanas, basicamente o Congresso ficou parado", afirma ele, ressaltando que a briga para a presidente da Câmara e da Comissão Mista do Orçamento está atrasando o resto da agenda.

Pior que o real hoje no mercado internacional de moedas só a lira turca, onde o dólar disparou 3,2%. Traders dizem que hoje é um movimento de realização de ganhos, após as quedas recentes do dólar na Turquia, em meio a medidas de emergência, que inclui alta de taxa de juros e troca da equipe econômica para tentar estancar a piora da moeda. "A Turquia é hoje o ponto fora da curva nos emergentes", afirma o JP Morgan./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.