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Bolsa tem novo dia de recuperação e fecha em leve alta; dólar cai 0,4%

As pressões sobre a curva de juros, aqui e nos Estados Unidos, mantêm o apetite por risco na defensiva, com investidores monitorando o aumento da inflação no país americano

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 09h25
Atualizado 24 de fevereiro de 2021 | 19h20

Embora tímida, a Bolsa brasileira teve mais um dia de recuperação nesta quarta-feira, 24, depois do tombo de mais de 4% no começo da semana. Hoje, o índice fechou em leve alta de 0,38%, a 115.667,78 pontos, apesar do dia majoritariamente negativo para as ações de grandes bancos. Em Nova York, no entanto, o dia foi de ganhos, com Dow Jones batendo recorde. No câmbio, o dólar fechou em queda de 0,40%, a R$ 5,4207.

As pressões sobre a curva de juros, aqui e nos EUA, mantêm o apetite por risco na defensiva. Aqui, permanecem de pé os receios em torno da situação fiscal, e de certo não contribui a possibilidade de o Senado vir a desidratar a PEC Emergencial para aprovar apenas a autorização ao governo para a retomada do auxílio emergencial.

Lá fora, em contexto de política monetária bastante afrouxada e de novos estímulos fiscais a caminho, a perspectiva de inflação maior nos EUA, em meio a uma recuperação econômica que tende a ganhar ímpeto com o perceptível avanço da vacinação no país, mantém o título público de 10 anos em torno de 1,4%, criando algum desconforto. 

Hoje, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano)Jerome Powell, reafirmou a postura de apoio à recuperação do Fed e considerou que a inflação pode "subir um pouco no fim do ano, com a alta de gastos", mas em "movimento único". O presidente do BC ainda reafirmou que a instituição possui os instrumentos necessários para manter os juros no patamar almejado. O vice do Fed, Richard Clarida, também falou hoje. Ele disse não prever "pressões de altas sustentadas" e que o quadro na trajetória dos preços e no emprego segue "bem abaixo" do almejado pelo banco central. "Não acho que retomada significará inflação acima da nossa meta", considerou Clarida.

"O Fed deve continuar a dizer que a inflação é temporária. É provável que se tenha leituras mais altas nos próximos dois meses, mas se passar disso é provável que haja estresse no mercado", observa Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos. "As curvas de juros, no Brasil e nos EUA, refletem a cautela dos investidores. Aqui, o mercado parece estar ensaiando uma realização. O IPCA-15 mantém a possibilidade de aumento da Selic em março e se tem esta possibilidade de adiamento ou fatiamento do PEC Emergencial, o que não ajuda", diz Jefferson Laatus, estrategista -chefe do Grupo Laatus.

Assim, o dia foi negativo para as ações dos principais bancos do País. Bradesco, ItaúSantander Banco do Brasil tiveram quedas de 0,65%, 0,95%, 2,18% e 0,39%. Na contramão, as ações da Eletrobrás subiram 4,94%, ante a possível apreciação do projeto para a capitalização da estatal. Petrobrás também manteve sua trajetória de recuperação, com PN e ON em altas de 1,14% e 1,82% cada. Na semana, o Ibovespa cede 2,33%, mas avança 0,52% no mês - no ano, perde 2,81%.

Em Nova York, o dia foi de ganhos, principalmente após uma declaração favorável do presidente do Fed. O Dow Jones renovou máxima histórica de fechamento e subiu 1,35%, enquanto o S&P 500 teve alta de 1,14% e o Nasdaq, de 0,99%.

Câmbio

O dólar teve novo dia de queda ante o real, acompanhando uma melhora no ambiente de negócios doméstico, após um começo de semana tumultuado com os ruídos envolvendo a Petrobrás. Apesar do dia mais calmo hoje, o foco na política e na questão fiscal em Brasília prossegue nas mesas de operação, especialmente com chance de desidratação da PEC Emergencial. O dólar à vista encerrou a quarta-feira com queda de 0,40%, a R$ 5,4207. No mercado futuro, o dólar para março caiu 0,74%, A R$ 5,4030

analista de moedas e mercados emergentes do Commerzbank, You-Na Park-Heger, observa que após o episódio da Petrobrás, os participantes do mercado vão manter o olho aberto no noticiário político. Ao mesmo tempo, a dívida do governo em trajetória de alta pede reformas urgentes, mas o ceticismo aumentou nos últimos dias. Dados do Tesouro divulgados hoje mostram que a dívida pública federal fechou janeiro em R$ 5,009 trilhões.

O câmbio segue pressionado mesmo com a forte entrada de fluxo financeiro. Este mês, entraram US$ 4,412 bilhões por este canal até o dia 19, de acordo com dados divulgados hoje pelo BC. Mesmo com o fluxo, o dólar sobe 4,5% no ano ante o real, a pior moeda dos emergentes no período.

No exterior, o dólar perdeu força, tanto ante moedas fortes como nos emergentes. Neste último grupo, porém, operou misto, subindo ante a lira turca (0,91%) e caindo ante o peso mexicano (-0,47%) e o colombiano (-0,82%)./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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