Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar dispara a R$ 5,63 de olho em cenário econômico brasileiro; Bolsa cai 1%

Temor com o descontrole fiscal e os efeitos da pandemia na economia do País pesaram nos negócios desta quarta; no Ibovespa, alta das ações do Carrefour se destacou

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 09h16
Atualizado 24 de março de 2021 | 20h12

O dólar fechou em forte alta de 2,25%, a R$ 5,6396 nesta quarta-feira, 24, por temores domésticos ante as preocupações com o descontrole fiscal, os efeitos da pandemia na economia local e, do ponto de vista técnico, pela pressão por saída de recursos pela via financeira, de acordo com profissionais que acompanham o câmbio. Já a Bolsa brasileira (B3) fechou em queda de 1,06%, aos 112.064,19 pontos. Destaque para as ações do Carrefour, que anunciou hoje a compra do Grupo Big, ex-Walmart.

O real, que já desvalorizou cerca de 8% só neste ano, também seguiu em boa medida o caminho de seus pares de países emergentes, que perderam valor diante da divisa americana. Hoje, o dólar para abril fechou em alta de 1,78%, a R$ 5,6225. Para Otávio Aidar, estrategista-chefe e gestor de moedas da Infinity Asset, o País está em um momento complicado da pandemia e, com isso, voltam as preocupações sobre a trajetória fiscal e o aumento da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB), próxima de 100%.

"(Estamos) voltando para as mesmas discussões - já estão discutindo que precisamos de novo auxílio e nem foi pago o benefício ainda", disse logo após a notícia relatando que em carta aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), governadores de 16 Estados pedem que o Congresso disponibilize recursos necessários para que os valores da nova rodada do auxílio emergencial sejam superiores aos estabelecidos pelo governo federal em medida provisória, de R$ 175, R$ 250 e R$ 375. Eles falam em um valor de R$ 600.

Samar Maziad, vice-presidente da Moody's, em entrevista ao Estadão/Broadcast, disse que, mesmo que o Banco Central suba juros, segue a necessidade de consolidação fiscal, uma vez que, para ela, a lenta vacinação no Brasil pode elevar a demanda por gastos, tendo pressão negativa na nota de crédito do País. Ela afirmou ainda não estar segura de que haverá grandes progressos na reforma tributária ainda neste ano.

Nem mesmo a entrevista do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dizendo que a vacinação de 1 milhão de pessoas por dia é uma meta plausível, mudou o humor para aliviar o já combalido real. Ele também disse que ninguém quer o lockdown. 

De acordo com Aidar, o país está às vésperas de uma nova desaceleração da atividade econômica, só que, desta vez, com o Banco Central subindo juros. "Temos a moeda local muito mais depreciada do que deveria e, ao mesmo tempo, a dificuldade porque a inflação andou e isso por conta da depreciação cambial", disse, afirmando que o indicador da Asset indica que o real é a moeda que mais sofre na comparação com uma cesta de moedas emergentes.

Do ponto de vista técnico, Cleber Alessie Machado Neto, da mesa de câmbio da Commcor corretora, afirma que houve pressão de saída de recursos que, até o meio da etapa vespertina dos negócios foi um dos fatores preponderantes para a elevação do dólar. "Houve, de fato, indícios de saída de recursos. Tem havido saídas há alguns dias e o fluxo cambial pela via financeira reforça isso", disse. Hoje o Banco Central informou que entre os dias 15 a 19 de março, o fluxo financeiro foi negativo em R$ 2,495 bilhões. No mês, esse volume chega a R$ 3,650 bilhões.

Bolsa

O bom desempenho das ações de commodities, em dia de retomada acima de 5% nos futuros de petróleo, contribuía para que o Ibovespa firmasse alta e se reaproximasse dos 115 mil pontos no melhor momento da sessão, muito moderada a partir do meio da tarde e afinal devolvida na reta final, ante o avanço do dólar, que voltou a refletir incertezas sobre as contas públicas em meio à pandemia.

No mês, o índice ainda avança 1,84%, colocando as perdas do ano a 5,84%. A queda de hoje levou o Ibovespa ao menor nível de encerramento desde 9 de março, então aos 111.330,62 pontos. Na máxima do dia, o índice bateu nos 114,8 mil pontos. Em Nova York, o dia também sofreu reversão perto do fechamento, com o Dow JonesS&P 500 e Nasdaq em quedas de 0,01%, 0,55% e 2,01% cada.

Entre as ações, destaque para o salto de 13,65% dos papéis do Carrefour, após a aquisição do Grupo Big por R$ 7,5 bilhões, em uma transação que junta duas das três maiores empresas no setor de varejo alimentar do Brasil. Suzano teve ganho de 2,63, Vale, de 2,30% e Gol, de 2,46%. No lado oposto, IRB cedeu 6,20%, Via Varejo, 5,53%, e Magazine Luiza, 5,30%. /SIMONE CAVALCANTI, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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