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Bolsa fecha praticamente estável com aumento de tensão EUA-China; dólar fica a R$ 5,20

Sessão foi marcada pela decisão do governo chinês de ordenar o fechamento do consulado dos EUA em Chengdu, em retaliação aos americanos e prévia da inflação de julho

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2020 | 09h08
Atualizado 24 de julho de 2020 | 18h14

Com o cenário exterior incerto, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3fechou praticamente estável nesta sexta-feira, 24, com leve alta de 0,09%, aos 102.381,58 pontos. O dólar também ficou sem grandes surpresas, com baixa marginal de 0,15%, a R$ 5,2060. O cenário internacional foi o principal fator de instabilidade hoje, com os investidores de olho no aumento das tensões entre Estados Unidos e China. Dados da prévia da inflação de julho também chamaram a atenção.

O clima entre as potências se agravou após a decisão da China de ordenar o fechamento do consulado americano em Chengdu, no sudoeste do país asiático, após os Estados Unidos terem fechado uma representação diplomática de Pequim em Houston, no Texas. No centro da questão, há um impasse: EUA alega que o consulado em Houston era utilizado para espionar cidadãos americanos. Já os chineses acusam o corpo diplomático do país em Chengdu de interferir em questões internas da China.

Apesar de tudo, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, teve um dia relativamente estável, operando em boa parte do pregão com queda inferior a 1%. Além do cenário exterior, que preocupou no pregão de hoje, o analista Fernando Góes, da Clear, também define o atual momento do índice como um "movimento normal de realização de lucros", principalmente após ele ter tocado no patamar dos 105 mil pontos na última terça-feira, 21.

Com os resultados de hoje, a B3 termina a semana com leve perda de 0,49%, mas ainda sobe 7,71% no mês. No ano, ela cede 11,47%. Nesta sexta, ganhou destaque as ações da IRB, com alta de 6,42% e também da Gerdau e Suzano, com ganhos de 4,58% e 3,83% cada. Petrobrás PN e ON também subiram 0,71% e 0,43% cada, mas Vale caiu 0,42%.

Câmbio

O movimento de queda do dólar desta sexta acompanhou a tendência de cautela no mercado exterior, que levou a moeda a recuar para o seu maior nível desde setembro de 2018 perante a outras divisas fortes, com destaque para o euro. Com isso, o mercado doméstico, o dólar encerrou a semana com queda de 3,2%, na menor baixa semanal desde os últimos cinco dias de maio. Em julho, ele cede 4,2%.

Contudo, o real teve também um dia volátil, principalmente após a a alta de 0,30% em julho do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), que serve como prévia do indicador oficial de inflaçãoO dado divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez crescer no mercado a chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic, a fim de estimular a economia.

No mercado futuro, o dólar para agosto fechou com alta de 0,40%, a R$ 5,2340. Já o dólar turismo é cotado a R$ 5,45 nas casas de câmbio do País, segundo levantamento do Estadão/Broadcast.

Bolsas do exterior

O clima tenso entre as duas maiores potências do mundo ajudou a segurar os ganhos dos mercados internacionais, que fecharam em queda. Nem mesmo os dados positivos vindos da europa melhoraram o humor dos investidores. As vendas do varejo do Reino Unido saltaram 13,9% de maio para junho, enquanto o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do país subiu de 47,7 em junho para 57,1 em julho. No mesmo período, também subiram os PMIs da zona do euro, de 48,5 para 54,8 e o da Alemanhade 47 para 55,5.

Mesmo assim, o Stoxx 600 fechou com baixa de 1,70% na Europa. Já em Londres, a Bolsa caiu 1,41%, enquanto em Frankfurt, a queda foi de 2,02%. Já Paris teve recuo de 1,54%. MilãoMadri Lisboa cederam 1,85%, 1,22% e 1,02% cada.

Na Ásia não foi diferente, com os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto sofrendo tombos de 3,86% e 5%, enquanto o Hang Seng caiu 2,21% em Hong KongO sul-coreano Kospi recuou 0,71% e o Taiex registrou baixa de 0,88% em TaiwanA Bolsa japonesa não operou pelo segundo dia seguido devido a feriados. Na Oceania, a bolsa australiana cedeu 1,16%.

Como não podia ser diferente, as Bolsas de Nova York também cederam. O Dow Jones recuou 0,68%, o S&P 500 cedeu 0,62% e o Nasdaq caiu 0,94%. Na comparação semanal, os índices acionários registraram quedas de 0,76%, 0,28% e 1,33%, respectivamente. Por lá, as empresas de tecnologia voltaram a amargar perdas, após o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA confirmar que um painel antitruste vai ouvir os depoimentos de executivos de gigantes do setor.

Petróleo

O mercado de petróleo se descolou da tendência mundial de queda no final do pregão, para fechar com leve alta nesta sexta. Apesar do aumento das tensões entre as duas maiores potências do mundo preocupar os investidores, eles optaram por levar em consideração os dados positivos da economia europeia e apostar em uma retomada rápida da demanda.

Com isso, o WTI para setembro, referência no mercado americano, fechou em alta de 0,54%, a US$ 41,29 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, subiu 0,07%, a US$ 43,34 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE)./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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