Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

Vacina nos EUA e pacote do governo fazem Bolsa fechar aos 102 mil pontos; dólar cai a R$ 5,59

Animou a possibilidade dos EUA acelerar o processo regulatório da vacina contra a covid-19 e um novo pacote de medidas a ser anunciado pelo governo federal

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2020 | 09h07
Atualizado 24 de agosto de 2020 | 18h26

A chance de o governo dos Estados Unidos acelerar o processo de regulatório da vacina contra o coronavírus espalhou otimismo no mercado financeiro mundial, que se mantém em alta na tarde desta segunda-feira, 24. Ganhos foram registrados na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou em alta de 0,77%, aos 102.297,95 pontos, enquanto o dólar fechou com queda de 0,26%, a R$ 5,5918. Por aqui, o otimismo também ficou por conta de um novo pacote de medidas a ser anunciado pelo governo.

A chance de que a produção do antídoto contra a covid-19 seja acelerada, no entanto, não vem ao acaso. O presidente dos EUA, Donald Trump, quer que a vacina que está sendo desenvolvida no Reino Unido esteja disponível para a população americana antes das eleições presidenciais - em uma tentativa de reverter o favoritismo do democrata Joe Biden

Além disso, o lançamento de um novo programa do governo federal, que tem por objetivo estimular a economia, também foi bem recebido. Composto por medidas de incentivo, o pacote também deve vir acompanhado de medidas para corte de despesas e a criação do programa Renda BrasilO anúncio, no entanto, que estava previsto para a próxima terça-feira, 25, ficou sem nova data definida.

"Sem dúvida o mercado está muito mais ansioso pelas medidas de corte de despesas e atração de investimentos em vista da situação fiscal, e a garantia da manutenção do teto de gastos", diz Rafael Ribeiro, analista de ações da Clear. Nesse cenário, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçou que o controle dos gastos públicos é o que dará sustentação aos juros baixos. "Se afrouxarmos as regras fiscais vamos voltar aos problemas anteriores", afirmou. "O fiscal é importante, e é nosso lema atualmente."

Contudo, com o impasse em torno do lançamento do programa seguraram os ganhos do Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, que ainda assim conseguiu retomar o patamar dos 102 mil pontos. Com a sessão de hoje, a Bolsa acumula perda de 0,60% no mês e cede 11,54% no ano.

Em dia positivo para o petróleo - o Brent para outubro teve alta de 1,76%, a US$ 45,13 por barril e o WTI para o mesmo mês fechou em alta de 0,66%, a US$ 42,62 o barril -, as ações da Petrobrás encerraram em alta de 1,82% para a Pn e de 1,99% para a On. Vale também avançou 1,22%, Banco do Brasil subiu 2,70% e Bradesco teve ganho de 2,27%.

Câmbio

Em compasso de espera. Este foi o tom do movimento do dólar frente ao real na etapa vespertina dos negócios desta segunda-feira, um dia positivo para os ativos financeiros tanto no Brasil quanto no exterior. A divisa americana oscilou em leve baixa, em torno da estabilidade, indicando que os investidores operaram aguardando o pacote de estímulos econômicos prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas sem deixar o real ampliar valorização, com a cotação não se afastando muito da marca dos R$ 5,60

"O pacote de estímulos, por um lado é bom, mas por outro volta a gerar ruído sobre a ferida fiscal, com dúvidas sobre se o país terá robustez para levar adiante os estímulos", disse  Alexandre Almeida, economista da CM Capital.

Com os resultados desta segunda, o dólar acumula valorização de quase 40% neste ano. Já o dólar turismo, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, é cotado a R$ 5,80. Ainda hoje, o dólar para setembro encerrou em queda de 0,27%, a R$ 5,6135.

Bolsas do exterior

Nas Bolsas de Nova York, prevaleceu o otimismo com os EUA em busca de um antídoto para a pandemia. Por lá, o S&P 500 e o Nasdaq bateram novos recordes de fechamento. O Dow Jones terminou em alta de 1,35%, o S&P 500 subiu 1,00%, aos 3.431,28 pontos, e o Nasdaq avançou 0,60%, aos 11.379,72 pontos.

A notícia também animou o mercado europeu, onde o Stoxx 600 encerrou em alta de 1,58%. Também subiram as Bolsas de Londres, com alta de 1,71%, a de Paris, com ganho de 2,28% e a de Frankfurt, com ganho de 2,36%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 2,12%, 1,82% e 1,95% cada. 

Quem também foi favorecido pela informação foi o mercado asiático, onde os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,15% e 1,26% cada, o Hang Seng se valorizou 1,74% em Hong Kong e o japonês Nikkei subiu 0,28%. Já o sul-coreano Kospi teve alta de 1,10% e  o Taiex registrou ganho de 0,31% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana avançou 0,30%./LUÍS EDUARDO LEAL, MAIARA SANTIAGO E SIMOVE CAVALCANTI

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