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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Bolsa fecha com ganho de 1,3% e dólar recua a R$ 5,51 com aumento de otimismo

Mercado viu com bons olhos as falas dos presidentes dos BCs americano e brasileiro, que apontaram para uma recuperação econômica melhor que a esperada no Brasil e nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 09h09
Atualizado 24 de setembro de 2020 | 18h26

Declarações mais favoráveis vindas dos presidentes do banco central americano e do BC brasileiro ajudaram a dar novo fôlego para a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que conseguiu as perdas do pregão anterior e fechar com alta de 1,33%, aos 97.012,07 pontos, nesta quinta-feira, 24. A informação de que o Congresso dos EUA ainda vai tentar aprovar algum tipo de pacote de estímulos fiscais também aumentou o ânimo dos investidores e ajudou a diminuir a pressão sob o dólar, que hoje encerrou com queda de 1,37%, a R$ 5,5106.

Por aqui, o mercado viu como positiva a fala de Roberto Campos Neto. O presidente do BC disse hoje que a velocidade do processo de retomada do crescimento doméstico "indica que o Brasil está bastante acima da média de emergentes, tanto em 2020 como nas expectativas para 2021". A entidade também melhorou a projeção de queda do PIB em 2020, agora de 5% e trouxe previsão de alta de 3,9% para 2021 e reforçou a percepção de que a Selic deve continuar a 2% até o final do ano.

O discurso veio em sintonia com o de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), que também ajudou a aumentar o apetite por riscos. Mais cedo, ele disse que a inflação média dos EUA dá espaço para cortes de juros no futuro e também elogiou o ritmo de recuperação do país, que tem sido mais forte do que ele pensava. No entanto, ele também deixou no radar a preocupação com o aumento da inadimplência e reforçou a importância de se aprovar novas medidas de estímulos fiscais. 

O tema, no entanto, ainda deve encontrar algumas barreiras. Hoje, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, disse que espera "estar em breve à mesa" com a oposição republicana para debater novos estímulos. Contudo, o clima eleitoral polarizado nos EUA e a disputa sobre a sucessão da juíza Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte ainda impedem que um acordo aconteça no Congresso americano. Essa mesma tensão também segurou os ganhos do mercado acionário de Nova York, que conseguiu recuperar uma parte das perdas do pregão da última quarta-feira, 23. Hoje, Dow Jones fechou com alta de 0,20%, o Nasdaq teve ganho de 0,37% e o S&P 500 subiu 0,30%.

"O mercado continua muito sensível a notícias, boas ou ruins, que chegam dos EUA às vésperas da eleição, especialmente quanto à possibilidade de se definir um novo pacote de estímulos fiscais, com outra grande dúvida ainda pendente: a de como ficará a relação com a China. A tendência é de que a volatilidade persista", diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Aqui, em sintonia com a tensão pré-eleitoral dos EUA, os ganhos também ficaram mais contidos na B3, que chegou a subir mais de 2% na máxima do dia. Mesmo assim, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, conseguiu limitar as perdas da semana em 1,30% e as do mês em 2,37%. No ano, cede 16,11%. Entre as ações, predominou um ajuste técnico após as quedas do dia anterior, com destaque para o setor bancário: Itaú, Santander e Bradesco Pn tiveram altas de 2,45%, 2,73% e 1,90% cada. Entre as quedas, CSN caiu 1,80%, Suzano cedeu 1,35% e Localiza perdeu 1,66%.

Entre as commodities, Vale On caiu 0,84% após a alta de ontem, enquanto Petrobrás Pn e On subiram 0,72% e 0,84% cada. O resultado veio em sintonia com os preços do petróleo no exterior: o WTI para novembro fechou em alta de 0,95%, a US$ 40,31 o barril, enquanto o Brent subiu 0,41%, a US$ 41,94 o barril.

Câmbio

O dólar teve dia de forte oscilação hoje, batendo em R$ 5,62 pela manhã e caindo para R$ 5,49 na parte da tarde. Após subir por quatro pregões consecutivos, acumulando alta de quase 7%, hoje a moeda americana devolveu parte dos ganhos, com o real registrando o melhor desempenho ante a moeda americana, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas. Também causou certo alívio a informação de que os parlamentares dos EUA ainda não vão desistir de passar um novo pacote fiscal.

"No exterior, era o que o investidor queria ouvir, embora exista alguma distância entre a retórica e a prática. De qualquer forma, depois de tantas indicações do Fed de que os políticos precisam colocar dinheiro na mão dos consumidores para dar suporte à recuperação americana, é esperar agora para ver", diz um operador de renda variável. 

Ainda hoje, moedas que caíram forte recentemente, como a libra, o dólar canadense, o euro e o peso mexicano, tiveram um dia de recuperação. O dólar caiu na maioria dos emergentes. Na região, o dia foi de ações de política monetária. No México houve corte de juros, como o esperado, para 4,25% ao ano, mas na Turquia e na Hungria houve um inesperado aumento das taxas básicas, ajudando a enfraquecer a moeda.

Bolsas do exterior

O clima foi tenso no mercado asiático, com os investidores atentos ao aumento das tensões entre as Coreias, após a morte de um militar. Por lá, o Kospi caiu 2,59%, enquanto o japonês Nikkei cedeu 1,11% e o Hang Seng recuou 1,82% em Hong Kong. Taiex registrou queda de 2,54% em Taiwan e os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto tiveram baixas de 1,72% e 2,46% cada. A Bolsa australiana recuou 0,81%. 

No velho continente, pesou o avanço da covid-19 em países europeus. Com isso, o Stoxx 600 caiu 1,02%, enquanto a Bolsa de Londres cedeu 1,30%, a de Paris perdeu 0,83% e a de Frankfurt recuou 0,29%. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,12%, 0,16% e 0,93% cada. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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