Nicole Pereira/Nyse via AP
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Bolsa avança 2,2% e Dow Jones bate recorde com vacinas e transição nos EUA

Índice referência do mercado de Nova York fechou acima dos 30 mil pontos pela primeira vez na história; dólar encerrou em queda de 1,06%, a R$ 5,37

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2020 | 09h10
Atualizado 25 de novembro de 2020 | 23h17

O otimismo nos mercados globais com o avanço no desenvolvimento de vacinas contra a covid-19 e a notícia de que Donald Trump começou a abrir a Casa Branca para Joe Biden iniciar o processo de transição do governo, deram novo fôlego ao mercado nesta terça-feira, 24, dia em que o Dow Jones ultrapassou, pela primeira vez na história, a marca dos 30 mil pontos. O cenário de apetite aos riscos favoreceu também os ativos locais, com a Bolsa brasileira fechando em alta de 2,24%, aos 109.786,30 pontos e o dólar encerrando em queda de 1,06%, a R$ 5,3753.

Trump ainda não reconheceu a derrota, mas isso não impediu Biden e sua vice-presidente, Kamala Harris, de apresentaram hoje os primeiros nomes para compor o Gabinete da Casa Branca a partir de 2021, faltando apenas 57 dias para a posse. Eles não fizeram menção à escolha para o Tesouro, que deve ficar sob o comando da ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, que já defendeu a necessidade de mais estímulos para a economia americana. O processo de transição foi anunciado pelo atual presidente na última segunda-feira, 23, em sua conta no Twitter

A notícia, somada ao anúncio feito também na segunda pela AstraZeneca, de que sua vacina para a covid-19 possui eficácia de até 90%, animou os mercados. Na Europa, Londres, Paris e Frankfurt subiram 1,55%, 1,21% e 1,26% cada. Em Nova York, S&P 500 e Nasdaq ganharam 1,62% e 1,31%, enquanto o Dow Jones avançou 1,54% e fechou aos 30.046,24 pontos pela primeira vez na história. Perto do final do pregão americano, o Ibovespa subiu 2,40% na máxima do dia, chegando aos 109.956,18 pontos.

"Desde a eleição americana há um fluxo voltando para emergentes, especialmente de fundos passivos, como não se via faz tempo. Houve uma ausência longa dos estrangeiros nos mercados emergentes, o que se evidencia em suas moedas - todas sofreram, não apenas o real. Agora, para sustentarmos esse interesse ao longo do tempo, precisamos endereçar minimamente a questão fiscal: a agenda não pode ficar parada", aponta Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset

Com o desempenho desta terça-feira, o Ibovespa limita a retração no ano a 5,07%, com ganho de 16,85% em novembro, de longe o melhor do ciclo de recuperação iniciado em abril, então a 10,25%. Na semana, avança 3,53%. Após o fim do pregão de hoje, cresceram as apostas de que o índice chegue a 120 mil pontos ainda neste fim de ano, revertendo assim as perdas de 2020.

Nesta sessão, destaque para as ações de bancos, com Bradesco PN em alta de 4,49%, siderurgia, com ganho de 6,12% de Usiminas e especialmente shoppings, com MultiplanBR Malls subindo 7,16% e 7,07% cada. As commodities também foram beneficiadas, com alta de 4,92% de Vale ON e 5,34% de Petrobrás ON. Os bons resultados da estatal foram sustentados pelos ganhos do petróleo, com WTI para janeiro e Brent para o mesmo mês registrando altas de 4,29% e 3,90% cada e voltando ao valor de mercado de março.

Câmbio

Apesar do resultado favorável do mercado de câmbio, ele foi o menos influenciado pela euforia vista nas bolsas. Operadores destacam que o risco fiscal segue como principal limitador de uma valorização mais consistente do real mas, nesta reta final de novembro, há ainda a preocupação com a demanda forte por dólar pela frente, sensação agravada esta semana com o anúncio feito pela Petrobrás de que pretende recomprar ao redor de US$ 2 bilhões em bônus em meados de dezembro. No mercado futuro, o dólar para dezembro caiu 1,23%, a R$ 5,3740.

Com o aumento da procura por dólar após o anúncio da petroleira, o leilão de rolagem de linha do Banco Central hoje ajudou a aliviar a pressão pela moeda. A instituição vendeu a oferta total de US$ 1,26 bilhão em leilão de linha, que é a venda de dólares com compromisso de recompra. Com a venda, o dólar saiu das máximas do dia, a R$ 5,42.

O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, destaca que o risco fiscal é um limitador importante para a melhora do câmbio e o governo precisa demonstrar mais atividade para os projetos andarem no Congresso. Se persistir o quadro de indefinição sobre o ajuste fiscal, esse fluxo recente que entrou no Brasil sairá rapidamente, diz ele./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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