Aleksey Nikolsky/EFE/
Aleksey Nikolsky/EFE/

Dólar fecha em alta de 1% com avanço do conflito entre Rússia e Ucrânia; Bolsa sobe 1,4%

Chegada de militares russos em Kiev, capital ucraniana, preocupou investidores; apesar das tensões, mercados acionários de todo o mundo tentam reparar as perdas do dia anterior

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 10h43
Atualizado 25 de fevereiro de 2022 | 19h24

A invasão russa à Ucrânia, que completa o segundo dia, voltou a afetar os ativos locais nesta sexta-feira, 25. No câmbio, o dólar encerrou em alta de 0,99%, a R$ 5,1557 - apesar disso, a moeda acumula queda de 2,8% em fevereiro e de 7,54% no ano. Já a Bolsa brasileira (B3) conseguiu virar o sinal, em sintonia com o exterior, e terminou em alta de 1,39%, aos 113.141,94 pontos. No mês, o índice sobe 0,89%, e na semana, 0,23%.

Após a chegada de militares russos à capital Kiev, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, acenou até com a possibilidade de adotar um "status neutro", o que equivale a um abandono da ambição de entrar na Otan. Do lado russo, o Kremlin disse que o presidente Vladimir Putin pretende enviar delegação para conversar, mas exige que as Forças Armadas ucranianas se rendam. 

Apesar disso, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)Jens Stoltenberg, afirmou que os indícios são de que a Rússia busca mudar o governo democraticamente eleito de Kiev, e que o que está sendo observado no momento é uma "invasão completa da Ucrânia". Um alerta vermelho foi aceso na organização após a Rússia agora ameaçar a Finlândia e a Suécia contra a entrada na Otan, com a promessa de "sérias repercussões militares e políticas".

Uma nova rodada de sanções foi aplicada hoje pela União Europeia, que bloqueou os bens de Putin e de Serguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo. O presidente ucraniano, porém, pede ações mais rápidas e contundentes para punir a invasão russa. Entre elas, estaria a exclusão da Rússia do sistema global de pagamentos interbancários Swift. A medida não encontra unanimidade na Europa, mas o ministro das Relações Exteriores italiano disse hoje que o país apoiará a punição.

Apesar de sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, explica que não é só o país que tende a sofrer, mas também muitos outros. "A Europa já tem uma pressão inflacionária forte e pode ter problemas por causa de medidas no setor de energia", avalia.

Com o aumento das incertezas em todo o mundo, a tendência é que os investidores ampliem a compra de dólar. Por aqui, a moeda bateu em R$ 5,1802 na mínima do dia. O real ficou com o título de divisa emergente de melhor desempenho tanto em fevereiro quanto no ano, diante de forte fluxo de recursos para ativos domésticos e de ausência de notícias negativas no cenário político.

No exterior, o índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante uma cesta de seis rivais fortes, caiu 0,54%. O dólar também cedeu frente a divisas de países emergentes e exportadores de commodities, incluindo rublo, peso chileno e rand sul-africano. 

Segundo Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, o sinal negativo no mercado nacional também é por conta do feriado do carnaval, com as negociações sendo retomadas apenas perto das 13 horas na quarta-feira de Cinzas. "É um pouco de busca por segurança. No Brasil serão cinco dias com os mercados fechados. É muito tempo. E tem a tensão geopolítica", afirma.

Bolsas

Apesar da preocupação do mercado, o dia foi de recuperação para boa parte dos mercados acionários, após as perdas do dia anterior. Para os investidores, a percepção é de que uma saída pacífica ainda é possível, após os governos russo e ucraniano sinalizarem que estão abertos ao diálogo. Em Nova York, o Dow Jones subiu 2,51%, o S&P 500, 2,24%, e o Nasdaq, 1,64%. No ano, sobe agora 7,94%.

As Bolsas da Europa fecharam em alta, com o índice Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, em alta de 3,32%. Já Londres teve ganho de 3,91%, Alemanha, de 3,67% e Paris, de 3,55%. Na ÁsiaTóquio avançou 1,95% e Seul, 1,06%. Já os contratos de petróleo aliviaram os ganhos, após bater em US$ 100 ontem. O Brent recuou 1,36%, a US$ 94,12, enquanto o WTI cedeu 1,31%, a US$ 91,59.

Em sintonia com o exterior, o dia foi positivo para as ações do Ibovespa, que ainda acumula alta de 7,94% no ano. Entre os destaques, estão Vale, em alta de 5,41% após divulgar balanço no dia anterior, e Petrobras ON e PN, com altas de 1,85% e 1,83% cada. As ações de grandes bancos tiveram desempenho ao final também integralmente positivo, entre ganhos de 0,29% para Bradesco e de 2,04% para Itaú. Na siderurgia, o desempenho foi forte nesta sexta-feira, com CSN, em alta de 6,81%, Gerdau, de 4,86% e Usiminas, de 3,23%.

"Depois do choque de ontem, o mercado lá fora está mais positivo, com as Bolsas esboçando uma reação. Mas ainda há muita incerteza. Não se sabe o quanto essa guerra pode gerar retração para a economia global. A pressão sobre commodities acaba gerando mais expectativa de inflação, que já vem causando problemas", diz Velloni, que vê a possibilidade de que parte de recursos de investidores estrangeiros que seriam direcionados para a Rússia possam, diante das sanções impostas pelo Ocidente, acabar vindo para o Brasil. /ANTONIO PEREZ, LUIS EDUARDO E MAIARA SANTIAGO

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