Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa avança 1,5% com alta em Nova York e análise do Orçamento no Congresso; dólar sobe 0,5%

Apesar da tentativa do PSOL de adiar a votação, o presidente do Senado continuou com a análise do texto; nos EUA, Biden dobrou a meta de vacinação, notícia bem recebida por investidores

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2021 | 09h30
Atualizado 25 de março de 2021 | 18h17

A Bolsa brasileira (B3) fechou em forte alta de 1,5%, aos 113.749,90 pontos nesta quinta-feira, 25, após uma manhã volátil e as perdas da véspera, apoiada pelo bom desempenho do mercado de Nova York e também pelo andamento da análise do texto do Orçamento de 2021, que deverá ser aprovado ainda hoje no Congresso. No câmbio, porém, o dólar encerrou em alta de 0,55%, a R$ 5,6705.

No Senado, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), negou recurso do PSOL para adiamento da votação em plenário, para que se tivesse acesso ao texto aprovado hoje na Comissão Mista de Orçamento. Assim, Pacheco mantém em ansamento a votação em plenário.

No texto, o relator Marcio Bittar já cancelou R$ 26,46 bilhões em despesas públicas. A tesourada maior foi feita nas despesas obrigatórias de Previdência Social, no valor de R$ 13,5 bilhões. Já a Comissão Mista de Orçamento (CMO) reduziu de R$ 2 bilhões para apenas R$ 71,7 milhões o orçamento para o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a realização do levantamento censitário em 2021 ficará inviabilizada.

Já nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden decidiu dobrar a meta de vacinação no país, para 200 milhões, nos primeiros 100 dias de seu mandato, após cumprir o primeiro objetivo (de 100 milhões de doses aplicadas) seis semanas antes do inicialmente previsto. O democrata também afirmou que planeja ser candidato à reeleição em 2024. A nova meta fez virar o sinal de Nova York, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fechando em altas de 0,62%, 0,53% e 0,12%.

A notícia também ajudou o Ibovespa, que bateu nos 114 mil pontos na máxima - saindo dos 110 mil pontos na mínima, em um dia no qual os índices do exterior foram fortemente impactados pelo avanço da covid-19 no continente europeu. Na semana, o índice ainda cede 2,13%, colocando os ganhos do mês a 3,38% - no ano, perde 4,43%.

Hoje, as ações da Petrobrás, que acompanharam ontem a perda de fôlego dos componentes do Ibovespa, tiveram recuperação hoje, com a PN em alta de 1,67% e a ON, de 1,91%, no fechamento. Destaque também para os bancos, com Itaú e Bradesco em altas de 1,77% e 2,23%. Eletrobrás ON subiu 4,96%, reagindo bem à indicação do próximo presidente da empresa.

"Por mais que o processo seja questionado e visto negativamente pelo mercado, a indicação de um nome técnico e que possui um bom trânsito no meio político eleva o humor dos analistas para que possa ocorrer a capitalização da companhia (Eletrobrás)", aponta a Ativa Research.

No cenário macro, o relatório trimestral de inflação, divulgado nesta manhã, mantém a perspectiva pró-juros altos já expressada no comunicado sobre a decisão de política monetária da semana passada, e especialmente na ata do Copom. O dia também reservou novos comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, em geral bem recebidos pelo mercado.

"O presidente do BC disse que, embora a mudança (na Selic) tenha começado na última reunião do Copom, a taxa básica de juros não deixaria de ser estimulativa", observa em nota Heloïse Sanchez, analista da Terra Investimentos. Por sua vez, "Guedes afirmou que além do auxílio emergencial, assim que o Orçamento for aprovado, irá antecipar diversos benefícios, na ordem de R$ 50 bilhões, para ajudar na 'guerra' contra a pandemia."

"No começo da tarde, Campos Neto afirmou que o Copom não subirá a Selic a ponto de deixar de estimular a economia e deu a entender que o mercado está exagerando no ritmo de alta. A partir de agora, o BC e o mercado vão precisar ponderar aumento global da inflação - que, aparentemente, não irá dar trégua no curto prazo - e a perspectiva de crescimento para o Brasil, que segue em queda com o avanço da pandemia", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Câmbio

O dólar passou a etapa vespertina dos negócios pressionado, mais perto das máximas da sessão (R$ 5,68), indicando o sentimento de cautela dos investidores pelo aumento da tensão política e com preocupações sobre o quadro fiscal diante de pressões por mais gastos para enfrentar a grave pandemia no Brasil - e que podem colocar novamente o teto de gastos em risco. Além disso, especialistas em câmbio disseram que também pesou a indicação do presidente do BC, Campos Neto, de que o nível do câmbio não influencia a autoridade monetária a fazer um ajuste nos juros maior ou menor.

Para Vanei Nagem, gestor de câmbio da Terra Investimentos, o cenário político está muito ruim e o temor que deixa os investidores ressabiados é que o presidente Jair Bolsonaro perca a governabilidade para o Centrão. Após o discurso de ontem do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), dando demonstração de "insatisfação" em relação à condução da crise sanitária pelo governo, hoje o presidente do Senado cobrou mudanças na política do Ministério de Relações Exteriores (MRE) depois de depoimento do chanceler Ernesto Araújo aos senadores na quarta-feira.

Segundo o professor, trader e sócio-fundador do Projeto 10% escola de traders, André Machado, se o dólar passar de R$ 5,70, o próximo alvo é R$ 5,90. "Um farol amarelo grande foi aceso ontem com as declarações de Lira. Há incertezas políticas crescendo a olhos vistos", disse.

Ao mesmo tempo, moedas de emergentes pares do real seguiram desvalorizadas frente ao dólar durante a sessão, com destaque para a lira turca, frente a qual o dólar subia 0,56%. Por aqui, a moeda para abril fechou com alta de 0,43%, a R$ 5,6465. /LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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