Carolina Antunes/PR
Carolina Antunes/PR

Bolsa fecha em leve queda com divergências no Renda Brasil; dólar cai e fica a R$ 5,52

Preocupou o investidor a falta de consenso entre Guedes e Bolsonaro, que ainda não conseguiram estabelecer o valor do benefício do programa que irá substituir o Bolsa Família

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 09h08
Atualizado 25 de agosto de 2020 | 18h14

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, foi na contramão do movimento de alta visto na última segunda, para fechar com recuo de 0,18%, aos 102.117,64 pontos nesta terça-feira, 25, após impasses em torno do valor do Renda Brasil aumentarem o temor com as questões fiscais do País. O dólar, no entanto, foi beneficiado por um forte movimento de venda da moeda e terminou o dia com queda de 1,16%, a R$ 5,5272.

Por aqui, o desconforto fiscal segurou os ganhos da Bolsa, em meio às negociações para criação do programa Renda Brasil, principal item do pacote social do governo e que já teve seu anúncio adiado. O presidente Jair Bolsonaro, segundo fontes, achou muito baixo o valor médio de R$ 247 proposto pelo Ministério da Economia

Já o ministro Paulo Guedes disse ao presidente que R$ 300 é possível, desde que haja um corte nas deduções do Imposto de Renda. "Está todo mundo de olho no Renda Brasil e, a depender do valor que terá, o efeito sobre as contas públicas, sobre o Orçamento de 2021. O Guedes está nesta situação complicada, de prover recursos a partir de remanejamentos, porque não há espaço para mais impostos, o Congresso não aceitaria, nem a sociedade", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

Neste contexto de incerteza o Ibovespaprincipal índice de ações do mercado brasileiro, tem se mantido ao longo da maior parte do mês em faixa curta, sem fôlego para se desvencilhar da estreita margem de 101 a 102 mil pontos que tem prevalecido nos fechamentos desde o último dia 11. Com os resultados de hoje, ele acumula perda de 0,77% em agosto e cede 11,70% em 2020. Na semana, avança 0,59%.

Nesta terça, Itaú Unibanco fechou em baixa de 0,74% e o Santander caiu 0,72%. Na ponta negativa, destaque para Braskem, com queda de 3,51%, Cielo, com baixa de 3,38% e JBS, com recuo de 3,02%. Entre as commodities, destaque para queda de 2,13% em Vale, em dia no qual o preço do minério na China caiu 1,79%, em meio à recuperação gradual da oferta.

Petrobrás teve quedas menores na sessão, de 0,44% na Pn e de 0,47% na On - resultado que veio descolado dos preços do petróleo no exterior, com o WTI para outubro tendo alta de 1,71%, a US$ 43,35 o barril e o Brent para o mesmo mês subindo 1,62%, a US$ 45,86 o barril.

Câmbio

O dólar apresentou forte inversão de direção na etapa vespertina dos negócios, o que trouxe a divisa para R$ 5,5147 na mínima, em meio a um fluxo vendedor que abriu espaço para movimento de realização de lucros da moeda - que, ainda marcada pela alta volatilidade, no pregão de hoje mais cedo esticou até a marca dos R$ 5,6149 na máxima do dia.

"Foi um movimento ligado à moeda, e, não, a notícias, uma vez que não houve mudanças na direção da Bolsa", ressaltou Daniel Miraglia, especialista em mercados de capital global da Omninvest. Já de  acordo com Cleber Alessie Machado Neto, da Commcor corretora, um fluxo de venda teve início no meio da tarde e puxou a realização de lucros dos investidores. "Quando vem o fluxo de venda, investidores aproveitam para deixar cair, recomprar e otimizar suas posições", disse .

Bolsas do exterior

Em Nova York, as Bolsas fecharam sem sinal único, em parte motivadas pelo diálogo entre autoridades da China e Estados Unidos para a realização da parte 1 do acordo entre as duas potências. Com isso, Nasdaq ganhou 0,76% e o S&P 500 o S&P 500 teve alta de 0,36%. Já o Dow Jones encerrou em baixa de 0,21%, após o índice de confiança do consumidor cair na comparação entre julho e agosto nos EUA.

Já no velho continente o dia foi de quedas generalizadas, apesar da abertura favorável dos mercados europeus. Por lá, os índices devolveram os ganhos, com o sinal misto vindo de Nova YorkStoxx 600 fechou em queda de 0,30%, enquanto a Bolsa de Londres caiu 1,11% e a de Frankfurt recuou 0,04%, mas a de Paris subiu 0,01%. Em Milão, Madri Lisboa as quedas foram de 0,41%, 0,01% e 1,06% cada.

No mercado asiático, nem mesmo a notícia do acordo ajudou a melhorar o desempenho misto dos índices, com os chineses  Xangai Composto tendo queda de 0,36% e o Shenzhen Composto encerrando com leve alta de 0,11%. O japonês Nikkei subiu 1,35%, o sul-coreano Kospi avançou 1,58% e o Taiex registrou ganho de 0,88% em Taiwan. Já o Hang Seng caiu 0,26% em Hong Kong, enquanto a Bolsa australiana avançou 0,52%./LUÍS EDUARDO LEAL, MAIARA SANTIAGO E SIMONE CAVALCANTI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.