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Bolsa fecha praticamente estável e tem quarta semana de queda; dólar fica a R$ 5,55

Apesar da alta em Nova York, o Ibovespa fechou com perda marginal de 0,01% devido à falta de catalisadores e a queda de ações de grande peso no índice

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2020 | 09h05
Atualizado 25 de setembro de 2020 | 18h19

Apesar da alta acentuada no mercado acionário de Nova York, a Bolsa de Valores de Paulo, a B3, terminou o dia praticamente estável, com queda de 0,01%, aos 96.999,38 pontos nesta sexta-feira, 25. Na sessão de hoje, o índice foi pressionado pelo recuo das ações de grande peso e acabou por terminar com perda semanal pela quarta vez seguida. Já o dólar seguiu o tom de cautela vindo do exterior e acabou por fechar em alta de 0,81%, a R$ 5,5553.

Nesta sexta, com poucos catalisadores disponíveis para orientar os negócios, os investidores pareciam, mais cedo, que colocariam no bolso parte da recuperação de ontem, quando a Bolsa avançou mais do que Nova York. Com isso, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, encerrou a semana com perda de 1,31%. Esta foi a primeira vez desde o intervalo entre 17 de fevereiro e 20 de março, no auge da correção pandêmica, quando o índice da B3 encadeou cinco semanas negativas e teve perda de 18,88% no período. No mês, ela cede 2,38%, elevando as perdas no ano a 16,12%.

Contribuindo para neutralizar as perdas do dia na B3, os índices americanos mantiveram sinal positivo: Dow Jones fechou com alta de 1,34%, S&P 500 avançou 1,6% e o Nasdaq teve forte ganho de 2,24%. Dow Jones e S&P 500, assim como a B3, também terminam sua quarta semana consecutiva de perdas, com quedas de 1,75% e de 0,63%. Já o Nasdaq encerra com ganho de 2,26%.

"No intradia, o Ibovespa foi hoje ao menor nível da semana (95.631,74), que passa a ser observado como referência de suporte para a próxima. A semana começou com a perda da linha de 97,5 mil, levando o índice à região dos 96 mil. Se perder os 95,6 mil, os suportes seguintes estão aos 95,0 e 93,8 mil. No lado oposto, há resistência importante aos 98,3 mil que, rompida, pode levar o índice de volta aos 100,5 mil pontos", observa Rodrigo Barreto, analista gráfico na Necton. "Há muita fraqueza ainda (para uma reação sustentada), especialmente nas ações de bancos."

Nos EUA, as incertezas ante a aprovação de novas medidas de estímulos fiscais também preocupam. "O otimismo que resultou do reinício das negociações entre democratas e republicanos está desaparecendo rapidamente. Os democratas reiniciaram as negociações com proposta de US$ 2,4 trilhões em estímulos, quase US$ 1 trilhão a mais do que o presidente Donald Trump estaria disposto a apoiar", observa em nota Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York.

Por aqui, o dia também foi majoritariamente negativo para segmentos de maior peso. Entre os bancos, Santander caiu 0,87%, na siderurgia, Usiminas perdeu 1,25% e entre as commodities, Petrobrás Pn e On caíram 1,32% e 1,05% cada. O resultado veio em sintonia com os preços do petróleo no exterior: hoje, o WTI para novembro encerrou em baixa de 0,14%, em US$ 40,25 o barril, com perda semanal de 2,59%. O Brent para o mesmo mês recuou 0,05%, a US$ 41,92 o barril, cedendo 2,85% na semana. No lado oposto, destaque para Suzano, com alta de 4,65%, Via Varejo, com 3,99% e Vale On com 1,01%.

Câmbio

O dólar fechou a semana acumulando valorização de 3,3%, a terceira semana seguida de ganhos. Marcada por intensa volatilidade, a moeda americana chegou a cair para R$ 5,38 na mínima dos últimos dias e a bater em R$ 5,62 na máxima. Hoje, o dólar para outubro encerrou com alta de 0,97%, a R$ 5,5635. O exterior foi o principal fator a afetar as cotações, com o crescimento de casos de covid-19 na Europa e a falta de acordo nos Estados Unidos para aprovar um pacote de socorro fiscal, estimulando a busca por proteção na divisa americana. 

O dólar subiu de forma generalizada no mercado financeiro mundial, atingindo os níveis mais altos em dois meses perante algumas moedas, como o euro, a libra e o dólar canadense. No câmbio, o "dólar foi o único vencedor", comentam os estrategistas de mercados do Swissquote Bank. O índice DXY, que mede a força da moeda americana ante outras divisas fortes, operava em alta de 0,30%, aos 94,6 mil pontos. Por aqui, na máxima do dia, o dólar era cotado a R$ 5,5884

Entre as seis moedas de países emergentes com pior desempenho no mercado financeiro mundial nesta semana, três são da América Latina: peso mexicano, real e peso colombiano. "A recente queda no apetite por risco do investidor mundial, por causa do temor de uma segunda onda de covid e da redução da chance de suporte fiscal adicional nos EUA, colocou as moedas da América Latina na linha de fogo", comenta o economista para a região da consultoria inglesa Capital Economics, Nikhil Sanghani.

Mas a Europa também pode sentir o peso do dólar nas próximas semanas. Com os casos de coronavírus em rápido crescimento na França e Espanha, já há casas de câmbio prevendo que o euro pode cair para baixo de 1,15 por dólar nos próximos dias.

Bolsas do exterior

O dia foi novamente de queda no velho continente, com os investidores atentos ao aumento dos casos de covid-19 na região, que pode resultar em novos bloqueios e medidas de isolamento. Com isso, o Stoxx 600 encerrou hoje em baixa de 0,10%, enquanto Frankfurt caiu 1,09% e Paris recuou 0,69%. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 1,10%, 0,23% e 1,33%. Por lá, apenas Londres foi na contramão e fechou com alta de 0,34% - no entanto, todas as bolsas europeias tiveram baixas no acumulado da semana.

A sessão foi majoritariamente de perdas também na Ásia, que ficou atenta ao coronavírus na Europa. Os chineses Xangai Composto Shenzhen Composto caíram 0,12% e 0,23% cada, enquanto o Hang Seng caiu 0,32% em Hong Kong e o Taiex registrou baixa de 0,26% em Taiwan. Por lá, subiram o japonês Nikkei, com 0,51% e o sul-coreano Kospi, com 0,27%. A bolsa australiana também fechou com alta de 1,51%.


/LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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