Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Com ajuda do mercado de Nova York, Bolsa avança 2,3% e dólar cai a R$ 5,55

Ibovespa se apoiou no desempenho recorde da Bolsa americana para tentar apagar as perdas da semana anterior, quando caiu 7,28%; alta das ações da Petrobras ajudaram a Bolsa hoje

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2021 | 14h40
Atualizado 25 de outubro de 2021 | 18h16

Após ter terminado a semana anterior com o quarto pior resultado a série histórica, a Bolsa brasileira (B3) se apoiou no desempenho de Nova York nesta segunda-feira, 25, para começar a semana com o pé direito, em alta de 2,28%, aos 108.714,55 pontos - bem perto da máxima do dia, quando subiu aos 109,3 mil pontos. No câmbio, o dólar também deu uma trégua ante o real e fechou em baixa de 1,27%, a R$ 5,5557.

No exterior, as Bolsas de Nova York fecharam em alta nesta segunda, com os índices S&P 500 e Dow Jones renovando seu recordes históricos de fechamento. O primeiro foi impulsionado pela disparada da ação da Tesla, que atingiu hoje a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. O índice Dow Jones teve ganhos de 0,18%, o S&P 500 avançou 0,47% e o Nasdaq teve alta de 0,90%. 

O dia também foi positivo para o mercado asiático, com os índices chineses de Xangai e Shenzhen registrando altas de 0,76% e 0,85% cada, apesar da China ter registrado um novo surto de covid. Na Europa, Londres subiu 0,11% e a de Frankfurt, 0,36%.

Além do exterior, desde a manhã, o desempenho do Ibovespa foi impulsionado pelas ações da Petrobras, com a ON em alta de 6,13%, e PN, de 6,84%, segurando a ponta positiva do índice, em movimento conduzido a princípio por novo reajuste de preços tanto na gasolina como no diesel, a partir desta terça-feira, 26. A informação de que o governo estuda vender ações e perder maioria na estatal, segundo a CNN, contribuiu para que as ações da empresa acentuassem a alta depois do meio da tarde, levando o Ibovespa acima dos 109 mil pontos nos melhores momentos da sessão.

"Com os investidores em busca de pechinchas após a derrocada recente e a forte alta das ações da Petrobras, o Ibovespa retornou para a faixa de 109 mil pontos", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, destacando também a queda do dólar na sessão (-1,27%, a R$ 5,5557 no fechamento), em dia de moderado avanço para o petróleo no exterior. Além de Petrobras, outro setor de peso, a siderurgia, esteve entre os campeões do dia, com ganhos de até 5,13% para Metalúrgica Gerdau na sessão, com alívio nos preços das commodities metálicas em meio ao refluxo dos temores quanto ao setor imobiliário chinês, acrescenta Ribeiro.

O Ibovespa, que caiu 7,28% na semana anterior, seu pior desempenho desde março de 2020 - correspondente ao auge do temor pandêmico -, subiu aos 109.358,52 pontos na máxima do dia. No mês, o índice limita a perda a 2,04% - no ano, ainda cede 8,66%.

"A semana é recheada de eventos no Brasil, com destaque para o Copom e dados de emprego - Caged, Pnad - além de números sobre a inflação, como IPCA-15, IGP-M. Houve mudança radical para o Copom de outubro, na semana passada, saindo de 90% de possibilidade para alta de 1 ponto porcentual para a faixa de 15%", diz João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos. Tal expectativa maior para a Selic em outubro contribuiu para colocar o setor de bancos, ainda muito descontado no ano, em alta de até 2,08% para Banco do Brasil ON para as maiores instituições, no fechamento de hoje.

"Embora ainda haja tensões a respeito do risco fiscal, assim como o futuro do teto de gastos, segue também no radar dos investidores a posição do Banco Central com a Selic na quarta-feira após o fechamento do mercado", observa em nota a Terra Investimentos. Diante da recente sinalização sobre o fiscal, a expectativa é de que a decisão e a mensagem do BC sejam mais enfáticas com relação à meta do próximo ano e a trajetória da taxa básica de juros: a expectativa é de que o aumento da Selic seja de 1,25 ou mesmo de 1,50 ponto porcentual nesta quarta-feira.

De acordo com o Projeções Broadcast, 36 de 43 instituições financeiras, o correspondente a 84% da amostra, esperam alta da Selic de 1,25 ponto porcentual ou mais nesta reunião de outubro.

"O cenário ficou bem conturbado na semana passada por conta da flexibilização do teto de gastos, com muitos resultados corporativos importantes nesta semana, entre as quais blue chips. Para o Copom, a alta de 1 ponto estava precificada na ata, porém agora, com esse quadro fiscal novo, espera-se aumento de 1,25 a 1,50 ponto porcentual, com estimativa de juros já próxima a 11% para o ano que vem, como forma de conter a inflação, trazendo também algum estímulo para o estrangeiro", diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

Câmbio

A ausência de surpresas negativas vindas de Brasília e o ambiente externo de apetite por ativos de risco abriram espaço para que dólar recuasse no pregão desta segunda, em um movimento de correção após a alta de 3,16% na semana passada, quando chegou a ser negociado acima de R$ 5,70 diante da proposta de mudança do teto de gastos e de rumores de saída de Paulo Guedes do ministério da Economia.

Afora uma leve alta logo na abertura dos negócios, o dólar operou em queda durante todo o dia, rompendo o piso de R$ 5,60 ainda pela manhã. Ao longo da tarde, em meio à renovação de recordes das Bolsas em Nova York e aceleração dos ganhos do Ibovespa, a moeda americana registrou sucessivas mínimas, descendo até R$ 5,5377, recuo de 1,59%. Em outubro, a moeda sobe 2,01%.

No exterior, o índice DXY - que espelha a variação do dólar frente a seis divisas fortes - operou em leve alta, mas a moeda americana recuou em relação à maioria dos emergentes, com destaque para o peso chileno, o rand sul-africano e a lira turca. O real, que tanto apanhou na semana passada, hoje foi o destaque do pelotão. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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