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Dólar recua para R$ 5,32 e Bolsa sobe 0,3% antes do feriado de Ação de Graças

Entrada de capital externo deu força para os ativos locais e permitiu que real e Ibovespa fechassem com ganhos, apesar do mau humor visto em Nova York

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2020 | 09h05
Atualizado 25 de novembro de 2020 | 19h41

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, inverteu o sinal e fechou com alta de 0,32%, aos 110.132,53 pontos, renovando o melhor nível de fechamento desde 21 de fevereiro, então acima dos 113 mil pontos. O bom humor foi na contramão do clima misto de Nova York, onde os índices realizaram lucros antes do feriado de Ação de Graças. Hoje, a entrada de capital externo no País deu força aos ativos locais, apesar da cautela vista no mercado externo, e fez o dólar encerrar em baixa de 1,03%, a R$ 5,3203.

Dados do Banco Central mostram que, somente este mês, já entraram US$ 5,6 bilhões para os mercados de Bolsa e renda fixa, o que ajuda o dólar a acumular queda de 7,3%. Se novembro terminasse hoje, seria o maior recuo mensal em dois anos. Neste ambiente, investidores estrangeiros ontem passaram a ficar vendidos em dólar futuro na Bolsa, ou seja, apostando na queda da moeda americana ante o real. 

"O quadro global é positivo para o risco. Estamos em um mundo mais favorável do ponto de vista econômico", disse o diretor da gestora SPX Capital Rogério Xavier em evento virtual hoje. Nesse ambiente, o dinheiro tem voltado para os mercados emergentes, mas o Brasil tem seus próprios problemas. Mesmo assim, ele considera que o governo tem chance de aproveitar esse cenário externo mais favorável e tentar encaminhar uma solução para os problemas fiscais, que colocaram o País "à beira do abismo", mesmo termo usado pelo banco americano JP Morgan para descrever a situação do País.

Desde abril, os estrangeiros têm mantido posições majoritariamente compradas em dólar futuro na B3, em meio aos crescentes problemas fiscais do Brasil e ao diferencial de juros muito baixo em relação ao resto do mundo, destaca um gestor paulista. A dúvida, questiona este executivo, é se o movimento observado ontem será consistente, na medida em que o ajuste fiscal no Brasil não dá sinais de avançar. "Precisamos de fatos concretos, não só palavras", disse Xavier.

O diretor e sócio-fundador da gestora Kapitalo, Carlos Woelz, afirma que o governo precisa apresentar um cronograma de medidas para enfrentar o problema fiscal e reduzir a incerteza dos agentes. Por enquanto, disse ele no mesmo evento que Xavier, da Empiricus e Vitreo, o governo só tem usado a retórica. "Paulo Guedes não para de falar, nunca vi tanto nas últimas semanas. Não adianta nada Guedes comunicar várias vezes para dizer a mesma coisa. Ao invés de falar de cabotagem, é preciso falar da trajetória da dívida." Ainda hoje, o dólar para dezembro encerrou em baixa de 0,92%, a R$ 5,3245.

Bolsa

"O fluxo continua ditando esta recuperação, que coloca o Ibovespa entre os destaques dos emergentes em novembro, sem mudança nos fundamentos. É preciso ver até onde irá o fluxo, tem que esperar um pouco mais para ver como ficará", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

Na máxima de hoje, o Ibovespa foi aos 110.595,81 pontos, melhor nível para um dia desde 26 de fevereiro, enquanto Nova York recuava. Ao final, Dow Jones cedeu 0,58%, após ter tocado e superado os 30 mil pontos pela primeira vez no dia anterior, com S&P 500 também em baixa de 0,16%. Já o Nasdaq avançou 0,48%. Na semana, o Ibovespa sobe 3,86% e, no mês, 17,22%, limitando a perda do ano a 4,77%.

"O fluxo estrangeiro se concentra nas grandes blue chips - Petrobrás, Vale e bancos - e o que temos visto em novembro, com fluxo estrangeiro como há muito tempo não se via, é uma recuperação do Ibovespa a partir dessas ações. Então, temos uma recuperação

concentrada", observa Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset.

Nesta quarta-feira, destaque para o ganho de 0,94% da Vale, que acumula alta de 47,14% no ano. Petrobrás teve desempenho misto, com PN em alta de 0,11% e ON em baixa de 0,67% - no ano, elas ainda caem 13,02% e 15,85% cada. Usiminas subiu 7,05% e CSN salvtou 2,52%. Na ponta do Ibovespa, CVC fechou em alta de 9,79%, à frente de PetroRio, com 5,96%./ ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E FELIPE LAURENCE

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