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Dólar recua 3,3% após governo reafirmar o compromisso com as questões fiscais

A investidores, Bolsonaro disse que está comprometido com o teto de gastos, reformas e as privatizações, fazendo a moeda fechar em queda de R$ 5,32; Ibovespa cedeu 0,78%

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 13h10
Atualizado 26 de janeiro de 2021 | 19h12

O dólar voltou a cair nesta terça-feira, 26, após o governo brasileiro reafirmar o compromisso com as questões fiscais, como teto de gastos e as reformas, mas também com a agenda liberal, o que envolve as privatizações. Com isso, a moeda americana fechou em queda de 3,30%, a R$ 5,3269, na maior baixa ante o real em sete meses. No mercado de ações, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, caiu 0,78%, aos 116.464,06 pontos, em um dia misto também para os mercados do exterior.

A investidores, Bolsonaro disse que manterá "firme compromisso com a regra do teto". Ele também falou sobre a importância de manter a agenda de privatizações do governo, após Wilson Ferreira Júnior, presidente da Eletrobrás, pedir demissão do cargo. Além disso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o "governo saberá como agir", caso a covid volte a pressionar a economia brasileira. Guedes falou que, se necessário, o auxílio emergencial poderá ser novamente colocado em prática, mas dentro do Orçamento.

"Temos que ver mais austeridade fiscal no Brasil este ano ou mercado vai continuar pressionado a dívida e a moeda brasileira", avalia a estrategista global do JP Morgan Asset Management, Gabriela Santos. No ano passado, ela observa que houve grande tolerância com gastos fiscais mais altos, porque a economia mundial atravessava uma crise econômica de proporções históricas. "Teve tolerância em todos os países. O Brasil teve nível de gasto fiscal quase igual ao dos EUA", disse.

A notícia, somada a ata do Copom, que recomendou a normalização parcial antecipada da política monetária do País, o que envolve a retomada da alta dos juros, ajuda o dólar. O banco Barclays falou em alta já em maio, levando a taxa básica a 4% ao final do ano e o Credit Suisse vê um aumento já em março. Além destes, Itaú, JP Morgan e Bank of America também falam em alta da Selic

Para o gerente da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Archina Weigt, o fato de o Brasil ter cortado juros em ritmo mais forte que outros emergentes foi um fator essencial para o real ter tido pior desempenho que seus pares nos últimos meses. O México, que está no seleto grupo de países classificados como grau de investimento, tem taxa básica de 4,25%, enquanto o Brasil, quem tem classificação três níveis abaixo, está em 2%

"Em 2021, tem menos tolerância por gastos fiscais adicionais", afirmou a estrategista do JP, ressaltando que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com melhores fundamentos e classificados como grau de investimento, mais despesas serão toleradas. "Essa tolerância não se aplica no Brasil."

Na mínima do dia, o dólar caía a R$ 5,3199. Hoje, o real se firmou como a divisa com melhor desempenho hoje no mercado internacional e a moeda americana devolveu parte da valorização recente, que havia superado 6% apenas em 2021. O dólar para fevereiro fechou com baixa de 2,07%, a R$ 5,5370.

Bolsa

Após série negativa desde a última terça-feira, o Ibovespa chegou a ensaiar reação ainda que moderada em boa parte deste pós-feriado, mas acabou inclinado à quinta retração consecutiva, a mais longa sequência de perdas do índice desde as seis observadas no intervalo entre 3 e 10 de janeiro do ano passado. No ano, as perdas estão agora em 2,15%.

Nesta terça, apesar do dólar ter se beneficiado com a chance de juros mais altos antes do que se previa, o mesmo não aconteceu com a Bolsa, onde os investidores ainda veem em um cenário econômico enevoado pelo lento avanço da vacinação, que tende a retardar a normalização das atividades.

O noticiário corporativo também deu sua contribuição: na ponta negativa do Ibovespa, Eletrobrás refletiu a saída do presidente, com perda de 9,69% na ON e de 6,80% na PNB no fechamento. Entre as commodities, Vale ON cedeu 1,52% e Petrobrás ON, 0,47%. Na siderurgia, Gerdau PN recuou 5,17% e Usiminas, 4,52%. No setor bancário, Itaú PN teve baixa de 3,35% e Santander, de 3,23%. "O Ibovespa está muito próximo do principal suporte de curtíssimo prazo, na faixa de 114 mil pontos", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Além disso, o investidor olhou também para a chance de mais estímulos nos Estados Unidos, após o pacote ambicioso de US$ 1,9 trilhão do presidente Joe Biden, que pode ser desidratado para algo entre US$ 800 bilhões e US$ 900 bilhões. O tema também pesou no exterior, onde os mercados fecharam sem sinal único, com destaque para a queda das Bolsas asiáticas./ ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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