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Dólar vai a R$ 5,74 e Bolsa sobe 0,9% em dia de grande oscilação no mercado de Nova York

Alta no rendimento dos títulos públicos americanos continua preocupando os investidores e pressionando as moedas e mercados de países emergentes

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 09h30
Atualizado 26 de março de 2021 | 17h57

A nova escalada nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, diante das boas perspectivas de recuperação da economia dos Estados Unidos, pesaram nos ativos locais nesta sexta-feira, 26. No câmbio, o dólar fechou em alta de 1,25%, a R$ 5,7413, enquanto a Bolsa brasileira (B3), registrou alta de 0,91%, aos 114.780,62 pontos, em um pregão de grande oscilação.

Pontos de tensão seguem no radar dos investidores como as manobras fiscais, vistas ontem à noite para a aprovação do Orçamento de 2021, a pandemia descontrolada - dentro do entendimento de que serão requeridos mais gastos - e ainda a indicação pelo próprio Banco Central de que o ritmo de normalização da política monetária não deve ser tão forte como estava sendo precificado, mantendo, assim, o baixo diferencial de juros com o exterior.

"Já se discute o retorno do estado de calamidade, o que dá um novo cheque em branco para gastos. Ou seja, um retorno à situação vista em 2020", diz Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital Modalmais.

Segundo ele, um forte indicativo de que a evolução do dólar frente ao real se deu nesta sessão por conta de motivos locais foi que, na comparação com moedas de pares emergentes, poucas se desvalorizavam, entre elas, a lira turca. Às 16h16, a divisa americana subia 1,95% frente a ela. Do lado contrário, o dólar recuava frente ao peso mexicano, em queda de 0,43%, e ao rublo, de 0,54%. Por aqui, na semana, a moeda dos EUA subiu 4,67%.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, lembra que já faz um tempo que as moedas de emergentes têm sentido a pressão vinda do exterior, com os aumentos recorrentes dos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos. No entanto, afirmou, hoje os problemas domésticos pesaram bem. Ele lembra que, entre 1998 e 2014, o Brasil passou por um momento responsável do ponto de vista fiscal.

"Com isso, a atração de recursos era farta e vinha por vários canais", disse, ressaltando que, após 2014, o déficit se prolonga, o estoque da dívida sobe, assim como a proporção com o PIB, e os investimentos minguam. "Faz um tempo em que não se consegue tomar as rédeas para o controle fiscal. Aí é um efeito dominó, um processo que vai se acumulando e, sem dúvidas, o câmbio mostra isso."

Nem notícias sobre a fabricação de vacinas nacionais aliviou a tensão dos investidores nesta sexta-feira que antecede um período de feriados antecipados, com prorrogação do estado emergencial até 11 de abril. Hoje o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta manhã, 26, nova vacina produzida pelo Instituto Butantan contra a covid-19. Batizada de Butanvac, o imunizante foi desenvolvido em solo nacional e terá o pedido para fase de testes clínicos protocolado nesta tarde junto à Agência Nacional de Vigilância (Anvisa). Além disso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse ter mais uma vacina brasileira em desenvolvimento com a Universidade de São Paulo.

Bolsa

Após ter ensaiado estender os ganhos de ontem, retomando o nível de 115 mil pontos no melhor momento desta sexta-feira, o Ibovespa chegou a se curvar à pressão do dólar e tocou em terreno negativo. Na semana, acumula perda de 1,24%, após ganho de 1,81% no intervalo anterior. No mês, faltando três sessões para o encerramento de março, o Ibovespa acumula ganho de

4,31%, colocando as perdas do ano a 3,56%.

"Esse dólar estourando reflete cenário fiscal que vem se estrangulando, pressionado pela crise do coronavírus, que resulta em apelo por mais gastos públicos, mais auxílio, mais medidas populistas, sem perspectiva ainda de alguma retomada econômica, o que se reflete em especial nas ações com exposição à mobilidade, como as administradoras de shoppings e as empresas do setor de educação", diz Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos. 

Os negócios também foram impactados pela alta no rendimento dos títulos do Tesouro americano, que também pesou no mercado de Nova York. No entanto, os índices, que tocaram o terreno negativo por várias vezes ao longo do dia, fecharam em alta. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,39%, 1,66% e 1,24% cada.

Na ponta negativa do Ibovespa nesta sexta-feira, destaque para queda de 4,51% na ação da Cogna, à frente de Qualicorp, em baixa de 3,42% e de JHSF, de 3,02%. No lado oposto, Pão de Açúcar subiu 5,90%, com Bradespar em alta de 5,69% e Gerdau PN, de 5,26%. No pior momento do dia, Petrobrás chegou a zerar ganhos, mas ao fim da sessão mostrava alta de 1,12% na PN e de 1,48% na ON, enquanto Vale ON subia 3,34%. /LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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