Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar cai a R$ 5,44 de olho em andamento de reformas estruturais; Bolsa sobe

Presidente da Câmara sinalizou que as reformas administrativa e tributária não devem demorar muito para andar na Casa; em resposta, moeda voltou a bater mínima para dois meses

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 16h43
Atualizado 26 de abril de 2021 | 18h15

Com a sinalização do presidente da Câmara, Arthur Lira, de que o foco agora serão as reformas estruturais, o dólar fechou em queda de 0,88% nesta segunda-feira, 26, cotado a R$ 5,4487. Na mínima, a moeda chegou a cair a R$ 5,4392, menor valor desde fevereiro deste ano. Já a Bolsa brasileira (B3), no entanto, foi influenciada pelo sinal misto vindo do mercado de Nova York, e teve apenas leve alta de 0,05%, encerrando aos 120.594,61 pontos.

A expectativa dos investidores financeiros de que a agenda de reformas voltasse a andar após a resolução da novela envolvendo o Orçamento de 2021 foi renovada no final de semana e hoje, com postagens de Lira no Twitter, além de declarações à imprensa. O parlamentar prometeu apresentar a primeira versão da reforma tributária na próxima segunda e falou da possibilidade de aprovar ainda este ano o texto e também a reforma administrativa, além de avançar com a privatização da Eletrobrás.

Nesse cenário, o real a teve hoje um dos melhores desempenhos no mercado internacional de moedas, considerando uma lista de 34 divisas mais líquidas. O dólar para maio fechou em queda de 0,70%, a R$ 5,4390. A moeda americana caiu também diante de mercados desenvolvidos e também emergentes, como a Turquia.

"A aprovação do Orçamento teve efeito de diminuir o risco fiscal e também voltou a destravar a pauta do Congresso", comentou o economista-chefe da Genial Investimentos, José Marcio Camargo. Esta sinalização aliada a uma expectativa de comércio exterior forte pela frente pode levar o real a alguma valorização mais consistente, avalia ele, mas depende de como for resolvidas outras questões.

No entanto, para o diretor do ASA Investments, Carlos Kawall, se na Câmara o ambiente parece mais livre para as reformas caminharem, no Senado não é possível dizer o mesmo. "Na Câmara vemos Lira querendo retomar a agenda de reformas. As dúvidas são no Senado, onde vemos uma pauta um pouco diferente", disse ele na mesma live, citando a intenção de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) de fazer um novo Refis (programa de parcelamento de débitos tributários), além de maior resistência na casa na venda da Eletrobrás e o início amanhã da CPI para investigar a atuação do governo na pandemia. "É a janela final que temos para fazer reformas de maior vulto", disse ele.

Passado o problema do orçamento, o fundamento das contas externas do Brasil deveria por si só produzir uma apreciação do real, destaca Kawall. Mas as incertezas políticas e o forte crescimento dos Estados Unidos e, em seguida, da Europa, devem limitar este movimento. O aquecimento da atividade econômica nos países desenvolvidas está tirando um pouco o apetite dos investidores internacionais por mercados emergentes, avalia o diretor do ASA.

Além do andamento das reformas, o investidor observa também a entrada de dólares no Brasil. A perspectiva de fluxo comercial mais forte e nova emissões de empresas, como a Natura, captando US$ 1 bilhão em títulos no exterior, e vendas de ações na B3, como a da Caixa Seguridade, ajudaram a retirar pressão do câmbio, fazendo o real devolver parte das perdas acima de seus pares das últimas semanas, destacam profissionais das mesas.

Bolsa

O Ibovespa teve um início de semana morno, à espera de balanços relevantes como o da Vale (depois do fechamento de hoje), no começo de uma semana, a última de abril, que reserva novos dados de inflação no Brasil e decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nos Estados Unidos, na quarta-feira. No mês, o índice acumula ganho de 3,40%, além de alta de 1,33% no ano.

"A semana promete ser uma das mais agitadas do ano, pela agenda de balanços lá fora, de gigantes americanas de tecnologia - como Tesla e Alphabet, hoje; Apple e Facebook, na quarta-feira-, e também de indústrias, como Boeing e Ford, na quinta, que podem dar uma boa direcionada ao mercado, além da decisão de juros nos EUA, seguida da entrevista do Jerome Powell, presidente do Fed", diz Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos. De olho no avanço das 'big techs', S&P 500 e Nasdaq subiram 0,18% e 0,87% cada em Nova York, mas Dow Jones caiu 0,18%.

"O agravamento da crise da pandemia na Índia, com aumento das contaminações, contribuiu hoje para pressionar abaixo o preço do petróleo, commodity da qual o país é importante consumidor - movimento que pode impactar outros insumos." Com isso, Petrobrás ON e PN tiveram ganhos moderados de 0,13% e 0,38%, respectivamente. Vale subiu 0,54%.

Destaque de hoje ficou por conta de Hering, com forte ganho de 26,19%, após notícia de compra da varejista pelo Grupo Soma. No lado oposto, Carrefour Brasil fechou em baixa de 2,21%, Raia Drogasil, de 2,21%, e Eztec, de 2,10%. O dia foi misto para os bancos, com baixa de 0,29% para Santander e ganho de 0,10% para Banco do Brasil. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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