Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa fecha aos 123 mil pontos com apoio de aéreas e setor bancário; dólar cai

Papéis da Azul subiram 11,3%, ainda precificando a informação de que a aérea teria tentado comprar as operações da Latam no Brasil; Ibovespa subiu 0,81%

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2021 | 14h54
Atualizado 26 de maio de 2021 | 18h50

Bolsa brasileira (B3) fechou em alta de 0,81%, aos 123.989,17 pontos nesta quarta-feira, 26, com as ações de companhias aéreas em destaque, em especial as da Azul, ainda embaladas pela informação de que a área teria tentado comprar a divisão brasileira da Latam. Além disso, o ganho das ações da Vale e do setor bancário, e a melhora do mercado de Nova York, também ajudaram o Ibovespa. No câmbio, o dólar teve queda de 0,45%, cotado em R$ 5,3133.

Na última segunda-feira, 24, Azul e Latam anunciaram o fim do acordo de compartilhamento de voos que havia sido firmado em junho do ano passado, no auge da pandemia. O fim do acordo, como mostrou o Estadão, teria sido motivado pela tentativa da Azul de costurar um acordo com as empresas de leasing de aviões credoras da Latam, para comprar as operações da empresa no Brasil. Em entrevista, o presidente da aérea descartou a possibilidade de venda.

Ainda embalada por essa possibilidade, e também pela sinalização do CEO da Azul de que a empresa está em busca de novas oportunidades, os papéis da aérea subiram 11,31%. A rival Gol também registrou alta de 7,15% hoje, após a companhia anunciar que houve uma melhora significativa nas suas vendas de viagens aéreas no mercado doméstico. Para o segundo trimestre, ela espera atingir receita de R$ 1 bilhão no período.

Além das aéreas, o dia também foi favorável para as commodities, com os papéis de Vale ON em alta de 2,94%, após a pausa nas negociações no mercado de minério de ferro em Qingdao, na China, em razão de um feriado local. CSN ON também subiu 1,74%, enquanto Usiminas teve ganho de 1,08%.

"Pela manhã, os contratos futuros de minério de ferro negociados na Bolsa de Dalian amargavam queda de 6%, mas, neste começo de tarde, iniciaram um processo de recuperação e praticamente zeraram as perdas, fato que ajudou no movimento de alta das ações da Vale, que retornaram para a faixa de R$ 110", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

O setor bancário foi outro destaque, com o ganho de 2,38% de Bradesco ON e de 1,38% de Itaú PN. Petrobrás PN e ON subiram 0,97% e 0,91% cada, na esteira da alta do petróleo no exterior. Com os resultados de hoje, o Ibovespa avança 1,14% na semana, sobe 4,29% no mês e acumula ganho de 4,18% no ano.

Em Nova York, os investidores continuaram atentos às incertezas trazidas pela recuperação econômica dos Estados Unidos."O mercado continua de olho na inflação, após dados e outros gatilhos que possam estimular a retirada de estímulos antes do esperado. Por isso, ajudam a sustentar altas nas Bolsas falas como a de Richard Clarida (vice-presidente do banco central americano), ontem, de que o BC pode conter a inflação sem prejudicar a recuperação econômica", diz Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos. Em resposta, hoje, os índices americanos Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,03%, 0,19% e 0,59% cada.

Hoje, tal perspectiva pró-estímulos foi reiterada por outro dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Randal Quarles, ao afirmar que "parcela significativa da recente alta na inflação dos Estados Unidos será transitória". "A alta recente da inflação não vai interferir no progresso da economia", acrescentou Quarles, observando também que a "recuperação desigual da economia global é um risco aos Estados Unidos".

Câmbio

A volatilidade voltou a marcar os negócios com o dólar nesta quarta. Após oscilar sem rumo firme pela manhã, a moeda americana acabou firmando queda nos negócios da tarde, influenciada pelo bom desempenho de Nova York, com os investidores deixando as preocupações com a inflação temporariamente de lado. Por aqui, indicadores positivos da economia brasileira também ajudaram, com destaque para a criação de empregos mostrada no Caged, que apontou para a geração de 120 mil vagas em abril.

Apesar do temor de uma possível terceira onda da pandemia, como já começam a sinalizar indicadores de contágio e novos casos de covid-19, economistas e gestores têm mostrado mais otimismo com o quadro doméstico, o que abre espaço para mais valorização do real. "Parece que haverá um recrudescimento da pandemia, mas provavelmente teremos aumentos de restrição muito mais pontuais, muito mais limitados e, portanto, com impacto econômico menor", avalia a economista-chefe da Rosenberg, Thaís Zara.

No cenário-base da LCA Consultores para o câmbio, a moeda americana deve fechar o ano em R$ 5,10 e cair a R$ 4,90 em 2022. Este cenário leva em conta o avanço de algumas reformas e a população adulta sendo imunizada até o final do ano. No cenário adverso, marcado por maior turbulência fiscal, a moeda americana poderia ir a R$ 5,70 este ano.

Já a gestora Genoa Capital não descarta a chance de dólar a R$ 4,80 ainda neste ano. A Meraki Capital Asset Management vê uma "janela favorável para o câmbio” e o ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, atual economista-chefe do BTG, avalia que o dólar deveria estar abaixo de R$ 5,00 se fossem considerados apenas os fundamentos da economia brasileira, como as contas externas. Sobre estas contas, o Banco Central divulgou hoje superávit de US$ 5,66 bilhões em abril, o maior para todos os meses da série histórica. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.