Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Bolsa fecha em queda de 1,46% e dólar fica a R$ 5,61, com novo impasse no Renda Brasil

Bolsonaro suspendeu a proposta da Economia e disse que não vai 'tirar do pobre para dar ao paupérrimo'; ele deu até sexta, 28, para Guedes melhorar o programa que vai substituir o Bolsa Família

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 09h25
Atualizado 27 de agosto de 2020 | 05h17

O dia foi de perdas para os ativos domésticos nesta quarta-feira, 26,  à medida que aumentou no mercado os ruídos sobre o futuro do ministro da Economia, Paulo Guedes, após novos impasses em torno da criação do Renda Brasil, programa que vai substituir o Bolsa Família. Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou com queda de 1,46%, aos 100.627,33 pontos, enquanto o dólar fechou com valorização de 1,59%, a R$ 5,6150.

O impasse em torno da criação do Renda Brasil pesou já na sessão da última terça-feira, 25, mas os impactos foram ainda mais fortes no pregão desta quarta. No começo da tarde, Jair Bolsonaro já descartou a primeira versão do programa. Na ocasião, ele disse que não iria "tirar do pobre para dar ao paupérrimo"em referência ao possível fim do abono salarial e das deduções do Imposto de Renda.

Os ativos domésticos ampliaram as perdas na última hora de desta quarta-feira, 26, à medida que aumentou no mercado os ruídos sobre o futuro do ministro da Economia, Paulo Guedes. A Bolsa perdeu pontualmente os 100 mil pontos e o dólar apresentou máximas. No entanto, a informação, apurada pelo Estadão/Broadcast, de que a equipe econômica ganhou prazo até sexta-feira, 28, para reformular a proposta do Renda Brasil aliviou parte do movimento.

Hoje, segundo fontes relataram ao Estadão/Broadcast, Bolsonaro deu até sexta-feira, 28, para que Paulo Guedes apresente uma nova proposta para o Renda Brasil. Um novo encontro entre presidentes e ministros foi marcado para o mesmo, mas ainda não teria sido oficializado pelo Planalto. Ao que tudo indica, técnicos que trabalham no desenho do programa se reuniram nesta quarta-feira, 26, para dar início aos ajustes pedidos pelo presidente, que quer uma solução sem passar pela revisão do abono salarial.

"Todo mundo no mercado sabe que o pessoal do Ministério da Economia é muito bom e sabe fazer conta. Sendo assim, se eles falam que não dá para chegar aonde o presidente quer, é porque não dá", disse o  estrategista-chefe da Infinity Asset, Otávio Aidar, sobre o desejo de Bolsonaro de evitar o fim de medidas de compensação para criar o Renda Brasil.

Aidar chama a atenção para os riscos de sair da crise "com as torneiras abertas". "A crise de 2008 deveria ser um exemplo do que não fazer, pois lá o governo brasileiro abriu a torneira e depois não conseguiu fechar", afirma ele, indicando que, hoje, a relação dívida bruta/PIB do Brasil está em 84%, com sério risco de chegar a 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

Assim, em dia favorável no exterior, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, foi na contramão e chegou a perder pontualmente os 99.359,36 pontos às 15h.  Com o desempenho de hoje, a Bolsa perde 0,88% na semana, 2,22% no mês e 12,99% no ano.

Já as perdas foram espalhadas hoje. Eletrobrás ON cedeu 4,71%, Embraer caiu 4,57% e Cemig recuou 4,23%. Já Petrobras Pn caiu 2,84% em dia misto para o ativo - o WTI para outubro fechou em alta de 0,09%, a US$ 43,39 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês caiu 0,48%, a US$ 45,64 o barril.

Câmbio

O dólar escalou até R$ 5,6340 durante a segunda etapa da sessão de negócios desta quarta-feira, sendo impulsionado por renovadas apreensões em relação às perspectivas negativas quanto o plano fiscal do País e a volta de rumores sobre a permanência do ministro de Guedes, no cargo - que acabaram sendo, mais uma vez, desmentidos.

"Os tempos são sombrios, do ponto de vista fiscal, e de altíssima volatilidade e especulação com Brasil. Nem a Bolsa está conseguindo mais ser resiliente. Antes o mercado comprava Bolsa acompanhando o externo e vendia real como hedge. Agora, nem isso. É compra de dólar, venda de Bolsa e compra de juros futuros", ressalta Cleber Alessie Machado Neto, da corretora Commcor.

Hoje o Banco Central realizou dois leilões de linha, para venda de dólares com compromisso de recompra, e vendeu US$ 650 milhões de um montante de US$ de 1,5 bilhão que seria aceito na operação . Ainda nesta quarta, o dólar para setembro encerrou com alta de 1,84%, a R$ 5,6125.

Bolsas do exterior

Ao contrário do Ibovespa, o dia foi favorável nos mercados do exterior. As bolsas de Nova York ganharam fôlego à tarde, o que levou os índices S&P 500 e Nasdaq a registrarem novos recordes históricos de fechamento hoje, com destaque para a alta dos setores de comunicação e tecnologia. O Dow Jones fechou em alta de 0,30%, o S&P 500 subiu 1,02% e o Nasdaq avançou 1,73%.

No velho continente a sessão também foi de ganhos, à espera do discurso de incentivo do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Jerome Powell - com isso, o Stoxx 600 fechou em alta de 0,91%. Por lá, a Bolsa de Londres fechou com ganho de 0,14%, a de Paris teve alta de 0,80% e a de Frankfurt subiu 0,98%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,54%, 0,21% e 0,20%.

Já o mercado asiático fechou sem sentido único, também à espera de Powell. O chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto caíram 1,30% e 1,88% cada,  enquanto o japonês Nikkei teve baixa marginal de 0,03%, o Hang Seng teve ligeira alta de 0,02% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi avançou 0,11%. Já o Taiex registrou ganho de 0,59% em Taiwan e a Bolsa australiana teve baixa de 0,73%./SIMONE CAVALCANTI, MAIARA SANTIAGO E LUÍS EDUARDO LEAL

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