Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar cai 1,1% com forte superávit do governo em abril e ajuda Bolsa a subir 0,3%

Resultado gerou 'otimismo cauteloso' de especialistas com o Brasil e colaborou para aliviar a preocupação com o cenário fiscal; manutenção do rating do País pela Fitch também ajudou

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2021 | 16h33
Atualizado 27 de maio de 2021 | 18h25

O forte superávit primário do governo em abril, que traz algum alívio sobre a situação fiscal de curto prazo do País, somado a decisão da agência de classificação Fitch, de manter o rating soberano do Brasil, ajudaram o dólar a fechar em queda de 1,09%, a R$ 5,2553 nesta quinta-feira, 27. O bom humor da moeda americana também fortaleceu a Bolsa brasileira (B3), hoje em alta de 0,30%, aos 124.366,57 pontos, apoiada também pelo bom desempenho dos papéis do setor de educação.

Com isso, o real teve hoje o melhor desempenho internacional nesta quinta-feira, considerando uma cesta das 34 moedas mais líquidas, testando as mínimas em 10 dias, na casa dos R$ 5,24. O dia foi de forte giro, de quase US$ 17 bilhões, com investidores já antecipando alguns contratos por conta do feriado americano de 4 julho, Dia da Independência dos Estados Unidos. O dólar para junho caiu 1,42%, a R$ 5,2395.

O momento é de "otimismo cauteloso" com o Brasil, avalia a consultoria inglesa TS Lombard. Hoje, as contas do governo federal registraram superávit, quando as receitas superam as despesas, de R$ 16,492 bilhões, vindo maior que a mediana do levantamento Projeções Broadcast junto a 19 instituições financeiras. O dado de abril ficou mais perto do teto do intervalo das estimativas, que eram de déficit de R$ 18,8 bilhões a superávit de R$ 17,8 bilhões. No primeiro quadrimestre do ano, o resultado é positivo em R$ 41 bilhões.

Segundo o Citi, o Brasil pode ter este ano o primeiro superávit na conta corrente desde 2006, em US$ 14,1 bilhões. Mas mesmo com este ambiente, o real tende a encerrar 2021 mais depreciado, avalia o banco americano nesta quinta-feira. A previsão é de dólar em R$ 5,58 ao final do ano, bem acima do nível atual, de R$ 5,25 de hoje.

Já o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro, afirmou em evento do banco que há cinco meses o mercado discutia sobre a dívida pública batendo em 100% do Produto Interno Bruto (PIB). Agora, já se projeta que o indicador pode ficar em 85% este ano ou até abaixo.

"Estamos vendo resultados fiscais melhores e em um momento de revisões para cima nas projeções de PIB e, consequentemente, de melhora nas receitas. O que está incomodando, porém, é a dinâmica inflacionária. Esse é o cuidado que se deve ter", avalia o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Ao manter o rating brasileiro em BB- para o Brasil, com perspectiva negativa, a Fitch disse esperar que o teto seja cumprido este ano e também prevê melhora fiscal com o déficit do governo central passando de 14% do PIB em 2020 para 7,4% este ano. A agência destaca ainda que a economia brasileira é grande e diversificada, com capacidade de absorver choques externos.

Neste ambiente de melhora das contas externas e fiscais, o risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, caiu a 173 pontos na tarde de hoje, de 176 ontem. É o nível praticado em fevereiro, pouco antes de o impasse do orçamento de 2021 começar e levar as taxas para perto de 240 pontos.

A moeda também refletiu o compromisso do governo em fazer andar a reforma tributária. Após os presidentes da Câmara e do Senado se comprometerem em analisar o mais rapidamente possível o texto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que quer ver a reforma aprovada em cinco meses e também afirmou que ela não irá resultar no aumento de impostos.

Com isso ficaram em segundo plano os dados sobre o desemprego no País. Segundo o IBGE, o País atingiu recorde de desempregados no primeiro trimestre, com 14,8 milhões de brasileiros em busca de trabalho. O resultado é o maior de todos os trimestres da série histórica do IBGE, iniciada em 2012, e significa 880 mil pessoas a mais na procura por uma vaga em relação ao último trimestre de 2020.

Bolsa

O ambiente mais favorável para o Brasil ajudou também o Ibovespa, que conseguiu se firmar nos 124 mil pontos, apesar do sinal misto vindo de Nova York, com o índice Nasdaq fechando em baixa marginal, após a divulgação de dados da economia americana. Na semana, os ganhos do índice chegam agora a 1,45% e, no mês, a 4,60% - no ano, o índice avança 4,49%. Bem reforçado, o giro financeiro foi hoje a R$ 51,4 bilhões.

"O mercado brasileiro segue descontado, buscando se alinhar aos de fora. A atenção está nos dados econômicos e a sinais de avanço das reformas, uma combinação que pode ajudar nessa recuperação", diz Pedro Paulo Silveira, gestor da Nova Futura Investimentos

Entre as ações, o setor de commodities metálicas voltou a subir, puxado pela alta de 1,54% de Gerdau PN e o ganho de 0,72% de Vale ON. O setor de educação teve hoje o melhor desempenho da Bolsa, por ser o menos impactado pelas previsões de recrudescimento da pandemia, apontam analistas. Hoje, Yduqs subiu 6,67%, enquanto Cogna teve ganho de 6,19%. Ser Educacional e Ânima tiveram altas de 3,57% e 5,39%.

Petrobrás PN e ON cederam 0,69% e 0,79% cada, indo na contramão do ganho do petróleo no exterior. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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