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Dólar dispara após fala de Maia e fecha a R$ 5,68; Bolsa perde os 99 mil pontos

Presidente da Câmara dos Deputados disse que é a base do governo quem está obstruindo a votação das reformas na Casa

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 09h15
Atualizado 27 de outubro de 2020 | 18h12

O dólar disparou nesta terça-feira, 27, e fechou com alta de 1,20%, a R$ 5,6827 - no maior nível desde 20 de maio, após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrar o interesse da base do governo para avançar com as reformas. O cenário de incerteza também afetou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que já influenciada pelo cenário negativo em Nova York, fechou com queda de 1,40%, aos 99.605,54 pontos, na terceira perda consecutiva.

"Não sou eu que estou obstruindo, é a base do governo", disse Maia ao falar das reformas. "Se o governo não tem interesse nas medidas provisórias, eu não tenho o que fazer. Eu pauto, a base obstrui, eu cancelo a sessão. Infelizmente, é assim", disse. O parlamentar ressaltou que conversou com os partidos da esquerda sobre fazer com que a PEC da reforma administrativa possa avançar sem passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que está parada desde o ano passado. Maia encerrou a sessão de hoje sem votar as medidas provisórias e convocou nova sessão para 3 de novembro. 

Em resposta, o real passou a lira turca, moeda que sofre um derretimento este mês, e teve o pior desempenho no mercado internacional, considerando uma lista de 34 moedas mais líquidas. Apesar do desempenho ruim do real, o dólar acabou recuando hoje ante divisas fortes e de emergentes como MéxicoChile, África do Sul e Colômbia

"As preocupações fiscais persistem e os preços vão variar a depender das ações do governo nesta área", afirma a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte. Neste ambiente, o dólar pode ir de R$ 4,00 para mais de R$ 6,00, a depender de como fica a responsabilidade fiscal do governo. Para 2021, ela projeta a taxa entre R$ 4,80 e R$ 5,00, com o governo cedendo a certas pressões para mais gastos. "Vai ser difícil ver o governo 100% empenhado em compromisso fiscal."

O Bradesco também alertou nesta terça-feira para os riscos fiscais e vê um cenário de incerteza persistindo pela frente. "A situação das contas públicas ainda inspira cautela, já que existem riscos voluntários e involuntários de rompimento do teto dos gastos", ressaltam os economistas do banco em relatório de revisão do cenário. O banco leva em conta que não haverá flexibilização do teto, postergação do estado de calamidade ou eventual extensão do auxílio emergencial fora do teto de gastos, mas observa que o clima de dúvidas vai prosseguir. Com isso, o dólar deve encerrar o ano em R$ 5,40.

Além do cenário local, o exterior também preocupa. A aceleração da pandemia de covid-19 na Europa e nos Estados Unidos e incertezas políticas, a uma semana das eleições americanas, ajudam a provocar cautela nos mercados, ressaltam os analistas da LPL Financial. Por aqui, a moeda para novembro também fechou com alta de 1,43%, a R$ 5,7070.

Bolsa

A política em Brasília voltou ao radar do mercado nesta terça-feira, ainda negativa no exterior com a incerteza em torno do desenlace da eleição nos EUA, na próxima semana, e sobre as consequências da segunda onda de covid-19 na Europa. Mais forte do que no dia anterior, o giro financeiro totalizou hoje R$ 24,2 bilhões - na semana, o índice cede 1,63%, limitando o avanço no mês a 5,29%; no ano, o recuo é de 13,87%. Na máxima desta terça-feira, o Ibovespa foi aos 101.660,37 pontos, com abertura a 101.017,38 pontos.

"As declarações do Maia mostram que as coisas, na política, não estão tão joinhas como se chegou a fazer crer - assim, o político é algo que volta ao preço, bem como nos EUA, com a falta de avanço no pacote fiscal", diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. "Na política americana, há tantos fatores de incerteza imediata, não só sobre quem vencerá a eleição, como também sobre a composição da Câmara e do Senado, e uma Suprema Corte com mais uma integrante conservadora, em vitória de última hora de Trump."

Nesta terça, as bolsas de Nova York fecharam sem sentido único. Dow Jones e S&P 500 caíram 0,80% e 0,30% cada, enquanto o Nasdaq, apoiado pela alta das ações de tecnologia,subiu 0,64%.

Após terem contribuído nas últimas sessões para ao menos limitar as perdas do Ibovespa, o dia foi de realização de lucros nas ações de bancos, setor de maior peso na composição do índice, em dia de divulgação do balanço do Santander, que apontou para um crescimento de 82,7% do lucro no terceiro trimestre. Mesmo assim, a Unit do banco fechou hoje em queda de 4,73%, com Itaú PN em baixa de 2,85% e Bradesco PN, de 2,79%. Petrobrás PN e ON caíram 1,83% e 1,68% cada, em dia de alta para o petróleo no exterior. Nesta terça, WTI subiu 2,62%, enquanto o Brent teve ganho de 1,96%.

Vale ON fechou praticamente estável, com leve alta de 0,05%, enquanto Embraer encerrou em baixa de 6,25%. Na face oposta, Cosan subiu 2,81%, Localiza, 2,67%, e Gerdau PN, 2,39%./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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