Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa tem ganho de 0,3% e emenda quinta alta seguida; dólar cai a R$ 5,32

Melhora no lucro das grandes indústrias chinesas ajudou no bom desempenho do Ibovespa, que fechou a semana com ganho de 4,27%

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 09h46
Atualizado 27 de novembro de 2020 | 19h08

Impulsionado pelos dados positivos da economia chinesa nesta sexta-feira, 27, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 0,32%, aos 110.575,47 pontos, em seu quinto resultado positivo seguido. Movimento parecido foi visto no mercado acionário de Nova York, que mesmo funcionando apenas em meia sessão, bateu recorde de fechamento. No câmbio, o dólar que vinha em alta inverteu o sinal e encerrou com leve baixa de 0,18%, a R$ 5,3256.

Nesta sexta, o lucro das grandes indústrias chinesas saltou 28,2% em outubro ante igual mês do ano passado, ganhando força em relação ao acréscimo anual de 10,1% observado em setembro. A notícia deu suporte ao preço do minério de ferro, negociado em alta de 0,96% a US$ 129,62 a tonelada. "Para a Vale, isso é fluxo de caixa na veia", ressalta Romero Oliveira, responsável pela mesa de operações da Valor Investimentos. A mineradora, que tem peso de quase 10% no índice, tem vindo de uma escalada constante e contribui para a alta da B3. Hoje Vale ON fechou com ganho de 2,44%, cotada a R$ 78,44 - avanço de 52,45% em 2020.

O ambiente mais confiante no exterior, com as perspectivas de que as vacinas possam impedir uma retração das economias como a vista no início do ano, mantém o fluxo de investimentos estrangeiros, o que impulsiona Ibovespa. Segundo Rodrigo Moliterno, responsável pelas operações de renda variável da Vedha Investimentos, agora que também o cenário eleitoral nos Estados Unidos está mais definido, os investidores olham para as bolsas mais atrasadas, como a brasileira que está devendo em torno de 4% no ano.

De acordo com a B3, a entrada de estrangeiros no mês chega a R$ 29,996 bilhões. É o maior nível da série de dados mensais, que vem desde o ano de 1995. Mas, considerando todo o ano de 2020, os estrangeiros retiraram R$ 54,89 bilhões do mercado acionário brasileiro. Hoje, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos de 0,13%, 0,24% e 0,92% cada, com os dois últimos batendo recordes de fechamento.

Com os resultados de hoje, a B3 acumula alta de 4,27% na semana e de 17,69% em novembro. Apesar da meia sessão em Nova York, o giro financeiro foi de R$ 27,7 bilhões, bem acima dos R$ 19 bilhões da véspera. Sobre os riscos para a semana que vem, Rodrigo Moliterno, da Vedha Investimento diz acreditar que, na segunda-feira, após o segundo turno das eleições municipais, o humor local pode mudar. O governador João Doria já marcou um pronunciamento para falar sobre a contaminação de covid no Estado. Para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o Brasil está tendo um repique. O País passa por uma reversão de tendência, pois o número de casos de contaminação por covid que estava caindo, agora, está subindo.

Câmbio

O dólar teve a segunda semana seguida de queda e caminha para fechar novembro com baixa mensal de 7%, a maior em dois anos. Fluxos de capital do exterior foram o principal fator a retirar pressão do câmbio no Brasil e outros emergentes. Cálculos preliminares do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, mostram os maiores volumes este mês desde o começo de 2012. Já a situação fiscal no Brasil não teve nenhum progresso este mês e profissionais das mesas de câmbio comentam que a partir de segunda-feira, após o segundo turno das eleições municipais, a expectativa é de algum avanço.

A sexta-feira foi novo pregão de liquidez muito fraca no mercado doméstico, por conta da sessão também com poucos negócios hoje nos Estados Unidos, com Wall Street funcionando por horário reduzido e os maiores investidores fora do mercado. No mercado futuro, o dólar para dezembro, que vence na segunda-feira, dia da tradicional disputa pela definição do referencial Ptax, fechou com alta de 0,13%, a R$ 5,3340. O volume de negócios ficou em US$ 8,5 bilhões, novamente bem abaixo de um dia normal (US$ 15 bilhões).

No exterior, o dólar caiu hoje ante divisas fortes, mas subiu em alguns emergentes pares do Brasil, como o México (+0,30%) e África do Sul (0,31%), mas nos últimos dias a queda foi generalizada. Para os analistas do banco Western Union Adam Ma e Steven Colangelo, o dólar termina a semana acumulando baixa quase que geral, ainda refletindo a busca por ativos de risco desencadeada pelas várias notícias positivas sobre a vacina para a covid, algumas surpreendendo pelo timing./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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