Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa fecha em alta de 2,6% após melhora do mercado de Nova York; dólar vai a R$ 5,43

Dia também foi marcado pela divulgação de dados mais animadores do mercado de trabalho brasileiro; chance de mais estímulos para a economia dos EUA também animou

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2021 | 09h15
Atualizado 28 de janeiro de 2021 | 19h21

A recuperação do mercado de Nova York nesta quinta-feira, 28, após o pregão desastroso do dia anterior, ajudou a Bolsa brasileira a fechar com alta de 2,59%, aos 118.883,25 pontos, em um dia de divulgação de dados sobre o mercado de trabalho do País e também do PIB dos Estados Unidos. Com isso, a Bolsa quebrou com uma sequência de seis quedas seguidas. No câmbio, as incertezas internas pesaram no dólar, que subiu 0,53%, a R$ 5,4357, apesar da queda no exterior.

Ainda no começo da tarde, o índice recuperou a marca de 118 mil pontos e veio a acentuar os ganhos acima de 2%, com a indicação, por porta-voz da Casa Branca, de que o governo dos EUA não pretende fatiar o pacote fiscal em duas partes. Com isso, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com altas de 0,99%, 0,98% e 0,50% em Nova York. Contribuiu também para firmar o sentimento positivo o déficit primário de 2020 no Brasil, abaixo do que esperava o mercado e também da última projeção feita pelo governo, com evolução favorável da receita.

Pela manhã, a leitura sobre a geração de empregos no País no ano passado já contribuía para a recuperação do Ibovespa na sessão. Dados do Caged divulgados pelo Ministério da Economia, mostraram que o Brasil abriu 142 mil vagas de trabalho com carteira assinada em 2020, no terceiro ano seguido com geração de empregos formais. O resultado, no entanto, é o mais baixo desde 2017. Já o IBGE mostrou que o desemprego caiu para 14,1% no trimestre encerrado em novembro. Atualmente, o País tem 14 milhões de desempregados.

À tarde, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, disse que ante a retomada observada no mercado de trabalho, com geração líquida de postos em ano marcado pela pandemia, talvez se possa prescindir de extensão do auxílio à renda, em função do "espaço fiscal limitado" de que dispõe o governo no momento. O sinal de contenção, ainda que restrito à área técnica, aparece em momento no qual a prorrogação de medidas emergenciais volta a ganhar força, às vésperas da definição das próximas presidências da Câmara e do Senado, na segunda-feira, 1º de fevereiro.

Assim, o dia foi de ganhos fortes e bem distribuídos. Entre os bancos, Itaú PN subiu 4,11%, enquanto Santander teve alta de 3,99%. Nas commodities, Petrobrás ON avançou 2,22% e Vale ON, 2,13%. Nas ações de siderurgia, chamou atenção a alta de 5,70% de Usiminas e de 3,24% de CSN. Com o desempenho positivo desta quinta-feira, o Ibovespa passa a acumular ganhos na semana, de 1,28%, perto agora de zerar as perdas no mês e no ano, de 0,11%.

"Entre 114 mil e 117 mil pontos, o Ibovespa estava em área de suporte, e deve passar a buscar os 120 mil. A tendência ainda é de alta com a liquidez global que se tem disponível, reforçada por Janet Yellen, conhecida pelo viés de mais estímulos", agora no Tesouro", diz Marcio Gomes, analista da Necton Investimentos, sobre o desempenho negativo do mercado no dia anterior.

Para Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, o Ibovespa suportou bem, ontem, o teste de "importante suporte marcado na faixa de 115 mil pontos", que contribuiu para segurar o setor financeiro e dar alívio ao índice. "Depois de seis quedas consecutivas, o mercado encontrou hoje maior pressão de compra justamente sobre o principal suporte de curtíssimo prazo, determinado pela faixa de 115 mil pontos", acrescenta o analista. "O mesmo pode ser visto entre as principais blue chips que, assim como o índice, retornaram para pontos importantes de suporte."

Câmbio

A quinta-feira foi marcada por recuperação forte dos ativos de risco no mercado mundial, mas no mercado de câmbio brasileiro o dólar teve um dia volátil. A moeda chegou a bater em R$ 5,46, mesmo com o enfraquecimento da divisa americana no exterior, e o real acabou destoando de seus pares. Os participantes do mercado seguem monitorando a situação fiscal do País e o alerta para avançar com as reformas este ano veio hoje de duas agências de classificação de risco, S&P e Moody's.

Em meio à maior cautela e busca por proteção, estrangeiros vêm aumentando as posições compradas em dólar futuro ante o real, que ganham com a alta da divisa dos Estados Unidos. Desde o dia 20, elevaram em US$ 1,25 bilhão. O dólar para fevereiro fechou com alta de 0,51%, a R$ 5,4415.

O diretor gerente e responsável por ratings soberanos nas Américas da S&P Global Ratings, Joydeep Mukherji, disse hoje que o Brasil precisa agir este ano para avançar com as reformas, sobretudo as fiscais, pois 2022 será ano eleitoral. Ele disse ter a percepção de que há um certo ímpeto para avanço neste primeiro semestre e a S&P vai monitorar de perto. A analista de rating soberano da Moody's, Samar Maziad, disse que a agenda de consolidação fiscal é o único caminho para o Brasil manter os estímulos necessários à recuperação econômica sem perder a confiança de que vai estabilizar a dívida pública.

Para o estrategista de moedas do banco americano Brown Brothers Harriman (BBH), Ilan Solot, a situação fiscal do Brasil ainda vai continuar "assustando investidores", na medida em que a incerteza política tende a seguir aumentando, sobretudo levando em conta as eleições de 2022./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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