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Bolsa apaga as perdas e fecha com alta de 1,5%; dólar recua e fica a R$ 5,41

Diminuição das tensões entre Guedes e Bolsonaro após acerto de contas sobre o auxílio emergencial e o Renda Brasil aliviaram o mercado, mas cenário fiscal ainda preocupa

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 09h07
Atualizado 28 de agosto de 2020 | 18h19

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu reverter as perdas dos últimos pregões e fechar com alta de 1,51%, aos 102.142,93 pontos nesta sexta-feira, 28, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro terem demonstrado algum consenso sobre o auxílio emergencial e o Renda Brasil. O dólar também foi favorecido pelo cenário político mais ameno em Brasília e recuou perante o real, encerrando o dia com forte queda de 2,42%, a R$ 5,4152 - menor valor desde 31 de julho.

O movimento de recuperação nos ativos domésticos nesta sexta foi alimentado pela chance de acordo entre Bolsonaro e Guedes, sobre as últimas parcelas do auxílio emergencial, que vai agora até o  final do ano, e o fôlego que a equipe econômica ganhou para discutir o Renda Brasil, substituto do programa Bolsa Família, que deve ficar apenas para o ano que vem.

 

A questão fiscal, contudo, segue no radar dos agentes. O mercado recebeu bem a transferência de lucro totalizada em R$ 325 bilhões do Banco Central para o Tesouro Nacional, mas ainda vê com cautela as contas públicas. Hoje, o Tesouro informou que as contas do governo registraram déficit primário de R$ 505,187 bilhões de janeiro a julho deste ano, o pior desempenho para o mês da série histórica, que tem o início de 1997.

"O mercado está ansioso pelas medidas de corte de despesas e de atração de investimentos, em vista da situação fiscal, e a garantia da manutenção do teto de gastos", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora,  acrescentando, como contrapeso favorável   como contrapeso favorável em momento de dificuldades internas, a indicação do Federal Reserve (Fed, o BC americano) de que "a taxa de juros por lá deve ficar baixa por um tempo maior que o projetado".

Nesta sexta, o destaque foi para a Cyrela, com ganho de 7,39% no Ibovespa, principal índice de ações do mercado de trabalho, após a Cury, construtora controlada pela empresa, ter protocolado IPO que pode movimentar até R$ 1,7 bilhão. Qualicorp subiu hoje 5,60% e Ecorodovias, 5,43%. No lado oposto do, IRB cedeu hoje 1,57%.

As ações de commodities também registraram ganhos. Vale On subiu 0,51% e Petrobrás On teve alta de 2,03% - resultado descolado do exterior, onde o WTI para outubro terminou em baixa de 0,16%, a US$ 42,97 o barril, e Brent para o mesmo mês teve queda de 0,09%, a US$ 45,05 o barril. O setor bancário também foi beneficiado, com destaque para as altas de 2,04% do Bradesco Pn e 1,95% do Banco do Brasil.

Com os resultados de hoje, a B3 acumula  leve ganho de 0,61% na semana e perde apenas 0,75% no mês. No ano, cede 11,68%.

Câmbio

Em uma das maiores variações para um dia, R$ 0,12, o dólar derreteu para R$ 5,40 na mínima, deixando claro o desmonte de posições defensivas dos investidores. Além do cenário interno mais ameno, o movimento que se seguiu mais forte hoje veio em continuidade ao enfraquecimento da divisa americana já visto ontem, por causa do anúncio do Fed.

Segundo Igo Falcão, sócio do Grupo Aplix, hoje foram colocados panos quentes sobre a discussão fiscal, acalmando o embate dentro do governo. Mas, ressalta que o tema do controle de gastos, das reformas e da pauta liberal que foi sugerida antes de ocorrer a pandemia segue ganhando a atenção dos investidores. "Uma vez passada a pandemia temos de olhar para dentro de casa, para a agenda reformista, que estava caminhando bem antes da covid-19. O dever de casa tem que ser feito o mais rápido possível" afirmou. 

A queda acumulada nesta semana, de 3,41%, apenas amenizou a alta de todo o mês de agosto que agora está em 3,80%. No ano, a moeda acumula valorização superior a 35%. Ainda hoje, o dólar para setembro encerrou com queda de 3,22%, a R$ 5,9310.

Bolsas do exterior

Os mercados acionários de Nova York voltaram a registrar ganhos hoje, com os índices S&P 500 e o Nasdaq renovando máximas históricas de fechamento. O Dow Jones fechou em alta de 0,57%, em 28.653,87 pontos, o S&P 500 avançou 0,67%, a 3.508,01 pontos e o Nasdaq subiu 0,60%, para 11.695,63 pontos. Os índices tiveram ganho semanal de 2,59%, 3,26% e 5,98%. Hoje, ajudou o índice de sentimento do consumidor dos EUA, que avançou a 74,1 em agosto.

A Ásia ficou no radar nesta sexta, após o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, renunciar ao cargo por motivos de saúde. Por lá, o japonês Nikkei encerrou os negócios em baixa de 1,41%. Nos demais índices do continente, no entanto, os resultados foram positivos. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto tiveram altas de 1,60% e 1,97%, enquanto o sul-coreano Kospi se valorizou 0,40%, o Hang Seng teve ganho de 0,56% em Hong Kong e o Taiex recuou 0,53% em Taiwan. Na Oceaniaa bolsa australiana teve queda de 0,86%.

Já no velho continente, os resultados foram afetados por indicadores econômicos pouco favoráveis, como o recuo histórico de 13,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da França no segundo trimestre. Além disso, o aumento de casos da covid-19 no Reino Unido também chamou a atenção por lá - com isso, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 0,52%. A Bolsa de Londres recuou 0,61%, a de Paris cedeu 0,26% e a de Frankfurt caiu 0,48%. Já Milão e Lisboa cederam 0,03% e 0,65%. A única a subir foi Madri, que teve alta de 0,60%./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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