Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar tem menor nível desde janeiro de olho nas reformas; Bolsa cai 0,8%

Aprovação do Orçamento de 2021 fez crescer a expectativa do mercado em torno da análise das reformas administrativa e tributária, mesmo que seja fatiada; exterior favorável também ajudou

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2021 | 14h51
Atualizado 29 de abril de 2021 | 18h34

A chance de andamento das reformas estruturais - passada a aprovação do Orçamento de 2021 -, ajudou no bom desempenho do real nesta quinta-feira, 29, com o dólar fechando em queda de 0,47%, a R$ 5,3365, no menor nível desde 20 de janeiro. Já a Bolsa brasileira (B3), teve um pregão instável, por conta das idas e vindas do mercado de Nova York, e cedeu 0,82%, aos 120.065,75 pontos.

Desde meados de abril, o real engatou melhora em ritmo mais intenso que seus pares, saindo de níveis acima de R$ 5,60 para R$ 5,33 hoje, destaca a analista de moedas e emergentes do Commerzbank, Melanie Fischinger. Até então, ao contrário, o real vinha sendo em 2021 uma das piores moedas de emergentes. Enquanto divisas pares do Brasil voltaram a patamares de antes de pandemia, ou ao menos a números próximos, o real ainda está bem distante, cita Fischinger.

A aprovação do Orçamento de 2021 sem romper o teto, a sinalização esta semana de avanço da reforma tributária, mesmo que fatiada, e da administrativa, além da perspectiva de elevação dos juros pelo Banco Central estão contribuindo para retirar pressão do câmbio, avalia a analista. "Mas permanecemos céticos", observa, citando que gastos foram deixados fora do teto no Orçamento e que a dívida do Brasil segue elevada e acima dos pares, além do que novas pressões para mais gastos podem surgir.

"Até que os investidores estejam convencidos de que haverá prioridade na consolidação das finanças nacionais e na implementação de reformas, o real terá dificuldade de apreciação", comenta a analista do Commerzbank. Hoje o Tesouro divulgou que houve superávit primário em março, R$ 2,1 bilhões, o melhor desempenho para o mês desde 2014 e no teto das estimativas. Contudo, o órgão calcula que a dívida bruta deve fechar o ano em 87,2% do PIB, bem acima da média dos emergentes. Na batalha por mais gastos públicos até agora em 2021, o Congresso está vencendo o governo, ressalta relatório da consultoria TS Lombard.

Há ainda ruídos em Brasília que vêm sendo monitorados pelas mesas de câmbio, mas hoje sem efeitos nas cotações. Entre eles, as discussões sobre a constitucionalidade da autonomia do Banco Central e no Supremo sobre o censo do IBGE. O exterior também tem ajudado, principalmente após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) apontar que não vai alterar sua política monetária pró-estímulos antes de 2022.

Após operar volátil e sem muitas oscilações durante boa parte do pregão, o dólar firmou queda só na reta final dos negócios. A moeda para maio fechou em queda de 0,15%, a R$ 5,3390.

Bolsa

A melhora dos índices de Nova York, com o S&P 500 renovando máxima histórica de fechamento, após cair pontualmente no final do pregão, ajudou o Ibovespa a manter os 120 mil pontos, apesar de ter tocado nos 119 mil pontos várias vezes no pregão. Nas últimas quatro sessões, o índice acumula agora perda de 0,39%, com ganhos no mês a 2,94% - no ano, sobe apenas 0,88%.

O cenário externo continua favorecido pela temporada positiva de resultados corporativos, especialmente os das grandes empresas de tecnologia, bem como pela política monetária afrouxada e os estímulos fiscais nos Estados Unidos, em visão de retomada econômica reforçada pela primeira leitura de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) americano no primeiro trimestre. "O mercado continua a operar muito em cima do ritmo de vacinação e de dados de crescimento econômico", diz Daniel Miraglia, economista-chefe do Integral Group.

Assim, o índice da Bolsa segue dividido entre o noticiário corporativo doméstico, em geral positivo, e as preocupações com a pandemia e a economia, especialmente a situação fiscal, e a inflação - hoje, embora em desaceleração, a 1,51% em abril, o IGP-M foi o maior para o mês desde 1995.

Em geral, o dia foi negativo também para outros setores de peso no Ibovespa. Entre as commodities, Petrobrás ON e PN caíram 2% e 1,34% cada, enquanto no setor de siderurgia, CSN cedeu 2,20%. Na ponta do índice, Lojas Americanas fechou em baixa de 5,17%, à frente de Embraer, em queda de 4,31% e Santander, em baixa de 3,87%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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