Reuters
Reuters

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Bolsa fecha em queda após dados econômicos negativos; dólar fica a R$ 5,15

Queda dos PIBs dos EUA e da Alemanha, somada a resultados negativos de balanços e temor com a retomada da economia, seguraram os ganhos do mercado nesta quinta

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2020 | 09h12
Atualizado 30 de julho de 2020 | 18h18

A percepção de que a economia foi duramente afetada pela pandemia do coronavírus pesou nos mercados nesta quinta-feira, 29, e levou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3a fechar em queda de 0,56%, aos 105.008,70 pontos, após recuar aos 104 mil pontos em boa parte do pregão. Os temores ainda afetaram o dólarque recuou perante ao real para fechar com desvalorização de 0,26%, cotado a R$ 5,1592.

Os dados negativos predominaram no mercado nesta quinta, a começar pela queda recorde de 32,9% do PIB dos EUA no segundo trimestre."O dia foi até tranquilo perto do que poderia ter sido, com a forte retração da economia americana. A leitura foi muito ruim, mas se temia algo ainda pior, com projeções que chegavam a 40% de queda anualizada", aponta Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo LaatusJá o PIB da Alemanha tombou 10,1% no mesmo período. 

A esse cenário, estão também os resultados negativos dos balanços de importantes empresas do exterior, como o banco Lloyds, a AirBus e a Volkswagen. Por aqui, chamou a atenção a queda de 40,1% do lucro do Bradesco no segundo trimestre. Com isso, as ações do banco caíram 3,13% no Ibovespa, principal índice de ações do mercado de trabalho.

As ações da Vale também caíram 2,67%, mesmo após o balanço da mineradora apontar para lucro de US$ 5,3 bilhões no segundo trimestre. Já Petrobrás ON e PN cederam 2,14% e 1,51% cada, com os investidores à espera do balanço da petroleira, previsto para sair esta noite. Com os resultados de hoje, o Ibovespa avança agora 2,57% na semana e tem ganho de 10,47%. No ano, recua agora 9,20%.

Fica ainda no radar o rombo de R$ 417 bilhões do governo brasileiro para o primeiro semestre, segundo dados do Tesouro Nacional. Este é o pior resultado para o desde o início da série histórica, em 1997, quando o déficit fiscal somou R$ 29,311 bilhões.

Câmbio

Para operadores, o recuo do dólar na sessão de hoje, está ligado a entrada de fluxo externo, com investidores querendo participar de ofertas de ações, como a do Grupo Soma, que movimentou ontem R$ 1,8 bilhão. "O mercado está se preparando para o fechamento do mês", destaca o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, Nesta sexta-feira pela manhã é a disputa pelo referencial Ptax de julho, por isso, a expectativa é de volatilidade e volume de negócios mais alto, com este fator técnico podendo predominar sobre o noticiário.

Com os resultados, o dólar caminha para fechar julho com queda de 5%, que, se confirmada, deve ser a maior baixa mensal de 2020. Após meses de fraco desempenho, o real é em julho a divisa emergente que mais se valorizou. No México e na África do Sul, a moeda americana caiu ao redor de 3% no mês.

Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é comprado perto de R$ 5,40. O dólar para agosto fechou com baixa de 0,41%, a R$ 5,1500.

Bolsas do exterior

Além das preocupações com os resultados negativos do segundo trimestre, a retomada da economia também mexeu com os índices do exterior. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, disse que a recuperação do mundo será parcial e desigual. Segundo ela, formuladores têm de ser cuidadosos para não retirar estímulos antes da hora. Já nos Estados Unidos, um comitê do Senado aprovou um projeto de lei para que americanos processem a China por danos provocados pela covid-19.

No mercado asiático, os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto cederam 0,23% e 0,43% cada, enquanto o japonês Nikkei caiu 0,26% e o Hang Seng teve baixa de 0,69% em Hong Kong. Por lá, alguns ganhos ainda foram registrados: o sul-coreano Kospi subiu 0,17%, o Taiex teve alta de 1,45% em Taiwan e a Bolsa australiana fechou com ganho de 0,74% na Oceania.

Quedas generalizadas - e expressivas -, foram sentidas no velho continente, onde alguns dos piores balanços empresariais foram divulgados. Por lá, o Stoxx 600 encerrou em baixa de 2,16%. Londres caiu 2,31%, Paris cedeu 2,13% e Frankfurt teve baixa de 3,45%. As Bolsas de MadriMilão e Lisboa também tiveram quedas profundas, de 2,91%, 3,28% e 2,05% cada. 

Em Nova York predominou o sinal único do mercado, com os investidores à espera dos balanços das gigantes de tecnologia, que saíram somente após o fechamento do mercado. Por lá, Dow Jones caiu 0,85% e o S&P 500 cedeu 0,37%. No entanto, o Nasdaq subiu 0,43%, apoiado pela alta das techs.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam o pregão desta quinta em queda, em meio a uma piora no sentimento global, com os balanços ruins e os indicadores econômicos negativos. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para setembro, referência no mercado americano, recuou 3,27%, a US$ 39,92 o barril, abaixo de US$ 40 o barril pela primeira vez em três semanas. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o Brent, referência para o mercado europeu, para outubro caiu 1,90%, a US$ 43,25 o barril./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E IANDER PORCELLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.