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Bolsa fecha com ganho de 1% e dólar recua a R$ 5,61 com aumento do otimismo

Fala de Guedes sobre o Renda Cidadã e possibilidade de novo estímulo fiscal nos EUA impulsionaram o Ibovespa e aliviaram o dólar neste final de mês

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 09h15
Atualizado 30 de setembro de 2020 | 18h21

O aumento do otimismo do mercado permitiu que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, quebrasse um ciclo de três quedas seguidas para fechar com alta de 1,09%, aos 94.603,38 pontos nesta quarta-feira, 30. Hoje, o mercado reagiu positivamente às declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes sobre o Renda Cidadã e também em parte ao andamento nas negociações em torno de novos estímulos fiscais nos EUA, apesar das informações desencontradas de líderes políticos. Nesse cenário, o dólar também deu sinal de alívio e encerrou com queda de 0,37%, a R$ 5,6185.

Nesta terça, o mercado reagiu bem à fala de Guedes, que apontou a criação de 249.388 vagas formais, no melhor agosto em 10 anos. Além disso, os investidores também gostaram da informação de que o governo não irá usar a verba dos precatórios para bancar o Renda Cidadã, como havia sido sugerido na última segunda-feira, 28, quando foi anunciado. “Precisamos de um programa social bem financiado, por receita permanente. Não pode ser financiado com puxadinho, ajuste", disse o ministro.

 

No entanto, na mesma coletiva, Guedes aproveitou para alfinetar seu agora rival, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ): "Há boatos de que haveria acordo de Maia com a esquerda para não pautar privatizações". Ao Estadão/Broadcast, Maia respondeu: "Paulo Guedes está desequilibrado". Na última terça-feira, 29, Maia já alfinetado Guedes nas redes sociais ao perguntar por que o ministro havia interditado o debate da reforma tributária. As trocas de farpas, no entanto, tiveram pouco efeito sobre a Bolsa.

No exterior, ajudou também a retomada das negociações entre governo e oposição por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos, apesar do desencontro de informações. No final da tarde, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, disse que governo e oposição ainda estão "muito longe" de um acordo por uma nova rodada de estímulos fiscais. Mais cedo, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, havia citado progresso nas conversas, após se reunir com lideranças democratas e com o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, mas disse que ainda não há acordo.

De qualquer forma, a chance de um novo pacote de estímulos ajudou o mercado de Nova York. Hoje, Dow Jones fechou em alta de 1,20%, o S&P 500 subiu 0,82% e o Nasdaq teve ganho de 0,74%. "Andamos hoje com o exterior, na expectativa pelo pacote fiscal nos EUA, mas o mercado aqui permanece com o pé atrás, principalmente pela situação fiscal doméstica", diz Rodrigo Barreto, analista gráfico na Necton. "Os inícios de mês costumam ter um movimento de compras e, com fechamento de trimestre, há troca nas carteiras - mas isso é mais intenso nas viradas de semestre, com os fundos, do que nas de trimestre", acrescenta Barreto.

Apesar do ganho na sessão de hoje, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, fechou o mês de setembro com perda de 4,80%, após retração de 3,44% em agosto. No trimestre, passou do positivo em julho (+8,27%) ao negativo em agosto e setembro, acumulando no intervalo de três meses leve perda de 0,48%, após salto de 30,18% no segundo trimestre. No ano, o índice cede agora 18,20%.

Nesta última sessão do trimestre, com giro financeiro a R$ 24,3 bilhões, os ganhos se distribuíram por empresas e setores, como siderurgia, com CSN em alta de 7,70% e bancos, com Santander em ganho de 3,21%. Já Petrobrás Pn teve ganho de 1,55%, em sintonia com os preços do petróleo no mercado exterior. Hoje, o WTI para novembro subiu 2,37%, a US$ 40,22 o barril, mas recuou 5,61% no mês. Já o Brent para o dezembro avançou 1,78%, a US$ 42,30 o barril, com queda de 6,58% em setembro.

Câmbio

O dólar fechou setembro com valorização de 2,5%, segundo mês seguido de alta. Com isso, no ano, a moeda americana já sobe 40% e o real segue com o pior desempenho no mercado internacional, na frente da lira turca, onde o dólar tem alta de 30%. Nos nove meses de 2020, a divisa dos Estados Unidos só caiu em dois - maio e julho. Profissionais das mesas de câmbio destacam que a deterioração fiscal do Brasil e os juros muito baixos estão entre os fatores que seguem deixando o câmbio pressionado. Na reta final de 2020, as eleições americanas devem manter o dólar em alta no mercado internacional.

Nesta quarta-feira, final de mês e trimestre, o dólar teve um dia volátil, em meio aos ajustes das carteiras de final do período. Também pesou a disputa pela definição do referencial Ptax, usado em contratos cambiais e balanços corporativos. A moeda americana, porém, não caiu abaixo dos R$ 5,60. No mercado futuro, o dólar para novembro, que hoje passou a ser o contrato mais negociado, encerrou com baixa de 0,42%, a R$ 5,6145.

"Nesse cenário, a tendência continua de depreciação para o real", destaca o estrategista de moedas do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH), Ilan Solot, ressaltando que o movimento não deve ser linear. Com notícias positivas sobre o ajuste fiscal, o real pode ganhar força./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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