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Bolsa fecha com queda de 2,7% e dólar fica a R$ 5,73 com aversão aos riscos

Clima de cautela antes do feriado de Finados fez o Ibovespa cair aos 93 mil pontos e fechar com o pior resultado semanal desde março, em um dia desfavorável também para os mercados do exterior

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 09h09
Atualizado 30 de outubro de 2020 | 18h13

O clima de cautela antes do feriado prolongado de Finados persistiu no mercado doméstico nesta sexta-feira, 30, em um dia marcado pela aversão aos ativos de risco. Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com forte queda de 2,72%, aos 93.952,40 pontos, acumulando o pior resultado semanal desde março, em sintonia com as baixas dos mercados de Nova York e Europa, onde também predominou o clima de cautela. No câmbio, a nova intervenção pela manhã do Banco Central ajudou a aliviar a pressão sobre o dólar, que fechou com queda de 0,50%, a R$ 5,7380.

Em Nova York, a possibilidade de São Francisco fazer uma pausa no processo de reabertura, diante do avanço de casos da covid-19 preocupou o mercado, que já vinha tenso com a proximidade da eleição presidencial de 3 de novembro nos EUA. Em resposta, os índices americanos fecharam em baixa: Dow JonesS&P 500 e Nasdaq caíram 0,59%, 1,21% e 2,45% cada e fecharam com o pior desempenho semanal desde março. Na Europa, as mesmas questões, somada ao endurecimento das medidas de isolamento, deixaram os mercados sem sentido único, com Frankfurt caindo 0,36% cada.

"Esta guinada para baixo nas últimas sessões reflete a necessidade de se colocar na planilhas a segunda onda de covid-19", um cenário que por volta de agosto perdia força, mas que, com as novas medidas de distanciamento social adotadas nesta semana em grandes economias europeias, como a alemã e a francesa, por fim se materializou, aponta Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. O prolongamento da pandemia, cortando a recuperação que vinha em curso no hemisfério norte, é algo que não tem como deixar de voltar a ser "colocado no preço" dos ativos, observa o estrategista.

Com isso, pouquíssimas ações conseguiram se desgarrar do mau humor nesta sexta-feira - entre as componentes do Ibovespa, apenas Telefônica Brasil, IRBRumo fecharam com altas de 0,93%, 0,49% e 0,05% cada. Caíram Santander, com 4,01%, Eletrobrás PNB, com 2,82% e Gerdau PN com 3,07%. Entre as commodities, Vale perdeu 2,73% e Petrobrás PN caiu 1,81%, após a forte baixa semanal do petróleo no exterior, com WTI e Brent acumulando quedas na casa dos 10% cada.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa entregou o que ainda tinha de ganhos no mês nesta última sessão de outubro - com as perdas acumuladas em cinco das últimas seis sessões, o índice da B3 passou de ganho de 7,73% até o fechamento da quinta passada para uma baixa de 0,69% no penúltimo mês do ano. Na semana, a baixa foi de 7,22%, a pior desde o tombo de 18,88% entre 16 e 20 de março. No ano, a retração volta agora a 18,76%.

"A volatilidade vai prosseguir e com tantas incertezas, como a segunda onda de covid-19 na Europa e a eleição nos EUA, o investidor evita ficar comprado, em meio a tamanho nervosismo", observa Márcio Gomes, analista da Necton Investimento, ​acrescentando que o prolongamento da pandemia desenha uma recuperação em W e não mais em V. "Graficamente, abaixo de 93,4 mil, abre espaço para o Ibovespa ir aos 90 mil pontos."

Câmbio

O dólar caiu nesta sexta-feira, mas fechou outubro acumulando alta de 2,13%, o terceiro mês seguido de ganhos. Em 2020, a valorização chega a 43%, a maior entre emergentes, e a moeda americana caiu somente em dois meses, maio e julho. No mercado futuro, o dólar para novembro fechou em queda de 0,58%, a R$ 5,7505. Os especialistas esperam mais valorização da divisa dos Estados Unidos na semana que vem, por conta da proximidade das eleições americanas. No Brasil, incertezas fiscais devem ajudar a manter o câmbio pressionado no começo de novembro, até que o governo revele como pretende financiar seus programas sociais em 2021.

No cenário fiscal, segundo dados do  Banco Central, a dívida pública brasileira ultrapassou a marca de 90% Produto Interno Bruto (PIB), atingindo o equivalente a R$ 6,53 trilhões. Segundo a entidade, o cenário é ainda mais preocupante no futuro: em 2025, a possibilidade é que a dívida ultrapasse os 100% do PIB, podendo chegar a 125% do PIB no ano de 2029 no pior cenário.

Nesta sexta, o Banco Central fez novo leilão e injetou US$ 787 milhões no mercado de dólares à vista, quando a divisa encostou em R$ 5,81.Somente esta semana, o BC injetou US$ 1,8 bilhão, níveis semelhantes ao começo de março, quando a pandemia chegava com força ao País. 

"Há riscos que tornam o real mais suscetível que outras moedas emergentes neste momento", ressalta a analista de mercados emergentes do banco alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger. O primeiro deles é o fiscal, com o crescimento da dívida pública brasileira sem sinal de trégua e as reformas praticamente paradas no Congresso, destaca ela. Outro fator a pressionar o câmbio é o Banco Central sem inclinação a elevar os juros, em meio à avaliação de que a pressão inflacionária nas últimas semanas é temporária. "O real deve permanecer sob pressão para depreciação nas próximas semanas."/LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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