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Bolsa fecha em queda de 2% e perde dois mil pontos; dólar fica a R$ 5,21

Dados econômicos pouco animadores, somados a sensação de realização de lucros de final do mês e o clima misto do exterior, pesaram na B3 nesta sexta

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2020 | 09h23
Atualizado 31 de julho de 2020 | 19h06

Em mais um dia de resultados pouco animadores e realização de lucros típica de final de mês, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3encerrou nesta sexta-feira, 31, com queda de 2%, aos 102.912,24 ponto, em uma baixa superior aos dois mil pontos, na comparação com o fechamento de 105 mil pontos do pregão anterior. Neste contexto negativo, o dólar se mostrou forte frente ao real e fechou com valorização de 1,12%, a R$ 5,2170.

O balanço da Petrobrás, divulgado ontem, teve um papel importante no recuo do Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro. A estatal fechou o segundo trimestre com um prejuízo de R$ 2,7 bilhões. Hoje, a aérea Gol informou um prejuízo de R$ 1,9 bilhões para o mesmo período

Além disso, em um resultado inédito, as contas públicas do governo fecharam com déficit fiscal de R$ 188,682 bilhões em julho. Esse é o maior rombo fiscal em um único mês na série histórica do BC, que começou em dezembro de 2001. Agora, a dívida atinge 85,5% do PIB.

Na mínima de hoje, por volta de 15h15, o índice apontava perda de 2,25%, aos 102.642,04 pontos, saindo de máxima pela manhã, em terreno positivo, aos 105.462,13. Assim, em julho, o índice fecha com ganho de 8,27%, um pouco abaixo dos observados nos dois meses anteriores (8,76% em junho e 8,57% em maio). Na semana, os ganhos foram de apenas 0,52% e no ano, a B3 cede 11,01%, de volta ao patamar dos dois dígitos.

No pregão, a movimentação das ações foi vista como normal para um final de mês. As ações de commodities e bancos pesaram no desempenho do Ibovespa, com perdas de 2,71% e 2,66% para Petrobrás PN e ON e queda de 4,14% para Bradesco PN. O ajuste negativo foi bem distribuído na sessão, em que poucas ações conseguiram mostrar alta no fim do dia - destaque para Cielo, com ganho de 10,95% e Tim, com 6,42%. As ações da empresa de telefonia foram impulsionadas pelas negociações em torno da compra da Oi.

Câmbio

O dólar terminou julho acumulando queda de 4,03%, no maior recuo mensal do ano e superando a queda de 1,8% de maio. Diferente de outros períodos, onde o real foi a moeda que mais se enfraqueceu no mercado internacional, este mês a divisa brasileira teve desempenho melhor que a maioria de seus pares. O enfraquecimento do dólar no exterior, para os menores níveis desde 2018, teve peso determinante.

Entre outros emergentes, o dólar caiu 3,2% no México, subiu 1,9% na Turquia e recuou 1,7% na África do Sul. No ano, porém, a moeda americana sobe 30% ante o real, 17% no México e 22% ante o rand sul-africano. A elevada liquidez no mercado financeiro mundial, a percepção de que a retomada econômica dos Estados Unidos será mais lenta e a aprovação de um fundo de recuperação bilionário europeu, estão por trás da desvalorização do dólar, ressalta a diretora de moedas da BK Asset Management, Kathy Lien.

Bolsas do exterior

O clima foi de cautela no exterior, com os mercados atentos para a queda recorde de 12,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro para o segundo trimestre - no pior resultado desde 1995, quando começou a série histórica. Além disso, ainda ficou no radar a queda do PIB de 32,9% do PIB dos EUAque reforçou os temores com a recuperação da economia mundial. No entanto, dados positivos também causaram certo ânimo: o índice de gerentes de compras (PMI, pela sigla em inglês) do setor industrial chinês subiu de 50,9 em junho para 51,1 em julho.

Em resposta, os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,71% e 1,33% cada no mercado asiático, mas os outros índices caíram. O japonês Nikkei caiu 2,82%, enquanto o Hang Seng recuou 0,47% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,78% em Seul e o Taiex registrou perda de 0,46% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana caiu.

No velho continente, quedas generalizadas foram registradas. A Bolsa de Londres cedeu 1,54%, Paris recuou 1,43% e Frankfurt perdeu 0,54%. Milão, Madri e Lisboa tiveram perdas de 0,71%, 1,70% e 0,22% cada.

As Bolsas de Nova York, que também operavam no negativo, conseguiram inverter os resultados no final do pregão, apoiadas principalmente pelos balanços positivos de algumas das gigantes de tecnologia, como Amazon, Apple e Facebook. Por lá, Dow Jones subiu 0,44%, S&P 500 subiu 0,77% e o Nasdaq ganhou 1,49%.

Petróleo

A commodity teve um dia favorável, apoiada pela melhora do setor industrial da China. No entanto, preocupa o relatório do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês), que apontou um recuo de 10,001 milhões de barris por dia em maio na produção de barris dos EUA. Entre janeiro e maio, a média é bem superior, de 12,037 milhões de barris, segundo o mesmo documento.

Com isso, o petróleo WTI para setembro, referência no mercado americano, registrou alta de 0,88%, a US$ 40,27 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), com queda semanal de 2,47%. Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, subiu hoje 0,62%, a US$ 43,52 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE)./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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